O bolsonarismo entre o carisma, a libido e a pulsão de morte

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ARTIGO

Daniel Soares Rumbelsperger Rodrigues (1) 

Cau Gomez

Não há progresso (Lacan)

É algo que demanda uma explicação o fato de dezenas de milhares de pessoas terem marchado, no último dia 15/3, em defesa do atual presidente da República. Não se tratava
propriamente de uma defesa do governo federal, mas da pessoa do presidente em sua agenda de ação. Como e por que se mantém fiel ao presidente um arco tão amplo de pessoas ao ponto de arriscarem-se a contrair um vírus em rápida expansão que levou autoridades políticas e sanitárias nacionais e internacionais a recomendar isolamento social e suspensão de diversas atividades econômicas? Como e por que, contra todas as análises e prognósticos das mais variadas organizações médicas do Brasil e do mundo, um coletivo considerável de pessoas redobra suas apostas no presidente ao ponto de convocar manifestações a seu favor, mesmo depois do aumento significativo no número de casos de
(e mortes confirmadas em função do) coronavírus, como na ocasião da hashtag #obrasilnaopodeparar? Como e por que, dia a após dia, há um reinvestimento coletivo de energia na figura do presidente, seus discursos e pontos de vistas? O que explica a manutenção do apoio ao presidente mesmo quando o mundo inteiro, até – ainda que de maneira vacilante – o presidente estadunidense Donald Trump, vai na direção contrária ao valorizar as orientações médicas e científicas e buscar preservar vidas (isolamento ou distanciamento social para conter a propagação do vírus) e empregos (por meio de políticas sociais – comuns ou emergenciais – recomendadas inclusive pelos economistas liberais)?

Porque, claro está, a polarização entre vidas e empregos não é razoável. O que o momento
pede é planejamento integrado e estratégico (mercado, Estado e sociedade) para, no intuito
de superar a pandemia, manter serviços essenciais, socorrer as parcelas vulneráveis da
população, auxiliar as empresas na manutenção dos empregos mesmo com a suspensão
temporária de suas atividades e acompanhar a evolução dos indicadores para prospectar o
retorno paulatino da vida econômica do país. Pode-se objetar que o bolsonarismo – desde o
início um desafio à imaginação sociológica – não é hoje tão expressivo em termos
quantitativos e, portanto, um fenômeno decadente que aglutina cada vez menos pessoas,
mas resta enigmática a sua permanência e, mais, avanço qualitativo; resta enigmática sua
expressão atual em termos tão “puros”. O que mantém o laço dos bolsonaristas entre si e na
relação com seu líder? Qual o tipo de vínculo, mediado pelo grupo, ata o líder ao seu
seguidor num caminho que coloca a todos em risco? Como um líder angaria o apoio de
milhões de pessoas para objetivos que contrariam em larga medida seus próprios interesses
pessoais?

O carisma

Max Weber definiu o carisma como uma das três formas típicas de dominação
política. O carisma não é algo que se possui como um objeto material, mas uma relação
social. Isso significa dizer que o líder tem tanto mais carisma quanto maior e mais arraigada
é a crença coletiva na sua excepcionalidade. O que sustenta a relação de dominação
carismática é a reafirmação frequente do carisma: o líder precisa dar provas contínuas do
seu poder mágico, sobrenatural ou extracotidiano – de sua missão (ou qualidade)
excepcional. A instabilidade dessa dominação reside exatamente nessa necessidade de
reafirmação constante do carisma; o líder precisa manter a agitação das massas, precisa
manter a excitação, precisa atiçar continuamente o ânimo e a eletricidade. É nesse sentido
que o bolsonarismo – como uma variante do fascismo – precisa e se nutre da polarização.
Ela é seu alimento e combustível. É um dos elementos que mantém unidos seguidores e
líder. O fascismo precisa da inconsciência e da excitação contínua das massas, algo que é
precisamente negado no poema nazista Desperta, Alemanha! e na ameaça bolsonarista: O
gigante acordou. Sob essas palavras de ordem, o que se vê é justamente seu oposto, o sono
da razão.

