NADA A COMEMORAR… NADA!

Por Francisco Prandi

A prisão do maior traidor da história política recente do Brasil não deve ser motivo de comemoração sob nenhum aspecto. Decretada pelo juiz Bretas, aliado de Wilson Witzel, o governador neonazimiliciano do RJ, ela diz respeito à uma mudança do bloco no poder local no estado do Rio de Janeiro, onde o MDB tinha feito sua grande fortaleza nos últimos 15 anos.

Saem os representantes da burguesia interna, com todos os esquemas de corrupção que se institucionalizaram no país desde sempre e entram em cena milicianos representantes da lumpenburguesia e outros interesses escusos.

Além disso, essa prisão se dá num quadro no qual a Lava Jato tenta retomar a iniciativa e o apoio popular, após o fiasco que foram as últimas manifestações na semana passada que pediam um genérico “apoio à Lava Jato”. Essa operação que governa o país desde 2015, muito em função de opções políticas que nossos governos fizeram, havia sofrido uma grande derrota no STF há duas semanas. Portanto, não é à toa, não é por uma questão de Justiça. Do contrário, outros figurões da política estariam presos, como sabemos.

A Lava Jato tem um projeto de poder, um projeto de país, representa uma ideologia pequeno-burguesa, é dirigida pelo capital financeiro internacional e para concretizar seu projeto se aliou ao que temos de mais sujo na nossa política, a lumpenpolítica!

Temer também serve ao discurso de que a Lava Jato está de olho “em tudo e em todos”, isso a poucas semanas de o STF julgar uma ADC que pode revogar a prisão em segunda instância, fazendo retornar a constitucionalidade perdida única e exclusivamente para manter Lula preso.

Não comemoro. Quanto ao Temer, faço minhas as palavras de Brizola que Dilma tanto repetiu no processo do golpe que sofremos: a política adora a traição, mas abomina o traidor!””

*Francisco Prandi é musico, formado em Ciências Sociais e mestrando em sociologia na USP

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