PM de Santa Catarina quebra perna de mulher que estava rendida

Além da fratura exposta, Silvana de Souza sofreu ferimentos no rosto

Via Ponte Jornalismo

Um vídeo chocante viralizou nas redes sociais nesta terça-feira (10), dois dias após o Dia Internacional de Luta das Mulheres (8M).

No vídeo, uma mulher rendida pela PM, no município de Mafra-SC, é brutalmente agredida por um policial. Silvana de Souza teve fratura exposta na perna e sofreu ferimentos no rosto, que ficou ensanguentado. A agressão policial aconteceu no dia 19 de fevereiro deste ano, mas só repercutiu hoje (10), após o vídeo viralizar nas redes sociais. A PM tentou justificar a agressão, mas o vídeo não deixa dúvidas sobre a brutalidade criminosa:

Por Drika Evarini, para a Ponte Jornalismo

Dois dias e meio no hospital, fratura na fíbula e na tíbia, uma cirurgia, 13 pinos, uma platina, o rosto marcado e machucado e, talvez, mais uma cirurgia no tendão. A costureira Silvana de Souza, 39 anos, nunca mais vai esquecer o dia 19 de fevereiro, quando foi jogada no chão do terreno em frente a sua casa pela Polícia Militar de Santa Catarina. A ação foi filmada por celulares de testemunhas e divulgada nesta terça-feira (10/3), mas o caso aconteceu há quase um mês, em Mafra, no Planalto Norte do estado.

O vídeo mostra o momento em que Silvana está sendo conduzida e, de repente, leva uma rasteira e é jogada no chão. Tatiana de Souza, irmã de Silvana, gravou as imagens que mostram a costureira com o rosto machucado, sangrando e a fratura exposta na perna. “Ele quebrou minha perna”, gritava Silvana.

Silvana hospitalizada

“Eu me senti um nada, um lixo, um zé ninguém para eles, como se eu fosse um animal. Não tinha necessidade de eles fazerem aquilo comigo”, lamenta, em entrevista à Ponte.

A costureira estava em casa com a mãe quando, por volta das 18h30 daquela quarta-feira, policiais passaram em alta velocidade em direção à casa dos fundos. A ação, inicialmente, era uma perseguição ao vizinho de Silvana, que estaria pilotando uma moto com a placa adulterada.

A movimentação incomum no bairro Novo Horizonte, na zona rural do município, chamou a atenção da vizinhança que foi tratada com truculência. Tatiana conta que os policiais logo partiram pra cima dos moradores, inclusive da sua família, com gás pimenta. Ao questionar a ação, o marido foi ameaçado de prisão.

“Entraram na minha casa, com arma apontada, espirrando gás pimenta até nas crianças, com arma apontada. O meu menor, de quatro anos, não pode escutar uma sirene e já pergunta se é sirene, se é polícia, está traumatizado”, conta.

Foi neste momento que Silvana, que mora ao lado com a mãe, chegou para saber o que estava acontecendo. “Vi um monte de PM, as crianças com os olhos vermelhos, minha irmã, meu cunhado e fui perguntar. Já fui abordada por um policial com spray de pimenta. Eu comecei a discutir com o policial porque achei abuso de autoridade. A ocorrência não tinha nada a ver com a gente e já entraram no nosso terreno com violência, apontando arma pra todo mundo”, conta.

A costureira ressalta que não houve nenhuma agressão ou ameaça dos moradores, como afirma a polícia, mas admite que a família xingou os policiais por conta da truculência. Ela recebeu voz de prisão ainda dentro do terreno e foi conduzida. Pelo menos seis policiais participaram da ação.

Enquanto a irmã filmava toda a ação, Silvana foi derrubada com violência. Instantaneamente o rosto começou a sangrar e a fratura na perna foi exposta. Tatiana também foi derrubada enquanto tentava ajudar a costureira e filmava. Ela conta que teve arranhões leves, mas que o celular foi recolhido pela PM. Ela só conseguiu reaver o aparelho oito dias depois.

“Foi muito revoltante, até nisso a gente mostra que não é violento, eu fui filmando e falando com eles, acabei xingando. Mas em momento nenhum tentei agredir. Se fôssemos violentos teríamos tentado agredir. Quando eu tentei chegar perto, não deixaram e me derrubaram para pegar meu celular”, lembra.

Silvana conta que tentou levantar e não conseguiu e foi nesse momento que percebeu que havia quebrado a perna. Ela lembra ainda que ficou por cerca de uma hora no chão enquanto a ambulância dos bombeiros era acionada, trabalho que ficou a cargo dos vizinhos. “Eles [policiais] não prestaram atendimento nenhum”, ressalta.

