MAIS DE 500 INTELECTUAIS E ARTISTAS DECLARAM APOIO A MARCIA TIBURI
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Um manifesto em defesa da candidatura da filósofa e escritora Marcia Tiburi ao governo do Rio de Janeiro recebeu o apoio de mais de 500 intelectuais, artistas e pesquisadores do meio acadêmico.
Entre os apoiadores estão alguns dos maiores nomes do teatro (Zé Celso, Aderbal, Marieta, Sérgio Mamberti, Enrique Diaz, etc.), da televisão (Glória Pires, Letícia Sabatella, Silvia Buarque, Lucélia Santos, etc), da música (Chico Buarque, Caetano Veloso, Zélia Duncan, Bebel Gilberto, etc.), da psicanálise (Antonio Quinet, Marco Antonio Coutinho Jorge, Luciano Elia, etc.), do Direito (Celso Antonio Bandeira de Mello, Geraldo Prado, Margarida Lacombe, Afrânio Silva Jardim, Giselle Citadino, etc.), do cinema (Anna Muylaert, Beto Brant, Tata Amaral, Jorge Furtado, etc.) e das artes visuais (Pamela Castro, Gaud6encio Fidelis, etc.) bem como intelectuais reconhecidos internacionalmente, como Leonardo Boff, Miguel Nicolelis, Lúcia Xavier, Juarez Tavares, Leonardo Tonnus, Celso Amorim, Paulo Amarante, Jesse Souza, Margarida Pressburguer, dentre outros.
“Na atual quadra histórica, a professora Marcia Tiburi é o melhor nome para conduzir com coragem e compromisso ético esse processo de resgate do Estado do Rio de Janeiro. É a unidade do campo progressista que se dará nas urnas”, diz o documento.
Leia, abaixo, o texto na íntegra:
Com a Marcia Tiburi no Governo do Rio de Janeiro
(por uma revolução democrática fluminense)
O Estado do Rio de Janeiro vive um momento de forte crise nos campos econômico, social e político. Uma crise que é fruto de opções políticas equivocadas, concepções econômicas vulgares e ilícitos praticados por agentes estatais. Não há registro de avanços significativos para a população fluminense nas áreas da educação, da saúde, da cultura e da segurança pública, transformadas em mercadorias pelos detentores do poder econômico e pelos que hoje detém também o poder político.
O desemprego, a desindustrialização, o aumento da dívida pública e a diminuição do poder aquisitivo da população do Rio de Janeiro somam-se ao processo de destruição das conquistas sociais a partir da adesão ao projeto neoliberal. Um projeto recusado nas urnas, mas imposto ao país após o ataque à democracia brasileira que, primeiro, afastou a presidenta constitucional do Brasil, Dilma Rousseff e, hoje, mantém preso, em violação à Constituição da República, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, primeiro colocado em todas as pesquisas de intenção de voto para o próximo pleito presidencial.
Não satisfeitos em lucrar às custas do sofrimento da população, os detentores do poder econômico e do poder político apostam tanto na apatia dos cidadãos, fruto do cansaço de trabalhadoras e trabalhadores explorados, da demonização da política e da decepção de uma população sofrida, quanto na fragmentação do campo político progressista que, nos últimos anos, tem reforçado o narcisismo das pequenas diferenças e priorizado projetos pessoais e/ou partidários de poder em detrimento da necessária união das forças de centro-esquerda em defesa da democracia e das conquistas sociais. Mas, o povo do Estado do Rio de Janeiro saberá dar a resposta democrática ao caos administrativo e ao golpe midiático-judicial-parlamentar.
Revela-se fundamental, neste momento, resgatar a alegria política necessária à ação coletiva de transformar o Estado do Rio de Janeiro, devolvendo-o ao povo carioca e fluminense. Para tanto, impõe-se construir uma cultura de respeito aos valores democráticos e fazer opções politicas voltadas à gestão da casa comum. A economia, que foi sequestrada pelo mercado financeiro, também precisa ser devolvida ao povo, que necessita não só de medidas que facilitem o consumo, mas também da democratização dos meios de produção, do incentivo à produção e à demanda. É preciso, pois, apostar que um outro Estado do Rio de Janeiro é possível.
