#EleNao: Mexeu com a Rachel Sheherazade, mexeu com todas!

Por Lina Marinelli e Laura Capriglione, dos Jornalistas Livres

Rachel Sheherazade - Foto: Divulgação

Sororidade não é só com a Rosa Luxemburgo, com a Marisa Letícia, com a Maria do Rosário, com a Clara Charf, com a Marielle! Sororidade é com todas as mulheres que são atacadas pelo machismo. Rachel Sheherazade, inclusive.

A fala do general Hamilton Mourão, vice de Jair Bolsonaro, segundo o qual as casas só com “mãe e avó” em áreas pobres são “fábricas de desajustados” que fornecem mão de obra ao narcotráfico, ensejou de Rachel Sheherazade a seguinte reação, em seu twitter:

“Sou mulher. Crio dois filhos sozinha. Fui criada por minha mãe e minha avó. Não. Não somos criminosas. Somos HEROÍNAS! #elenao”.

Imediatamente, a jornalista passou a ser atacada por internautas de direita, indignados com sua adesão à campanha #EleNão. Como assim? Afinal, foi Sheherazade uma das defensoras de Bolsonaro no inominável ataque que ele desferiu contra a deputada Maria do Rosário (PT), quando lançou sua infâmia: “Jamais iria estuprar você, porque você não merece.” E este foi apenas um dos tristes episódios em que ela juntou-se ao pior dos mundos.

Agora, Sheherazade enfrenta o ódio que ajudou a fomentar. Em sua página do Facebook, ela escreveu:

“Não vão me calar. Não vão me intimidar. Aqui, vcs não vomitarão seu ódio. #elenao #elenunca”.

Nós, mulheres feministas de esquerda, a acolhemos com amor e solidariedade. Porque sabemos que o machismo não é um capricho de uns poucos malucos. Ele é estruturante da dominação capitalista, e se acirra nos períodos de negação da Democracia, como o que estamos vivendo.

O general Mourão ofende as famílias chefiadas heroicamente (como disse Sheherazade) por mulheres, a maioria dos lares brasileiros, já que às mulheres é vetado o direito ao aborto seguro e, aos homens, que cultivam a poligamia sucessiva, premia-se com o elogio de “pegador”.

O cuidado com a prole, portanto, recai quase que exclusivamente sobre as mulheres, já apequenadas no mercado de trabalho por salários em média 30% menores do que o dos homens que desempenham a mesma função. Aliás, é sempre bom lembrar que Bolsonaro defende o direito de as empresas discriminarem as mulheres, pagando-lhes salários aviltados.

Foram os governos de esquerda de Lula e Dilma que começaram a reverter essa injustiça atroz, ao destinar primeiramente às mulheres chefes de família o benefício do bolsa-família, ou a titularidade do Minha Casa, Minha Vida.

Se Sheherazade, a partir de sua vivência, insurgiu-se contra as declarações machistas da chapa Bolsonaro-Mourão, e agora é vilmente atacada pelos seguidores do fascismo, cumpre a todas e todos os democratas e defensores dos direitos humanos o dever solidarizarem-se com ela.

Pouco importa em quem ela votará.

“Mexeu com uma, mexeu com todas” é o nosso lema.

Mídia democrática, plural, em rede, pela diversidade e defesa implacável dos direitos humanos.

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6 comentários:
  • Karina
    18 setembro 2018 at 18:06
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    E os pais, homens covardes, que abandonaram esses filhos, o generalzinho não fala nada deles?

    E o Bolsa-Filha-de-Militar, de 15 mil por mês, que honera horrores o Governo, esse verme não fala nada?

  • Luca Franco
    19 setembro 2018 at 12:12
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    Bela reportagem. Se eu pudesse fazer uma crítica construtiva, achei o título da reportagem muito ruim e não combina com o bom texto do artigo. O título tem um tom polarizador, quase um clickbait para a esquerda e o texto é muito mais sóbrio do que isso. Paz galera.

  • Lourdes Pinho
    19 setembro 2018 at 14:03
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    Nossa d. Raquel, tinha a maior administração pela senhora,mas acabou. Você é muito burra. Ele não se referiu a todas com certeza. Eu assisto na minha cidade crianças gerando crianças, entregando para as mães , avós e até bisavós, não dão conta de cuidar e jogam essas crianças o Deus dará, então está aberto o caminho para o mal feito, para a criminalidade. Pense que a família é a base e deixe de mimimi

  • Ehp
    19 setembro 2018 at 14:29
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    As cadelas do fascismo passaram os últimos anos no cio e agora renegam sua cria. Só um não-jornalismo de quinta categoria e quinta coluna colocaria o nome de Raquel Sheherazade ao lado de Rosa e Marielle, sob a alcunha da tal “sororidade”.

  • Joílson
    20 setembro 2018 at 11:56
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    Machistas e Feministas , ” São tão ridículos…Tanto um quanto o Outro “!!! Sociedade Líquida.

  • Sabrina
    20 setembro 2018 at 12:58
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    Nossa Jornalistas Livres, vcs estão loucos?! Tão com dó peguem ela pra vcs e levem pra casa. Só faltava essa, sororidade com quem não tem sororidade com ninguém.

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