Silvana mostra cicatrizes | Foto: arquivo pessoal

A costureira lembra ainda que o policial tentou se esquivar da responsabilidade afirmando aos socorristas e também no hospital que ela tinha “escorregado”. “Ele disse que eu caí sozinha, que eu reagi e que quando ele caiu por cima de mim, o material de trabalho dele fraturou a minha perna”, diz.

Durante os dois dias e meio no hospital, a costureira passou pelo procedimento cirúrgico para corrigir a fratura na perna, o que a tem impossibilitado de trabalhar. O retorno ao médico para avaliar a necessidade de nova cirurgia será no dia 25 de março.

“É uma situação muito complicada, não tinha nada a ver conosco e eles falam como se nós fôssemos bandidos, falam de violência e não foi assim. É constrangedor, não posso trabalhar, tenho filhos para sustentar e agora, nos sentimos ameaçados né, porque querendo ou não, eles têm poder”, relata.

Ela conta ainda que o mesmo policial que a agrediu, colheu o depoimento para gerar a ocorrência ainda no hospital. Silvana só foi liberada do hospital para casa porque a irmã pagou a fiança.

Outro lado

Em nota, a Polícia Militar de Santa Catarina afirmou que os moradores teriam se aproximado, iniciado a discussão e ameaçado os policiais, inclusive com um facão, o que teria motivado a utilização de gás lacrimogêneo. A PM declarou ainda que Silvana teria continuado a desacatar os policiais e demonstrado resistência no momento da prisão “razão pela qual o policial fez uso da força, derrubando-a no chão”.

A nota ressalta ainda que os agentes “são treinados a fazer o uso progressivo da força, bem como, observarem os protocolos operacionais padrão”. A PM afirma que um Inquérito Policial Militar será instaurado.

Ministério Público apura ação da PM

O promotor Filipe Costa Brenner determinou, dois dias após a ação, a juntada de gravações, reportagens, do auto de prisão em flagrante e das imagens das câmeras policiais. A partir desses elementos, a promotoria deve avaliar se há elementos suficientes para instauração de procedimento e possível encaminhamento à Promotoria Especializada, em Florianópolis, para investigar possíveis abusos na ação militar.

“Os fatos têm potencial para ensejar providências do controle externo da atividade policial e, inclusive, na seara criminal”, resumiu no despacho.

Além disso, a família de Silvana contratou advogados que, em nota, dizem que estão aguardando a apuração do Ministério Público e do comando da PMSC. “Após a conclusão desses trabalhos, serão ajuizadas as medidas judiciais cabíveis”, afirmam.

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24 comentários:
  • Gilberto Barros
    10 março 2020 at 21:48
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    O cidadão teme a polícia militar, tanto quanto o delinquente. Existe muitos bons polícias, mas a PM está cheio de bandidos fardados.

  • Maria José Tordin
    10 março 2020 at 22:04
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    Que absurdo estamos vivendo!
    Abuso de autoridade, uma vergonha!!!
    Que país é esse?
    Onde estão os direitos dos cidadãos de bem, que pagam impostos?
    Coitada dessa moça que além de tudo precisa estar sadia para costurar, tocar a vida…
    Lamentável!
    Espero que haja justiça! Que os policiais respondam por esses atos de vandalismo e truculência sobre a população.
    Que sejam afastados de seus cargos e respondam na justiça comum.
    Não servem para defender o povo.

  • Tancris
    10 março 2020 at 22:16
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    Que vergonha, aposto que esses safados ainda vao trabalhar fazendo pior com outras pessoas, so queria sabed onde eles tem duvidas do excesso de poder e de violencia contra uma mãe de familia que a vida nunca ssra a mesma pessoa, aposto que ela numca tinha nem ao menos sido abordada por policias, imagina apanhado de um vagabundo dssse que se diz a lei, tinha que ser expulso e pagar o salario dela ate ela ficar 100%
    ….

  • marina Santos Cristo
    10 março 2020 at 22:16
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    Abuso de poder é crime !!!

  • Feh
    10 março 2020 at 22:48
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    Não tinha necessidade da rasteira, a mulher já estava algemada, ela não ia fazer nada contra os policiais, esse animal deve ser punido, expulso da PMSC.

  • Dinei Rinaldi
    10 março 2020 at 22:48
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    A PM brasileira não é outra coisa se não milícia, Dops, como no tempo da ditadura militar.. A PM tem que ser extinguida, é um perigo de morte para a população..