Na atual quadra histórica, a professora Marcia Tiburi é o melhor nome para conduzir com coragem e compromisso ético esse processo de resgate do Estado do Rio de Janeiro. É a unidade do campo progressista que se dará nas urnas. Marcia Tiburi, sem nunca esquecer a origem humilde, tornou-se uma pesquisadora séria dos problemas brasileiros. Como o conterrâneo Leonel Brizola, apaixonou-se pelo Rio de Janeiro, mas seus textos e sua atuação política demonstram que nunca perdeu o senso crítico necessário à identificação dos problemas e à descoberta das soluções. Trata-se de uma candidata que personifica não só a autocrítica do maior partido de massas do Brasil, o Partido dos Trabalhadores (PT), como também a união de todos aqueles, trabalhadores e trabalhadoras, dos mais variados campos, comprometidos com a verdade, a ética e a democracia. Não por acaso, foi escolhida pelo ex-presidente Lula da Silva para capitanear a revolução democrática no Estado do Rio de Janeiro; não por acaso, vencerá as eleições e governará com o povo.
Rio de Janeiro, 13 de Agosto de 2018.
- Leonardo Boff – teólogo e escritor
- José Celso Martinez Corrêa – diretor teatral e ator
- Celso Amorim – diplomata e ex-ministro da defesa e das relações exteriores
- Marieta Severo – atriz
- Margarida Pressburger – Membro do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU
- Caetano Veloso – cantor e compositor
- Chico Buarque – cantor e compositor
- Sérgio Mamberti – ator e diretor
- Lúcia Xavier – assistente social e coordenadora da organização CRIOLA
- Glória Pires – atriz
- Aderbal Freire Filho – diretor teatral e ator
- Anna Muylaert – cineasta
- Miguel Nicolelis – neurocientista
- Lucélia Santos – atriz e cineasta
- Paula Lavigne – produtora cultural
- Nilcea Freire – ex-ministra de políticas para mulheres e ex-reitora da UERJ
- Tarso Genro – ex-governador do Estado do Rio Grande do Sul e ex-ministro da educação e da justiça.
- Eleonora Menicucci – ex-ministra de política para as mulheres e professora titular sênior de saúde coletiva da UNIFESP
- Fernando Haddad – ex-prefeito de São Paulo, ex-ministro da educação e professor de ciência política da USP.
- Zélia Duncan – cantora e compositora
- Benedita da Silva – ex-governadora do Estado do Rio de Janeiro
- Celso Antonio Bandeira de Mello – jurista e professor titular de direito administrativo da PUC-SP
- Weida Zancaner – jurista e professora de direito administrativo da PUC-SP
- Beto Brant – cineasta e roteirista
- Teresa Cristina – cantora e compositora
- Marília Guimarães – escritora e produtora cultural
- Beatriz Azevedo – cantora, compositora, diretora de teatro, atriz e poeta
- Carol Proner – jurista e professora da UFRJ
- Eliane Giardini – atriz
- Jessé Souza – sociólogo e professor universitário
- Ivana Bentes – jornalista, ensaísta e professora da UFRJ
- Ladislau Dowbor – economista e professor titular da PUC-SP
- Paulo Amarante – psiquiatra, professor da FIOCRUZ e presidente de honra da ABRASCO.
