Os trabalhadores precisam construir um novo modelo de desenvolvimento

"Eu espero que os operários se insurjam, porque eles vão perder tudo. Os capitalistas estão com medo pois nem eles sabem como sair da crise. O conhecimento é nossa principal arma se quisermos mudar o mundo" - diz João Pedro Stédile

Foto: Leandro Taques / Jornalistas Livres

Entre uma intervenção artística e outra, aconteceu o seminário “Conjuntura Política Atual”, que integra a programação do Festival Nacional de Artes e Cultura da Reforma Agrária do MST, que acontece em Belo Horizonte até o próximo domingo. Antes do debate, que ocorreu no Minascentro, integrantes do MST e de outros movimentos marcharam pelas ruas do centro da capital mineira convidando a população para participar do festival e também denunciando o golpe em curso no país. “No poder só tem playboy. A crise é pros ricos, o pobre é que se fode”, cantavam os jovens do Levante Popular da Juventude.

Foto: Leandro Taques / Jornalistas Livres

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Participaram da mesa o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, João Pedro Stedile, e Beatriz Cerqueira, da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Foto: Leandro Taques / Jornalistas Livres

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João Pedro começou sua fala dizendo que o atual modelo de desenvolvimento, que é o neodesenvolvimentista, está falido e precisamos superá-lo. Essa crise profunda que vivemos, que é política, econômica, social e ambiental, é como a dos anos 30, 60 e 90.

Foto: Maxwell Vilela/ Jornalistas Livres

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“A burguesia vai tentar construir o modelo dela. Nós trabalhadores temos que construir o nosso. Eles (a burguesia) se mexem pra diminuir os salários, mandar embora os empregados e retirar direitos trabalhistas. O que está em jogo no governo de Temer são 220 bilhões de reais do orçamento da União, que antes iam pra educação, saúde, previdência. Eles fazem de tudo pra se apropriar desses recursos. Privatizar as empresas públicas que geram dinheiro é outro projeto: Furnas tá na lista, Cemig que se cuide. E o sonho deles é privatizar a Itaipu, maior hidrelétrica do mundo. E por fim, eles querem se apropriar, de maneira privada, dos recursos naturais, que são bens que a sociedade precisa pra viver melhor”.

O líder do MST continuou: “Eu espero que os operários se insurjam, porque eles vão perder tudo. Os capitalistas estão com medo pois nem eles sabem como sair da crise. O conhecimento é nossa principal arma se quisermos mudar o mundo”.

Seguida à fala de João Pedro, Beatriz Cerqueira disse que enquanto estávamos ali, a saúde, a educação e a previdência estão a caminho da privatização. “Seja no Congresso, seja em medidas provisórias, essa última muito utilizada pelo governo ilegítimo de Temer, estão em curso mudanças estruturais nesses três segmentos. A nossa primeira luta é contra o golpe. Eu não faço isso pela Dilma, ou pelo PT. Faço isso pela democracia, faço isso por 40 milhões que saíram da extrema pobreza; pelo dobro de jovens que estão hoje na universidade; pelo ensino profissionalizante; pelos médicos que chegaram onde nunca havia médicos. Não é possível o PT se aliar ao PSDB, já vimos que não. Essas eleições municipais têm que servir também para denunciar o golpe. Se o golpe passa no final de agosto, a classe da qual eu faço parte está ferrada. Não tem nada daquilo que está nas nossas pautas de educação”.

Foto: Maxwell Vilela/ Jornalistas Livres

Foto: Maxwell Vilela/ Jornalistas Livres

Bia também fez uma crítica ao governo estadual do PT em Minas Gerais: “é preciso avançar mais nas pautas sociais”.

Em Minas Gerais, em dois anos, enquanto na educação a evolução salarial foi de 5.10%, a da Polícia Militar foi de 64%. Enquanto isso, na porta do Minascentro, onde acontecia o debate, dois trabalhadores em cima de uma moto, visivelmente da classe trabalhadora, passam xingando integrantes do MST de várias partes do país que estão em BH ! Esses dados tristes do estado, e essa postura comum de trabalhadores que não estão inseridos em movimento algum diz muito, não é?

É como disse Beatriz, “se as pessoas entendessem Marx, o mundo seria melhor”. Ela ressalta: “e até o pensamento crítico querem nos tirar, com o projeto Escola sem Partido.E volta querida sim, pois isso é uma resposta ao tchau querida, que nos mostrou que mulher não pode ocupar cargos políticos”.

Foto: Leandro Taques / Jornalistas Livres

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