NÃO É ÍNDIO, É A ÍNDIA.

 

Seu corpo nu, potes d’água na cabeça, a sina da pura imaginação em quadros lendários dos artistas estrangeiros, hoje ingênuas e atemporais figurações.  Aposto é a mulher indígena cada vez mais presente nas cenas com indígenas entre cidades. Enfim instala-se a universidade entre nós, sem aforismo.

 

 

É o dia claro que chega nas aldeias nas caravelas do século 21 colhendo soja como uma nau no horizonte da terra tombada para o agro. Feminina a mão estende a borduna e indica o arco, faz a farinha e vigia o rio. A anciã, a jovem, o longo cabelo, tantas cores nos vestidos. Elas chegam acanhadas, é verdade, definindo a atitude de senhores caciques com toda reverência, mas mulher. Há também seus muitos filhos que geram rio, mar, chuva, enchente.

 

 

Pelo telefone se dividem as águas que se encontram e permitem um novo entendimento na troca de conhecimentos . O pensamento de composição hoje se apoia em novos acordes, salutar enlace entre melodia e verso. A nova voz é aguda e tônica, interno às rupturas rupestres desses tempos, apurada, a fé cega, a faca amolada.

 

 

O valor dessa história de gêneros é como o segundo que define as horas; a mulher entrando na prática política dos clãs, dos povos, a cria, no cuidado com o perpétuo.  As mulheres indígenas passaram a gestar suas próprias organizações. Um encontro de mulheres de semelhantes povos complexifica a configuração das identidades étnica e de gênero , trazendo nova representação e visibilidade às reivindicações dos povos tradicionais do país.

 

 

Há um cheiro de óleo de pequi no ar, é andiroba, é tucum, é inajá, é copaíba.

 

*Imagens por ©Helio Carlos Mello.

 

 

 

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