- Silvia Buarque – atriz
- Miriam Krenzinger – antropóloga e professora da UFRJ
- Luiz Eduardo Soares – antropólogo e ex-secretário nacional de segurança pública
- Enrique Diz – ator e diretor
- Letícia Sabatella – atriz
- Chico Cezar – cantor e compositor
- Barbara Santos – atriz
- Joyce Anselmo – cientista social
- Carolina Ferraz – atriz
- Leonardo Tonus – poeta e Maître de conférences habilite à diriger des recherches – Sorbonne Université
- Aline Moraes – atriz
- Luisa Arraes – atriz
- Gorete Milagres – atriz
- Karine Carvalho – atriz e cantora
- Flávia Lacerda – diretora de televisão
- Tico Santa Cruz – cantor e compositor
- Juarez Tavares – jurista e professor titular de direito penal da UERJ
- Zeze Mota – atriz e cantora
- Mariana Lima – atriz
- Gisele Cittadino – jurista e professora de direito constitucional da PUC-RJ
- Bárbara Paz – atriz
- Wilson Ramos Filho – jurista e professor titular de direito do trabalho da UFPR
- Guilherme Piva – ator
- Susana de Castro – filósofa e professora da UFRJ
- Alice Ruiz – poeta
- Everaldo Pontes – ator
- Bebel Gilberto – cantora
- Ana Cañas – cantora
- Afrânio Silva Jardim – jurista e professor de processo penal da UFRJ
- Ana Barroso – atriz
- Fabiano de Freitas – diretor
- Ana Beatriz Nogueira – atriz
- Jacqueline Muniz – Antropóloga e professora da UFF
- Renato Linhares – ator e diretor de teatro
- Peter Pál Pealbart – filósofo e professor titular de filosofia da PUC-SP
- Verônica Prates – produtora de teatro
- Luciano Elia – psicanalista e professor da UERJ
- Olivia Byington – cantora e violinista
- Antonio Quinet – psicanalista, dramaturgo e professor universitário
- Cleo Pires – atriz
- Flavia Vinhaes – economista
- Pally Siqueira – atriz
- Luciana Pessanha – escritora e roterista
- Geraldo Prado – jurista e professor de processo penal da UFRJ
- Marcia Rubin – atriz
- Marco Antonio Coutinho Jorge – psicanalista e professor da UERJ
- Regina Zappa – escritora, roteirista, jornalista e professora universitária
- Noa Bressane – cineasta
- Thula Pires – professora da PUC-Rio
- Silvero Pereira – ator
- Agostinho Ramalho Marques – jurista e psicanalista
- Elisabeth Bittencourt – psicanalista e escritora
- Leona Cavalli – atriz
- Ana Luiza Libâno – escritora
- Jacinto Nelson de Miranda Coutinho – jurista e professor titular de Processo Penal da UFPR
- Petra Costa – cineasta
- Laís Bondansky – cineasta
- Tata Amaral – cineasta
- Jorge Furtado – cineasta
- Beth Mendes – atriz
- Cristina Pereira – atriz
- Maria Augusta Ramos – cineasta
- Adilson José Moreira – jurista e professor universitário
- Marcos Breda – ator
- Mauro Lima – cineasta
- Debora Lamm – atriz
- Maeve Jinkings – atriz
- Gaudêncio Fidelis – curador de arte
- Katie Silene Cárceres Arguello – jurista e professora de criminologia da UFPR
- Eduardo Guerreiro Losso – professor de literatura da UFRJ
- Manoel Ricardo de Lima – poeta e professor de literatura da UNIRIO
- Julia Studart – poeta e professora de literatura da UNIRIO
- Aline Calixto – cantora
- Deborah Evelyn – atriz
- Sergio Verani – desembargador do Estado do Rio de Janeiro aposentado e professor da UERJ
- Debora Nascimento – atriz
- Julita Lemgruber – socióloga e coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania
- Carlos Bobi – grafiteiro
- Dira Paes – atriz
- Jorge Natal – economista e professor aposentado da UFRJ
- Maria Casadevall – atriz
- Maria de Médicis – diretora de televisão
- Bruna Linzmeyer – atriz
- Sophie Charlotte – atriz e bailarina
- Fernando Horta – historiador e professor universitário
- Esther Dweck – professora de economia da UFRJ
- Cris Vianna – atriz
- Hugo Curti – artista plástico
- Maria Flor – atriz
- Emir Sader – cientista político e professor da UERJ
- Emanuele Araújo – atriz
- Tales Ab’Sáber – psicanalista e cineasta
- Vilma Piedade – escritora e ativista
- Fernanda Lima – atriz
- Thedy Correa – músico
- Maria Gadu – cantora
- Chico Brown – músico
- Lucia Souto – professora da FIOCRUZ
- Charles Feitosa – filósofo e professor da UNIRIO
- Mariana Ximenes – atriz
- Luis Felipe Miguel – professor de ciência política da UNB
- Débora Falabella – atriz
- Felipe Camargo – ator
- Margarida Lacombe Camargo – jurista e professora da UFRJ
- Catarina Abdala – atriz
- Marina Lima – cantora
- Ricardo Lodi Ribeiro – jurista e diretor da faculdade de direito da UERJ
- Nathalia Dill – atriz
- Alberto Pucheu – poeta
- Débora Nascimento – atriz
- Evandro Menezes de Carvalho – professor de direito internacional da UFF e da FGV.
