Se ferir a existência, serão resistência

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Disseram ao mundo que estão em permanente processo de luta em defesa do território. Prometem: se fere a nossa existência, seremos resistência.

É fato, afirmo e confirmo.

Em cada centímetro que andei atrás delas, na amplitude da capital do país, digo que vi até Glauber Rocha fumando, embriagado com elas, em vários momentos. Máquinas fotográficas ainda não captam tudo que o olho vê, mas é fato que tantos espíritos circulavam entre nós; até as risadinhas de Darcy Ribeiro e Milton Santos ouvi no meio dos cantos. Era difícil ver os homens entre milhares delas, mas protegiam atentos.

É feminina a cidade branca, não há o que duvidar nas formas do arquiteto. 

Foi um momento inédito a reunião de mulheres que vivem tão distantes. Vieram de todas as partes, movidas por uma vontade e coragem que só mulher sabe que existe. Guardiãs, encantadas, irmandade? É cedo para saber, mas é a história que não fecha portas nem janelas, rompe muros, desvela a cegueira dos homens.

Documento final Marcha das Mulheres Indígenas: “Território: nosso corpo, nosso espírito”

imagens por Helio Carlos Mello©

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