Diz-se que Bolsonaro não governa, mas permanece em constante clima de palanque.
E não é à toa: uma das características do fascismo é não ter programa positivo, mas ser um
amontoado de dispositivos (relativamente monótonos 2 ) que reforçam a solidariedade dos

(3) que fazem parte do grupo (reduzindo aí a ambivalência) e excitam a hostilidade contra os de
fora. O fascismo carece de “questões políticas concretas e tangíveis”, nutrindo-se de “uma
atmosfera de agressividade emocional e irracional” (Adorno, 1951, p.154). Por isso o
fascismo precisa alimentar não só a polêmica vazia ou a polarização artificial, mas também
inimigos imaginários que, em conluio, conspiram diabolicamente para atacar e destruir os
portadores da missão quase-divina do messias da vez. Nesse sentido, o bolsonarismo (na sua
expressão “pura”) inverte a realidade: chama de comunista quem fez campanha sistemática
e obstinada contra quem ele chama – equivocadamente – de comunista e que cultivou parte
das condições (históricas e culturais) que possibilitaram o próprio bolsonarismo. O ódio dos
bolsonaristas à chamada grande imprensa e ao espantalho do comunismo é análogo ao uso
nazista da lenda da punhalada pelas costas. Essa necessidade de polarização, conspiração e
contínuos e substituíveis espantalhos não é racional, ainda, do ponto de vista da estabilidade
da dominação política, quer dizer, de um projeto de poder estável a longo prazo. Para
qualquer político de direita com alguma capacidade prospectiva, seria muito fácil utilizar-se
desse momento de pandemia e crise econômica para alçar-se, de maneira inclusive
conservadora, como líder da nação, da união nacional contra o vírus e pela reconstrução da
economia. Não é o caso de Bolsonaro. Não é o caso da demanda afetiva dos bolsonaristas.

No grupo, o bolsonarista perde a individualidade e vai contra seu eu – o seguidor
fascista é irracional. Bourdieu refere-se à essa irracionalidade sob o conceito de “violência
simbólica”. É simbólica a agressão que a vítima faz contra si mesma ao incorporar os
esquemas de pensamento que justificam e legitimam as agressões que ela sofre. Na
violência simbólica, os dominados entendem como legítimas e naturais as instituições e a
realidade nas quais eles participam na condição de dominados. Trata-se de uma “violência
suave, insensível, invisível a suas próprias vítimas” (Bourdieu, 2019, p.12). A ideia de poder
simbólico, em Bourdieu, se assemelha a de ideologia, em Marx: em ambos os casos se trata
de sistemas de pensamento que, incorporados pelos indivíduos das classes dominadas, os
fazem perceber como natural e legítima a ordem social que os oprime. A violência simbólica opera “quando os dominados aplicam àquilo que os domina esquemas de pensamento que são produto da própria dominação” (idem, p.30). A mulher machista, o homossexual homofóbico, o negro racista etc. são os exemplos mais óbvios. Como se vê numa música dos Racionais: “um dia um PM negro veio me embaçar. E disse pra eu me pôr no meu lugar. Eu vejo um mano nessas condições: não dá… Será assim que eu deveria estar?”

Psicanálise do fascismo

Freud aborda essa questão sob um ângulo mais profícuo (talvez por não fazer
distinção de classe) para o caso dessa corrente política e de opinião que é o bolsonarismo.
Segundo Freud, o vínculo que ata líder e seguidor é de natureza libidinal, permitindo que se experimente, no grupo, um prazer quase impossível de se obter por outros meios.

Dificilmente os afetos dos homens se elevam, em outras condições, à altura que atingem numa massa, e é mesmo uma sensação prazerosa, para seus membros, entregar-se tão abertamente às suas paixões e fundir-se na
massa, perdendo o sentimento da delimitação individual (Freud, 1921,
p.25).

Que prazer é esse? O tipo de vínculo entre o seguidor e o líder é análogo ao que unia
o filho e o pai da horda primitiva. O superego, de uma extensão psíquica da influência
parental, é substituído pelo ideal de grupo, do qual é revestido o demagogo fascista, que
passa a encarnar, aos olhos da massa, a onipotência ameaçadora do pai original da horda
primeva. O líder encarna “uma personalidade muito potente e perigosa, ante a qual só se
pode ter uma atitude passiva-masoquista, à qual a vontade tem que se render” (Freud,
1921, p.70). Continua Freud:

O líder da massa continua a ser o temido pai primordial, a massa quer ainda
ser dominada com força irrestrita, tem ânsia extrema de autoridade, ou,
nas palavras de Le Bon, sede de submissão (idem, p.71).