- Smael Vagner – grafiteiro
- Julia Lemertz – atriz
- Daniela Gleiser – cineasta e jornalista
- Julia Marini – atriz
- João Menezes – neurocientista
- Letícia Colin – atriz
- Dríade Aguiar – editora e colunista
- Pedro Serrano – jurista e professor da PUC-SP
- Simone Mainieri Paulon – professora de psicologia social da UFRGS
- Renata Costa-Moura – psicanalista e presidente da Associação Franco-Brasileira de Direito e Psicanálise.
- Joana Jabace – diretora de televisão
- Salo de Carvalho – jurista e professor da UFRJ
- Mariana Assis Brasil Weigert – jurista e professora universitária
- Júlio César da Costa – articulador das Rodas Culturais
- Juliana Neuenschwander Margalhães – jurista e professora da UFRJ
- Camila Camiz – grafiteira
- André Lázaro – professor
- Paulo Fernando Carneiro de Andrade – teólogo e professor da PUC-RJ
- Miguel Baldez – Procurador do Estado do Estado do Rio de Janeiro e Assessor de movimentos populares e presidente do IECD
- Lua Leça – atriz
- Maureen Santos – ecologista e professora IRI/PUC -Rio
- Marcio Sotelo Felippe – jurista, ex-procurador geral do estado de São Paulo
- Priscila Camargo – atriz
- Wadih Damous – jurista e ex-presidente da OAB/RJ
- Virgínia Berriel – diretora da executiva nacional da CUT
- Maria Ignez Baldez Kato – defensora pública do Estado do Rio de Janeiro aposentada
- Antonio Grassi – ator
- Preto Zezé das Quadras – Músico, produtor cultural, ex-Presidente da CUFA e candidato a deputado estadual pelo PCdoB do Ceará.
- Daysi Bregantini – filósofa e editora
- José de Abreu – ator
- Marcia Semer – procuradora do estado de São Paulo
- Johnny Massaro – ator
- Zacarias Gama – professor da UERJ
- Luisa Lima – diretora
- Aori Sauthon – rapper
- Rudá Guedes Ricci – Cientista político
- Maria Clara Spinelli – atriz
- Vanessa Berner – jurista e professora titular de Direito Constitucional da UFRJ
- Bartira Macedo de Miranda – jurista e Diretora da Faculdade de Direito da UFG
- Denise Maurano – psicanalista e professora da UNIRIO
- Cristiano Ávila Marona – jurista e presidente do IBCCRIM
- Mãe Torody – Ialorixá
- Cesar Kuzma – professor de teologia da PUC-RJ e presidente da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (SOTER)
- Lusmarina Garcia – pesquisadora da UFRJ e pastora
- Vanda Gonçalves – Yalorixa
- Luiz Moreira – jurista
- Mãe Simone de Iemanjá – professora e especialista em gestão e história da África e cultura Afro-brasileira
- Tuca Moraes – atriz e produtora
- Luiz Fernando Lobo – diretor teatral
- Rogério Dutra – jurista e professor da UFF
- Otavio Muller – ator
- Schuma Schumaher – presidenta da Redeh
- Ivana Jinkings – editora
- Alessandra Negrini – atriz
- Pedro Abramovay – jurista e ex-secretário nacional de justiça
- Sheyla Smanioto – escritora
- Godofredo de Oliveira Neto – escritor
- Marlise Matos – cientista política, coordenadora do NEPEM e professora da UFMG
- Inez Viana – atriz e produtora teatral
- Felipe Castelo Branco – filósofo e psicanalista
- Renan Quinalha – jurista e professor da Escola Paulista de Política
- Sylvia Moretzsohn – jornalista e professor da UFF
- Roberto Tardelli – jurista e procurador de justiça aposentado de SP
- Penélope Martins – escritora
- Felipe Rodarte – produtor cultural, músico e compositor.
