Saída de médicos cubanos é tragédia humanitária dizem técnicos do Mais Médicos

Grandes centros urbanos, como zona Sul de São Paulo, também serão afetados pela falta de médicos

Hoje, 15/11, a imprensa velha tenta traduzir o que significa a evasão de 8.500 médicos cubanos para a saúde pública brasileira. “Pequenos municípios Nordeste temem apagão médico”, diz manchete da Folha  de S. Paulo.

É verdade, desde que foi lançado em 2013, 2.885 municípios brasileiros (50,2% do total do país) aderiram ao Programa Mais Médicos, destes, 1.575 (21% do total do país) devem ficar sem nenhum profissional de medicina com a retirada dos doutores cubanos.

Dados do Sistema Integrado de Informação do Programa não deixam dúvidas: quanto menor o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), maior a participação de cubanos no Programa.

“As mais prejudicadas serão as populações indígenas, ribeirinhas, as famílias que vivem nos pequenos municípios do interior e regiões isoladas do Brasil.”, disse a ex-candidata Marina Silva em nota publicada no seu perfil digital.

Mas não se enganem, os grandes centros também sofrerão com a decisão do Ministério da Saúde Pública de Cuba de não continuar participando do Programa Mais Médicos. Locomotiva financeira do país, o poderoso estado de São Paulo, governado há duas décadas pelo consócio tucano, é recordista em médicos “castristas”: são 1.394 profissionais vindos da Ilha comunista.

Médicos gestores do Programa ouvidos pelos Jornalistas Livres, dão o tom do que vai representam a saída repentina de médicos do país: uma tragédia humanitária”, classificou um deles.

Na zona Sul da cidade de São Paulo, UBSs como Varginha e Três Corações (no bairro do Grajaú) contam com uma maioria de médicos Cubanos para colocar em prática a Estratégia de Saúde da Família (ESF), programa de atenção primária à saúde que vem sendo implementado desde 1.994 e hoje cobre todo o país. A região é atendida pelo programa desde sua criação. “O médico é uma figura central das equipes da ESF. Os cubanos moram no território e têm uma relação comunitária com a população local, conhecem de perto as famílias atendidas”, explicou um supervisor do Programa. Para ele a troca de médicos das equipes vai acarretar em um novo processo de criação de vínculo para esses profissionais que precisam conhecer a história individual e familiar dos assistidos.

Nota de prefeitos e secretários da Saúde

Apesar da Frente Nacional de Prefeito e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems)  pedirem em nota “a revisão do posicionamento do novo Governo” em relação ao Programa Mais Médicos, e o comunicado do governo Cubano não ter data para a retirada de seus profissionais, o Ministério da Saúde de Temer parece ter dado o caso como encerrado. Em nota o MS diz que a “iniciativa imediata será a convocação nos próximos dias de um edital para médicos que queiram ocupar as vagas”. Mas, segundo o Conselho de Secretários estaduais de Saude (CONASS), “é preciso ter em análise que a inserção de profissionais brasileiros no Programa Mais Médicos, nos últimos cinco anos, não esgotou o quantitativo necessário”, escreveu o presidente Leonardo Moura Vilela, no site da entidade.

Ataque à Constituição

O que a imprensa corporativa esquece de dizer é que os ataques ideológicos de Bolsonaro ao Programa Mais Médicos não é apenas uma trapalhada de dimensões internacionais. Pouca gente sabe, mas o Mais Médicos não é só um projeto de governos petistas, é Lei aprovada pelo Congresso Nacional em 2013 após amplo debate. No artigo IV das considerações gerais a Lei considera que é objetivo do Programa “ampliar a inserção do médico em formação nas unidades de atendimento do SUS, desenvolvendo seu conhecimento sobre a realidade da saúde da população brasileira”. Ou seja, quando alterações nos seus contratos acarretam em perda de participação médica e experiência adquirida ao longo desses cinco anos, não se está apenas tomando medidas políticas desastrosas, mas atacando a própria Constituição. Livro que Bolsonaro diz que irá respeitar com a própria vida. Nem começou e já vai muito mal.

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Um comentário
  • Inácio da Silva
    15 novembro 2018 at 13:35
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    Ok…todos em apoio ao trabalho semi-escravo dos médicos cubanos…👏👏

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