MST ensina que solidariedade é peça-chave na redução da vulnerabilidade social durante a pandemia

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra desenvolveu ações por todo o país com distribuição de 200 toneladas de alimentos. No RN, onde o MST acompanha cinco mil famílias assentadas, as ações aconteceram em Natal, Ceará-mirim e Mossoró.
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Por Allan Almeida, da agência Saiba Mais

As pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social sentiram os impactos provocados pela pandemia do coronavírus de forma mais intensa. Sem assistência adequada por parte do poder público, essas pessoas ficaram expostas não só ao risco de contrair a doença, mas a situação de fome.

A população em situação de rua faz parte desse grupo. Além do desemprego, não possuem moradia, alimentação e acesso a material de higienização – fundamental para prevenção do contágio da covid-19. A solidariedade da sociedade é o fator principal para que essas pessoas consigam sobreviver. As doações de alimentos permitem esse público a realizar suas refeições.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vem se destacando no país com uma série ações sociais para assistir tanto aos que vivem em situação de rua quanto em periferias. Em entrevista ao programa ContraFluxo, o diretor estadual do MST Hilder Andrade afirmou que o Rio Grande do Norte também fez parte das ações desenvolvidas pelo movimento

“Realizamos distribuição de sopas a população em situação de rua em Natal, Ceará-mirim e Mossoró. Além disso, também foram distribuídos materiais de proteção, como: máscara e álcool em gel”, afirmou.

O MST também distribuiu, em parceria com o Governo do Estado, 500 cestas básicas para famílias periféricas. Foram adquiridos cerca de 8 mil quilos de alimentos, como banana, batata, macaxeira, farinha e feijão produzidos nos assentamentos organizados pelo Movimento onde vivem aproximadamente cinco mil famílias no Estado.

Ao todo, de acordo com dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária do Rio Grande do Norte (INCRA), o estado possui 22.700 famílias assentadas.

Governo do Estado distribuiu 500 cestas básicas no Rio Grande do Norte a partir de produtos plantados pelo MST

Em Pernambuco, o movimento realizou a ação da Marmita Solidária, que distribuiu cerca de 5 mil quentinhas diárias para a periferia. Ainda ocorreu, na cidade de Recife, o café solidário para a população em situação de rua.

Em todo o país, o MST distribuiu cerca de 200 toneladas de alimentos. O estado do paraná se destacou em primeiro lugar no ranking dos estados que mais realizaram a distribuição.

O MST sempre foi protagonista em iniciativas solidárias. No entanto, Hilder Andrade afirmou que durante o período da pandemia as ações se intensificaram. Para ele, a atitude está ligada ao aumento no número de pessoas em vulnerabilidade social. O coordenador estadual afirmou ainda que a pandemia serviu para despertar no brasileiro a necessidade de ser solidário.

“A solidariedade e o companheirismo sempre estiveram atrelados ao movimento. Além disso, esse lema serve de formação política. Esse período de pandemia serviu para despertar no brasileiro a questão de ser solidário. Algumas pessoas são por oportunismo, mas outras por consciência de classe. O importante é que são solidários”, esclareceu o diretor.

Andrade declarou também que a criminalização social pelo Governo Bolsonaro influenciou no aumento da vulnerabilidade. Para Andrade, algumas pessoas tiveram acesso ao auxilio emergencial sem ter necessidade, enquanto a outras que estão sem alimentação o benefício foi negado:

“Há cantos aqui em Ceará-mirim que existem pessoas que não tem o que comer e não foram contemplados com o auxílio emergencial. É algo desumano, e que pode ser acompanhado nas ruas, diariamente”, declarou.

Reforma agrária e alimentação saudável

A luta dessas pela redistribuição de terras improdutivas a trabalhadores rurais sem-terra ocorre há muito tempo. No entanto, até o momento, o poder executivo (federal, estadual e municipal) não atendeu por completo as solicitações reivindicadas.

Hilder Andrade esclareceu que o MST vai apresentar ao estado um plano emergencial, contendo uma proposta de reforma agrária. Além disso, será pautado o direito à saúde e à educação. Ele reafirmou a necessidade de se produzir alimentos saudáveis, sem agrotóxicos.

“A reforma agrária não se institui apenas na liberação de terras, mas em saúde e educação de qualidade. Além de garantir que as famílias possam sobreviver, sem precisar sair de onde trabalham. Outro ponto é inserir a agricultura familiar como base na produção de alimentos, assim disseminar alimentação saudável em todo o estado do RN”, afirmou o coordenador.

A erradicação do uso de agrotóxicos e a adaptação à produção de alimentos orgânicos são o pilar principal do MST. De acordo com Hilder Andrade, as questão ambiental, alimentação saudável e cuidados com a vida é o que fundamenta as reivindicações do movimento.

“Nosso objetivo é produzir alimento saudáveis, sem veneno. Hoje, quando chegamos em um supermercado, encontramos um pimentão com quase 1KG, isso é veneno puro. O estado precisa passar por processo para a inserção do processo agroecológico”, esclareceu.

Para que haja visibilidade à luta do movimento, os trabalhadores sem-terra realizam a ocupação de terras improdutivas. Andrade reafirmou que essas atitudes foram essenciais para diversas conquistas. Além disso, ainda são fundamentais para que possam alcançar o objetivo maior, a redistribuição de terras improdutivas no estado.

“Não podemos abrir mão de nossas raízes, da nossa luta. Se ocupamos uma terra improdutiva, nosso intuito é fazer ela produzir. No Eldorado dos Carajás, na antiga Maisa [Mossoró/RN], foram assentadas 6 mil pessoas em área parada no ano de 2013”, afirmou Hilder.

Confirma a entrevista na íntegra do coordenador estadual do MST Hilder Andrade ao programa Contrafluxo nesta segunda-feira (10) e está disponível no Youtube.

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