- Débora Abramant – psicanalista e articuladora do “Precisamos falar sobre o fascismo”
- Heloneida Neri – psicanalista
- Branca Oliveira – artista visual e professora da USP
- Filippo Pitanga – crítico de cinema
- Samantha Brasil – crítica de cinema
- Marcia Moura – cantora e partideira
- Maria Helena Barros de Oliveira – professora da ENSP-FIOCRUZ
- Pamela Castro – artista visual
- Erica de Freitas – produtora e roteirista
- Alice Wegmann – atriz
- Simone Paulino – escritora e editora
- Paula Fábrio – Escritora
- Marcelo Neves – jurista e candidato ao senado do DF pelo PT
- Marta Skinner – economista e professora da UERJ
- Pedro Paulo Carriello – jurista e defensor público do estado do Rio de Janeiro
- Tania Kolker – psicanalista e coordenadora técnica da clínica do testemunho do Rio de Janeiro
- Georgina Goes – atriz
- João Ricardo Dornelles – jurista e professor da PUC-RJ
- Gisele Fróes – atriz
- Olivia Santana – professora, escritora e candidata a deputada estadual pelo PCdoB da Bahia.
- Joana Borges – atriz
- Antonio Carlos de Almeida Castro – poeta e advogado
- Daniele Gabrich Gueiros – jurista e professora da UFRJ
- Hugo Cabral Carneiro – produtor cultural
- Renata Correa – escritora e roteirista
- Lucia Irene Reali – designer
- Rodrigo Ciríaco – escritor
- Xarlo Andrade – diretor de arte e cantor
- Rafael Borges – jurista
- Cláudia Gonçalves de Lima – Professora da UERJ
- Gladstone Leonel Júnior – professor da UFF
- Eufrásia Maria – defensora pública do estado
- Rosane Reis Lavigne – defensora pública do estado do Rio de Janeiro
- Tomaz Miranda – cantor e compositor
- Valência Lozada – produtora cultural
- Darlan Montenegro – cientista político
- Zanna Lopes – cantora e compositora
- Adriana Ramos – professora de direito constitucional do IBMEC
- Suzane Garrido – professora universitária
- Cristiano Monteiro – sociólogo e professor da UFF
- Adriana Geisler – professora e pesquisadora da Fiocruz
- Thiago Minagé – jurista e presidente da ABRACRIM-RJ
- Antonio Pedro Melchior – professor da UFRJ e músico
- Cejana Di Guimarães – jornalista
- Willian Lyra – cientista social
- Marcelo Laffitte – cineasta
- Adriana Marcondes Machado – rede Não Cala – USP
- Eli Ramos – roteirista e produtora audiovisual
- Daniel Cabral – professor da PUC-RIO
- Renata Tavares da Costa – defensora pública do estado do Rio de Janeiro
- Julio Cezar de Oliveira Braga – psicanalista e professor
- Raquel Moreno – psicóloga e pesquisadora
- Ana Luz – coordenadora de produção
- Aldine Marinho – psicanalista
- Paulo Cesar Gomes – historiador e escritor
- Alessandro Gemino – psicanalista
- Davi Pessoa – professor da UERJ e tradutor
- Alfredo Chamma – psicanalista
- Bethania Assy – professora da PUC-Rio
- Ana Cristina Figueiredo – psicanalista
- Ana Paula Barcellos – psicanalista
- Karen Kristina de Carvalho – diretora de fotografia e câmera
- André Morse – psicanalista
- Daniel Louzada – livreiro e empreendedor cultural
- Bruna Americano – psicanalista
- Bruno Netto dos Reys – psicanalista
- Luciana Sérvulo da Cunha – documentarista e diretora artística
- Carlos Renato Moreira Ferreira – psicanalista
- Marcelo Barbosa – advogado e escritor
- Carolina Domingues – psicanalista
- Cassia Amara da Conceição Bruno de Azevedo – psicanalista
- Julia Lanz Monteiro – jornalista
- Daniel Elia – psicanalista
- Dulcelina Xavier – cientista social
- Daniela Burlamaqui Silbert – psicanalista
- Carmen Foro – especialista em agricultura familiar e vice-presidente da CUT
- Denis Casagrade – psicanalista
- Magda Barros Biavaschi – juíza do trabalho aposentada e professora
- Diogo Pereira de Sousa – psicanalista