Ora, é esse tipo de vínculo libidinal que explica a atitude irracional (do ponto de vista
do auto-interesse individual) do seguidor fascista. O indivíduo se rende ao grupo e à
submissão ao líder porque é aí que ele satisfaz o impulso arcaico de entregar-se a uma
autoridade, puramente fantasiosa, onipotente e incontrolável. Mas, quais mecanismos
transformam a libido no vínculo entre seguidor e líder?
O seguidor, na realidade, identifica-se com e idealiza o líder. Ele vê o líder como uma
extensão idealizada de sua personalidade; trata-se de uma regressão hipertrofiada,
portanto, ao estágio narcisista de desenvolvimento das tendências libidinais. Antes de
dirigir-se a um objeto externo, os impulsos sexuais dirigem-se ao (procurando encontrar
prazer no) próprio corpo do sujeito; essa fase infantil, auto-erótica, desdobra-se no (5)
narcisismo, em que os instintos sexuais catexizam o ego como objeto (Freud, 1912, p.112).
Esse amor de si, que é o princípio da condição do apaixonado, expande-se para o líder em
função do conflito – especificamente moderno – de ter de se lidar com a frustração dos
desejos (3) . O seguidor, “ao fazer do líder seu ideal, ama a si mesmo, mas se livra das manchas
de frustração e mal-estar que desfiguram a imagem de seu próprio eu empírico” (Adorno,
1951, p.169).
O bolsonarista típico é um frustrado, mas frustrados somos todos. Ele é um frustrado
que se ressente. Há uma incapacidade em se resignar em face da frustração dos desejos
aliada à uma dificuldade em realizar o prazer, em satisfazer os impulsos por prazer; isso gera
uma concentração da libido que encontra seu escape no “universo da política” ou da
participação num grupo que aspira ao “poder político” e que, assim, se atribui a
grandiosidade de uma missão ou cruzada moral. O fascismo, ao mesmo tempo que um
retorno primitivo, é feito na e pela civilização. É essa ira contra a frustração (que bem pode
ter a ver com contextos de desemprego, crise econômica ou conflitos sexuais) que está na
base da devoção ao líder, objeto – paradoxalmente – de identificação e idealização. As
pessoas com quem o líder fascista tem de lidar, prossegue Adorno (1951, p.169), “padecem
geralmente do conflito moderno característico entre uma instância do eu racional,
fortemente desenvolvida e auto-conservadora, e o contínuo fracasso em satisfazer as
demandas de seu próprio eu”.
É interessante notar que é a própria característica de dominação absoluta que faz o
líder ser amado; a hipnose, por assim dizer, que o pai da horda primeva causava é como que
revivida na relação (parcialmente narcísica) que o seguidor mantém com seu líder. Ele não
tem nenhum programa positivo. Não tem nada a dar. E é amado justamente porque não ama.

O líder somente pode ser amado se ele mesmo não amar (idem, p.171).
Ainda hoje os indivíduos da massa carecem da ilusão de serem amados
igualmente e justamente pelo líder, mas este não precisa amar ninguém
mais, é-lhe facultado ser de natureza senhorial, absolutamente narcisista,
mas seguro de si e independente. Sabemos que o amor refreia o narcisismo, e

poderíamos demonstrar que em virtude disso tornou-se fator de cultura (Freud, 1921, p.67).

É extremamente ambígua a circunstância de que ao mesmo tempo que encarna a
onipotência ameaçadora e absoluta, o líder precisa aparecer como uma figura com a qual o
seguidor consegue identificar-se. Quer dizer, não basta corporificar um supereu exagerado e
inalcançável; há a igual necessidade de aparecer como mais um, como um homem comum,
como alguém com quem o seguidor possa não só submeter-se de maneira passivamente
masoquista, mas também identificar-se. É assim, e só assim, que “a imagem do líder satisfaz
o duplo desejo do seguidor em se submeter à autoridade e ser ele mesmo a autoridade”
(Adorno, 1951, p.172). É assim que o líder, que por princípio submete, submete-se à massa.
Os seguidores o podem trocar do dia pra noite – ele é, em essência, descartável. Eles
assemelham-se àqueles indivíduos compulsivos que “repetidamente, no curso da vida,
elevam outra pessoa à condição de grande autoridade para si mesmos ou para a opinião
pública, e após um certo tempo derrubam eles próprios essa autoridade, para substituí-la
por uma nova” (Freud, 1920, p.134).

