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A série é feita em conjunto pelos Jornalistas Livres Martha Raquel e Lucas Martins

Os Jornalistas Livres passaram quatro dias coletando vídeos, fotos e entrevistas nas ocupações dos colégios de Curitiba /PR, para entender o porquê, como, e o perfil de quem ocupa as escolas. Com mais de 850 escolas ocupadas no estado, pode-se considerar este um dos maiores e mais importantes movimentos estudantis do mundo, em luta por uma educação pública de qualidade.

Nessa série de reportagens intitulada como “MINHA ESCOLA, MINHA VIDA”, será possível fazer uma imersão no cotidiano de uma ocupação paranaense, quais as dificuldades, as atividades, e os motivos de estarem lá e entender por que estudantes contrários à MP 746 e a PEC 241 decidiram ocupar e resistir.

Diferente do discurso de falácias que chegam ao povo através dos veículos tradicionais de imprensa, os estudantes que ocupam não são vagabundos, drogados ou doutrinados. Alguns dizem que estudantes do movimento de ocupações querem impedir que os demais tenham aulas, e que os mesmos não gostam de estudar. Os ocupantes estão de portas abertas a quem deseje conhecer os colégios e a forma de organização desses espaços, tudo na prática.

Ana Júlia, 16 anos é estudante secundarista e está ocupando o Colégio Estadual Senador Manoel Alencar Guimarães. Ontem, ela impressionou o país todo com seu depoimento na Assembléia Legislativa do Estado do Paraná. Ana e outros alunos têm propriedade quando o assunto é explicar o porquê ocupar. Esses jovens se dispuseram a tomar conta do espaço e viver nele, coisa que não é tão confortável ou divertido. Tornaram a escola uma segunda casa. Cuidam, limpam, convivem em grupo, dormem, cozinham e comem nas escolas ocupadas como se estivessem em casa.

AUTONOMIA, talvez seja uma das palavras mais repetidas dentro de ocupações escolares. Os “ocupantes” costumam dizer que só se aprende sobre a vida, quando a necessidade se torna presente. Todas as responsabilidades que compõem a escola ocupada são divididas entre eles, sem distinção de gênero e eles fazem questão que assim seja. Um papel de guardião da escola também nasceu nesse processo. Os alunos perceberam que o governo ilegítimo de Michel Temer simplesmente redigiu um texto de reforma curricular sem consultar alunos, professores ou pais, os afetados, apenas Alexandre Frota – ator que confessou em rede nacional ter abusado sexualmente de uma mãe de santo enquanto a mesma estava apagada.

Em vinte dias, 850 escolas foram ocupadas somente no estado do Paraná. Foi o recado do BASTA! Para os políticos do Brasil que nunca antes na história, foram surpreendidos com tamanho levante popular estudantil. Por meio de assembléias, as ocupações começaram a se organizar. Simbolicamente os espaços de educação passaram a transmitir a voz de quem importa: dos alunos! Faixas, cartazes, megafone e páginas na internet engrossaram a repercussão. O governador do Paraná, Beto Richa decidiu pressionar e está sendo pressionado. Em resposta, os estudantes, muito mais do que pressionados, foram menosprezados, invalidados, acusados e reprimidos. E ainda assim resistem! Resistem porque sabem que a escola realmente significa a segunda casa, um local de suma importância na vida deles.

Aprender não é um processo exclusivamente burocrático, determinado somente por apostilas, horários inflexíveis, matérias, livros e atribuição de notas. É bastante claro, que eles reconhecem a educação formal com valor, e por isso, também ocupam para terem o direito de opinar sobre uma decisão que altera a estrutura desse desenho formal de suas aulas. Mas sabem que aprender transcende esse quadro formal e consideram ilegítimo retirar a obrigatoriedade de matérias mais reflexivas e complementares como sociologia, filosofia, artes e educação física.

Nas ocupações, o aprendizado é diário não só com as aulas doadas por professores ou artistas que fazem oficinas, mas também na vida prática com organização de tarefas de limpeza, até o respeito as decisões tomadas em coletivo nas assembléias. Política e cidadania dominam o ar de cada ocupação.

Para Paulo Freire e, também, para a sabedoria popular aprender na prática e com a prática, com erros e correções, é o verdadeiro processo pedagógico. De nada adianta a teoria sem a prática. Assim dizer que não querem aprender, é ignorância. Pessoas contrárias às ocupações insistem no erro e falam que alunos não deveriam fazer isso, que um aluno interessado senta, cala a boca e faz a tarefa de casa. Nas ocupações é possível ver que essa forma autoritária de ensino pode resultar numa geração pouco desenvolvida e para esses alunos e jovens que tanto querem autonomia, responder e apresentar outra forma de escola é, na verdade, o mais sincero desejo de aprender.

Veja todas as matérias do especial:

“MINHA ESCOLA, MINHA VIDA” – Em São Paulo, polícia. No Paraná, MBL.

MINHA ESCOLA, MINHA VIDA – Não tem conforto, só tem perrengue!

Você começou a quebrar as minhas paredes e então cobriu meu coração com beijos

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