Marcha das Mulheres Negras 2019 em SP e a cobertura dos Jornalistas Livres

É com muito orgulho que trazemos imagens da marcha que cresce a cada ano. Sinal dos tempos de consciência contra o racismo estrutural

Fotos: Lucas Martins, Jornalistas Livres 

Nesse 2019, de tantos ataques aos brasileiros, sobretudo à população negra, a Marcha das Mulheres Negras protesta contra retrocessos como a reforma da previdência, cortes na educação e depois das declarações de Bolsonaro sobre a fome, o tema também foi incluído de maneira mais explícita no mote da atividade que compõe o calendário “Julho das Pretas. A Apresentação do projeto de mundo com base no Bem Viver fica então mais forte do que nunca. O mote escolhido foi: “Sem violência, racismo, discriminação e fome! Com dignidade, educação, trabalho, aposentadoria e saúde!”.

Na noite da quinta, 25 de Julho, a Praça da República, ficou tomada por milhares de mulheres negras e por pessoas não negras que vem, a cada atividade pública realizada pelo movimento negro, trazendo apoio e procurando a cada momento, entender os processos de co-responsabilização da dívida histórica que a Casa Grande tem com o povo preto do Brasil. Em 2018, a marcha reuniu cerca de 7 mil pessoas e nesse Dia Nacional de Tereza de Benguela e da mulher e negra latino americana e caribenha o que se viu pelas ruas do centro de São Paulo foi uma bela demonstracão de “enfrentamento às políticas de desmonte dos direitos sociais e em uma conjuntura de graves violações de direitos humanos, que afetam principalmente a nós, mulheres negras.” Frase utilizada pela própria organização da atividade, durante várias falas que aconteceram na noite desta quinta.

Nilma Bentes uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará, e uma das idealizadoras da marcha que levou 50 mil mulheres negras para Brasília em 2015 esteve presente e abordou o “Bem Viver” filosofia indígena que propõe uma outra forma de organização social, contrária ao acúmulo de capital e à exclusão – e como ele se insere no contexto da vida das mulheres negras.

O bloco afro Ilú Obá Di Min cantoras e poetisas negras fizeram parte da programação, além de mulheres indígenas.

Uma linda homenagem para a poetisa Tula Pilar foi realizada quando a marcha chegou em frente ã Biblioteca Mario de Andrade: flores e uma banner com uma imagem de Tula sorrindo desceu lentamente do teto do local em direção à rua, enquanto isso, sua filha declamava uma poesia em homenagem à mãe.

Assista tudo em nossa transmissão ao vivo. Clique:

https://www.facebook.com/events/931130517227193/

Vaquinha

Uma vaquinha virtual está no ar até o início de agosto e tem como objetivo ajudar a pagar os custos da bela atividade deste 25 de Julho!

As mulheres pretas contam com a sua ajuda!! Por isso, nós Jornalistas Livres deixamos aqui o link para você fortalecer essa ação.

https://www.kickante.com.br/c…/marcha-das-mulheres-negras-sp

Mais um evento do Julho das Pretas 2019

Ainda no Calendário de Julho, e diante da apresentação da Proposta de Emenda Constitucional nº 6/2019, pelo governo federal, a exemplo das mudanças nas leis trabalhistas, deve prejudicar ainda mais nós mulheres negras, as mais afetadas com a falta de proteção do direito do trabalho, a desigualdade salarial e o desemprego, a Marcha das Mulheres Negras São Paulo realiza no dia 27 de julho, como parte do calendário #JulhoDasPretas2019, às 15h, a roda de conversa “Porque as Mulheres Negras São Contra a Nova Previdência”, na Casa Marielle Franco, na Alameda Barão de Limeira, nº490 (Próximo ao metrô Santa Cecilia).

Mulheres negras contra a reforma da previdência!
Nenhum direito a menos!
Por nós, por todas nós. Pelo bem viver!

Texto do evento:

Neste contexto, as mulheres negras são as mais afetadas por começarem sua vida profissional cedo e em trabalhos informais onde são muitas vezes superexploradas. Conseguir cumprir o tempo de contribuição – de 15 anos para 20 anos, segundo a reforma – e o aumento da idade mínima- de 60 para 62, é quase impossível para mulheres negras. Vale citar que mesmo nestas condições, receberíamos apenas 60% do valor. Para se receber o valor integral é preciso comprovar trabalho por 40 anos. Vamos morrer antes de usufruir do direito à aposentadoria.

Diante dessas desigualdades, aumento de tempo de contribuição, dificultar o acesso aos benefícios, devem agravar ainda mais as disparidades de gênero e raça, principalmente em um país que não reconhece o racismo como produtor das desigualdades.

Sempre é tempo das manas se reunirem para conversar. Por isso, a Marcha das Mulheres Negras São Paulo realiza no dia 27 de julho, como parte do calendário #JulhoDasPretas2019, às 15h, a roda de conversa “Porque as Mulheres Negras São Contra a Nova Previdência”, na Casa Marielle Franco, na Alameda Barão de Limeira, nº490 (Próximo ao metrô Santa Cecilia).

Facilitadoras:
– Cinthia Abreu, assessora de projetos da Rede Jubileu Sul.
– Eliete Edwiges Barbosa, doutoranda da PUC e que pesquisa mulheres negras domésticas e o uso das políticas públicas;
– Luciana Araujo, jornalista com formação extensiva em gênero e diversidade;
– Sandra Mariano, servidora aposentada da saúde estadual.

Confirme presença e compareça:

https://www.facebook.com/events/931130517227193/

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