Com frequência ele [o líder] necessita apenas possuir de modo
particularmente puro e marcante os atributos típicos desses indivíduos [os
seguidores] e dar a impressão de enorme força e liberdade libidinal; então
vai ao seu encontro a necessidade de um forte chefe supremo, dotando-o
de um poder tal que ele normalmente não poderia reivindicar. Os outros,
cujo ideal de Eu, de outro modo, não se teria corporificado sem correções
na sua pessoa, veem-se então arrebatados “sugestivamente”, isto é, por
identificação (Freud, 1921, p.72).
As pessoas que obedecem aos ditadores também percebem que eles são
supérfluos. Elas reconciliam essa contradição ao assumirem que elas
mesmas são o opressor brutal (Adorno, 1951, p.172).

O bolsonarista típico, portanto, é humilde e orgulhoso em suas aspirações. Essa
humildade ou medianidade, diferentemente do que diz Adorno, nada tem a ver com a
profissão ou a ocupação exercida, posto que a relação carismática de poder não encontra
barreiras de classe. Quer dizer, embora assuma matizes distintos a depender das classes
sociais, o bolsonarismo as atravessa. Em todo caso, é pela ação do mecanismo duplo de
identificação e idealização que é feito o milagre da união de onipotência ameaçadora e simplicidade do homem comum a tocar seus afazeres cotidianos (4) . Parte da astúcia de
Bolsonaro advém daí: da sua capacidade de encarnar e manipular signos opostos. Ele se
vende como um político inimigo do “sistema”, como guia de uma missão heroica pela
“salvação da nação” e, ao mesmo tempo, se coloca ombro a ombro com o homem comum,
como um representante típico do homem do povo, em cuja imagem o seguidor (de
diferentes classes ou frações de classe) se projeta. Ao lado dessa ambiguidade, a astúcia de
sua liderança vem daquela capacidade de manter constantemente excitada a eletricidade
que mantém a massa unida e coesa na sua luta grandiosa “contra o sistema, pela nação”.
É por aí que podemos entender o quanto o fascismo é desinibido: parte do
pensamento para a fala e daí para ação – sem mediação. O agitador fascista “diz o que
pensa”, o que significa dizer o que não pensa, o que não passa pelo crivo da razão e da
consciência, o que é apenas uma descarga do inconsciente que logo passa para a ação. Essa
linguagem desinibida do inconsciente a céu aberto é uma das vias de identificação do
seguidor com seu líder, produzindo a mágica de reduzir os indivíduos a membros de
multidões vociferantes e irracionais que pensam, falam e agem sem filtro (5) .

Ora, Bolsonaro é admirado como um “mito” por isso: diz o que todo mundo (supostamente) pensa e ninguém
diz. O bolsonarismo, assim, é um grito contra uma certa etiqueta de civilidade, uma vez que
a civilização implica justamente no respeito aos indivíduos como indivíduos, não como
objetos, em suas singularidades significativas, em suas humanidades, assim como numa
certa restrição dos próprios impulsos (libidinais e destrutivos) individuais. Dizendo o que
ninguém diz, ou o que ninguém dizia por um certo constrangimento, Bolsonaro permite que
todos digam juntos, em uníssono, o que só é dito – e feito – em grupo e pelo grupo. O
seguidor bolsonarista não é um monstro, mas se permite monstruosidades no grupo virtual
ou real. O bolsonarismo é o fascismo dos homens bons (6) .
A civilização nasce com a renúncia. É ela que dá início à cultura e à vida em comum. O
fascismo, por sua vez, é a negação dessa negação, é a imposição imperiosa e absoluta do eu
em suas pulsões por prazer e (auto)destruição; imposição esta que, todavia, só se realiza no 