  • Débora Contreira
    10 março 2020 at 23:10
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    Isso NÃO são policias ,são BANDIDOS E como TAL devem SER TRATADOS, eu vi o vídeo e esse COVARDE DANDO UM CHUTE NA PERNA DELA, E JÁ ESTAVA COM O ROSTO SANGRANDO. A SOCIEDADE BRASILEIRA ESPERA PUNIÇÃO SEVERA, COM EXPULSÃO E PRISÃO POR AGRESSÃO A UMA MULHER ALGEMADA, QUE VERGONHA UM homem que usa a farda fazer o que ESSE VERME FEZ CONTRA uma MULHER RENDIDA, ESPERO QUE ESSE CASO TENHA PROPORÇÕES INTERNACIONAIS POR ABUSO DE PODER E AGRESSÃO FÍSICA A MULHER! NÃO PAGAMOS SALÁRIO PRA ESSA PM BATER EM MULHER MAS SIM AS PROTEGER!

  • Lucas Bouças
    10 março 2020 at 23:41
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    Já virou procedimento padrão da polícia cometer todo tipo de abuso e irregularidades. Quero ver quando começarem a revidar essa violência na mesma proporção o que essa cambada de covardes vai dizer. Se o povo se unir não sobra um militar pra contar a história.

  • Ana
    11 março 2020 at 0:39
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    Isso exige providências imediatas e esse descontrolado punido

  • Sil San
    11 março 2020 at 1:33
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    Horrível Tatinha eu não estou acreditando em o q estou vendo
    😔

  • Isaque José da Silva Souza
    11 março 2020 at 1:50
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    Isso tomara que perde. A farda entra com processo contra esses vagabundos de farda sua perna. Nunca mais será a mesma me deu uma revolta meu deus melhoras pra vc que Deus te abençoe e proteja desses bandidos de fardas

  • Matheus
    11 março 2020 at 2:55
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    O destino deste caso no terreno institucional é certo: a conclusão da farsa que será a investigação adiada até a poeira baixar, o perdão e possível promoção do policial e nada para a sua vítima. Não é um caso extraordinário, mas um exemplo do funcionamento normal e cotidiano da polícia militar. A única solução para o problema da violência policial é a dissolução da PM e demais polícias e a organização da auto-defesa armada da população.

  • Marcello Zacharias
    11 março 2020 at 4:10
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    Cambada de FDP, em SP mataram 9 jovens de Paraisópolis, quem será o próximo? Eu? Você?

  • P F M S
    11 março 2020 at 7:07
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    Essa milícia é composta de bandidos psicopatas da espécie mais perigosa.

  • Guimara Silva Santos
    11 março 2020 at 7:12
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    Abuso de autoridade, sim! não era com eles a ocorrência. tem de ser punido, sim, ela tem o vídeo e eu TB assisti. em momento algum, vi falta de respeito com os PM e nem vi facão algum na filmagem. eles querem tirar o deles da reta, sim, e eu sou contra! a mulher é trabalhadeira como qualquer outro cidadão. pq não vão atrás de bandidos grandes?

  • Iara Teixeira
    11 março 2020 at 7:33
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    isso não pode continuar assim. esses policiais tem que ser julgados e afastados de seus serviços para serem exemplos para outros.

  • Cleide Silva
    11 março 2020 at 8:47
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    ISO é de indignar seja ela quem for uma mulher merece respeito é um absurdo acontecer iso eses políciais tem que ser punidos que falta de preparo deses polícias não é ESA a segurança que precisamos no Brasil precisamos de policiais preparados não pode deixar assim 😠😠

  • Sérgio
    11 março 2020 at 9:03
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    Mais uma ação desastrosa de meia dúzia de policiais que ainda acham que podem fazer tudo que nada acontece, enquanto a polícia tenta mostrar e ter a população de seu lado , alguns apenas afastam o povo de bem da corporação , que está para ajudar , mas ao mesmo tempo com atitudes como essas mostram o quanto não se lixam e não estão nem aí para o cidadão

  • Marcos
    11 março 2020 at 9:06
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    Esses sao filhos da puta,respeito o verdadeiro policial, mas esses COVARDES so se acham machos dentro de uma farda…VAGABUNDOS…esses que agrediram a mulher sao lixos..

  • Estêvão Lee
    11 março 2020 at 9:25
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    Como sempre, os milicos negam tudo! E ainda querem respeito! Aaaaaah, vtnC!

  • Silvia
    11 março 2020 at 9:46
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    Quero ver baterem em macho, policias covardes 👊😡

  • Valdilaine
    11 março 2020 at 14:38
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    Esse é o futuro das nossa crianças??? Ter más medo de policía que de bandidos??? Esses São os verdadeiros criminais que sujam a reputação do corpo de policía. ABSURDO

  • Marisa Monteiro Silveira
    11 março 2020 at 21:45
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    Essa policia militar mostra ultimamente muito despreparo.São uns animais e não policiais.

  • Carlos Alberto
    13 março 2020 at 16:57
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    Que barbaridade e despreparo… Pegar o bandido esses “puliças” não querem, agora arrochar dona de casa , trabalhador e crianças eles sabem… Cambada de ridículos. Mas não esqueçam, nessa terra nada se faz sem retorno!

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