- Maria Martins – professora do IFPI
- Doris Luz Rinaldi – psicanalista
- Georgina Ribeiro Peronis Braga – psicanalista
- Julio Villas Boas – engenheiro
- John Luiz Baytack Beltrão de Castro – psicanalista
- Leonardo Pirovano – coordenador de produção e produtor executivo
- Jorge Luis Vicente de Barros – psicanalista
- Leilah Maria – coordenadora de produção
- Joyce Mesquita – psicanalista
- Cris Torres – fotógrafa
- Aline Bei – escritora
- Juliana Mesquita – psicanalista
- Katia Wainstock Alves dos Santos – psicanalista
- Daniela Pimentel – editora e produtora
- Laura Geszti – psicanalista
- Patrick Mariano – jurista e escritor
- Lenita Bentes – psicanalista
- José Carlos Moreira da Silva Filho – jurista e professor universitário
- Leonardo de Miranda Ferreira – psicanalista
- Gustavo Berner – jurista e advogado da Asduerj
- Luciano Guerrão – psicanalista
- Giliate Coelho Neto – médico de família e comunidade
- Marcella Laboissière – psicanalista
- Fernanda Martins – jurista e professora universitária
- Marçal Vale da Rocha – psicanalista
- Tamyres Reis – DJ
- Maria Silvia Elia Galvão – psicanalista
- Mariana Botelho Weil – psicanalista
- Augusto Jobim – jurista e professor da PUC-RS
- Mariana Mollica – psicanalista
- Marinaldo Santos – psicanalista
- Miriam de Oliveira Sousa – psicanalista
- Zora Motta – arquiteta, urbanista e fundadora do PDT
- Mirtes Medeiros – psicanalista
- Olga Almeida – psicanalista
- Oswaldo Luis Freitas Maia – psicanalista
- Leonardo Isaac Yarochewsky – jurista e professor universitário
- Paula Cerqueira – psicanalista
- Paulo Eduardo Viana Vidal – psicanalista
- Ricardo Alexandre Mateus de Souza – psicanalista
- Reinaldo Santos de Almeida – jurista e professor da UFRJ
- Rosemary Fiães Pinto – psicanalista
- Jaqueline Ferreira – psicanalista
- Maria Goretti Nagime Barros Costa – pesquisadora da UENF
- Sabrina de Freitas Rocha – psicanalista
- Sérgio Alarcon – psicanalista
- Brasilia Paula – psicóloga
- Sheila Brum Fonseca – psicanalista
- Mônica Barcellos Café – psicóloga e professora universitária
- Thiago Bruno Santos da Silva – psicanalista
- Vera Pollo – psicanalista e escritora
- Thiago Ferreira dos Santos – psicanalista
- Tatiana Fernandes – editora e blogueira
- Waldir Périco – psicanalista
- Antonio Pinto de Oliveira Neto – psicanalista
- Claudia Massote Prado – psicanalista
- Cacau Farias – jornalista e produtora
- Cristina Resende Valle Souza – psicanalista
- Giane Álvares Ambrósio Álvares – advogada e escritora
- Claudia Massote Prado – psicanalista
- Diogo Nonato Reis Pereira – psicanalista
- Junéia Martins Batista – secretária nacional da mulher trabalhadora
- Maria das Graças Carvalho Seda – psicanalista
- Maria Losane Sales Menezes do Monte Lima Silva – psicanalista
- Lucianna Herani Hamaoui – psicanalista
- Maria Luiza Quaresma Tonelli – advogada e professora
- Miriam Junqueira Nassar – psicanalista
- Liz Bárbara Silveira – documentarista
- Maria de Fátima Monnerat Cruz – psicanalista
- Rosane Carbalho da Silveira Abbade – psicanalista
- Pedro Rebelo – historiador, professor e membro do movimento Axé pela Democracia
- Marina Mendes Fiorenza – psicanalista
- Claudia Bonan – médica e professora da FIOCRUZ
- Teodora Aparecida Santos – psicanalista
- Ariana Lara de Lima – empreendedora cultural e ativista
- Ana Laura Prates Pacheco – psicanalista
- Maurício Dieter – jurista e professor de criminologia da USP
- Raul Pacheco Filho – psicanalista
- Marcio Tenenbaum – advogado e escritor
- Gisele Silva Araujo – socióloga e professora da UNIRIO
- Ruth Helena Dweck – Professora Associada da Faculdade de Economia – UFF
- Gloria Maria Moraes da Costa – Economista.