e pelo grupo através da combinação dos mecanismos da identificação e da idealização. Por
isso o fascismo não tem fim, não tem contentamento possível. À beira do abismo, dá um
passo à frente. O fascismo é totalitário na sua vontade de poder, na sua ânsia de conversão e
domínio do mundo. Ironicamente, é como um vírus que não se sacia, que não tem limite. O
fascismo não sublima, ele atua e realiza. “Vocês querem a guerra total?!” Bradava Goebbels
com uma audiência embevecida. O fascismo exacerba a pulsão de gozo, morte e de
destruição.
Não há aqui uma análise exaustiva dessa politização da antipolítica que é o
bolsonarismo, que sem dúvida é um fenômeno complexo e multidimensional. Pelo contrário,
busquei, num quadro típico-ideal, lançar alguma luz sobre o cenário, sem reivindicar, aliás,
que se incluem neste quadro todos que votaram no atual presidente da República ou que
em alguma medida se alinham ao seu governo. Procurei sugerir, ainda, que, em termos
psicológicos, o fascismo bolsonarista é uma modulação extremada de (ou melhor: é uma
saída anti-civilizatória para) um conflito que, em certo sentido, nos diz respeito a todos.

Diversos autores e autoras vêm se dedicando ao tema, produzindo uma série de análises e
contribuições; se destacam as comparações (semelhanças e diferenças) com outras
correntes, como o lulismo, e as discussões que vinculam as escolhas das esquerdas à
ascensão bolsonarista e que mostram o quanto são turvas as linhas que, em muitos casos,
separam eleitorados opostos de maneira supostamente radical. Janelas importantes de
investigação também são as atitudes diferenciais de indivíduos de classes sociais desiguais,
mas que se unem no ódio e no amor libidinal (sadismo e masoquismo), assim como o fetiche
da ordem, da hierarquia e da organização que se vê nas multidões verde-amarelo. Ademais,
são centrais a dinâmica de amor aos de dentro do grupo e ódio aos de fora (com suas óbvias
interligações com setores do neopentecostalismo) e toda a retórica, típica dos tempos de
pós-verdade, de negação da ciência, de desprezo pela verdade dos fatos e de autonegação:
just remember, what you’re seeing and what you’re reading it’s not what is happening, just
stay with us.

1 Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) e mestre e doutor

em Sociologia pelo Instituto de Estudo Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

(IESP-UERJ).

2 Como diz Adorno (1951, p.155), são ingredientes indispensáveis da técnica da propaganda fascista “a
constante reiteração e escassez de ideias”.

3 “Como uma rebelião contra a civilização, o fascismo não é simplesmente a reocorrência do arcaico, mas sua
reprodução na e pela civilização” (Adorno, 1951, p.162).

4 Ainda Adorno (1951, p.171): “embora apareça como super-homem, o líder precisa, ao mesmo tempo, operar
o milagre de aparecer como uma pessoa mediana, tal como Hitler posava como uma união de King Kong e
barbeiro suburbano”.

5 “A fim de conseguir corresponder às disposições inconscientes de sua audiência, o agitador fascista, por assim
dizer, simplesmente volta seu inconsciente para fora” (idem, 1951, p.182).

6 A referência aqui é A Máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe.

Textos citados:
ADORNO, Theodor. [1951]. Teoria freudiana e o padrão da propaganda fascista. In:
ADORNO,
Theodor. Ensaios sobre psicologia social e psicanálise. São Paulo: Editora Unesp, 2015.

9
BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina; a condição feminina e a violência simbólica. Rio
de Janeiro: Bertrand Brasil, 2019.
FREUD, Sigmund. [1912]. Totem e Tabu. In: FREUD, Sigmund. Totem e tabu e outros
trabalhos. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud,
volume XIII (1913-1914). Rio de Janeiro: Imago Editora, 1974.
______. [1920] Além do princípio do prazer. In: FREUD, Sigmund. História de uma neurose
infantil (“o home dos lobos”), Além do princípio do prazer e outros textos (1917-1920). Obras
completas, volume 13. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
______. [1921]. Psicologia das massas e análise do eu. In: FREUD, Sigmund. Psicologia das
massas e análise do eu e outros textos (1920-1923). Obras completas, volume 15. São Paulo:
Companhia das Letras, 2011.

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