- Cosette Aragon, professora de Sociologia da rede pública do estado do Rio de Janeiro
- Gabriel Catão – Advogado
- Lilian Turon – Advogada
- Marcelo Barbosa da Silva, advogado e coordenador executivo do ICG (Instituto Casa Grande)
- Carlos Osório – jornalista
- Luiz Antônio Elias – economista, ex-secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia
- Waldeck Carneiro – professor da Faculdade de Educação e do PPGE da UFF
- Paulo de Tarso – diretor da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro
- Maria Luiza Franco Busse – jornalista
- Luiz Edmundo Aguiar – professor titular e ex-Reitor do IFRJ .
- Jauster Lima – ambientalista e ex-secretário de meio ambiente do PT RJ
- Artur Obino – pesquisador da Coppe/UFRJ
- Julian Carlo Fagootti – artista plástico e diretor de arte
- Tomaz Pinheiro da Costa – médico e professor da Faculdade de Medicina da UFRJ
- Alessandra da Silva Teixeira – engenheira de alimentos
- Ana Costa – professora do Departamento de Serviço Social da UFF Campos
- Andréa Rosana Fetzner – professora Unirio
- Angela Fontes – economista e conselheira do Cedim-RJ
- Andrea Matos – química e líder sindical
- Bruno Falci Medeiros – historiador e jornalista
- Cibele Vrcibradic – professora estadual aposentada.
- Christiane Gontijo – analista judiciário do TJRJ
- Clarissa Moraes de Sousa Bottari – enfermeira e sanitarista
- Cristiane Brasileiro – coordenadora de cursos de formação continuada da Fundação Cecierj
- Eugênia Loureiro – Arquiteta-urbanista e doutora em Ciência da Informação
- Eleny Guimarães – médica e sindicalista
- Fernando Pinto Pereira – músico
- Glorya Ramos – professora e sindicalista
- Laura Bitarelli Reboulet – doutora em Letras
- Lívia Santos Arueira Perret – auditora fiscal do trabalho
- Lucia Capanema Alvares – urbanista e professora da UFF
- Luiz Fernando Rojo – professor do Departamento de Antropologia da UFF
- Marcus Ianoni – professor do Departamento de Ciências Políticas da UFF
- Maria Alice Souza de Alencar – engenheira
- Maria José Carneiro – antropóloga
- Monica Rabelo – produtora cultural e pré-candidata a deputada estadual
- Maria Lúcia Siqueira Doria – professora do Ensino Médio
- Maria Rita Rezende – Atriz e produtora do Teatro de Roda
- Maria Tereza Marques Fázzio – Psicóloga
- Marília Falci Medeiros – Socióloga e professora da UFF
- Monique Sá – mestra em Memoria Social pela Unirio
- Naustria Albuquerque – historiadora, petroleira e pré-candidata a deputada estadual
- Nelma Tavares – economista
- Regina Lucia Barreiro de Almeida – Bibliotecária e produtora cultural
- Rejane Bueno Guerra – jornalista
- Ricardo de Moraes – produtor Cultural
- Ricardo Rabelo – jornalista
- Rogério Bitarelli Medeiros – sociólogo da arte e professor da UFRJ
- Rosalie Branco Correa – médica
- Thiago Toribio – petroleiro e filósofo
- Túlio Franco – professor do Instituto de Saúde Coletiva da UFF
- Valdir Vieira Almada – biólogo e professor da rede pública estadual
- Valter Lucio de Oliveira – professor do Departamento de Sociologia da UFF
- Vaniza Schuch Pinto – ativista social
- Zora Motta – arquiteta-urbanista e fotojornalista
- Lérida Lago Povoleri – professora de economia da UFF
- Victor Tinoco – geografo
- Danilo Bragança – cientista politico
- Pedro Kosovski – diretor de Teatro
- Cesar Callegari – sociólogo
- Julia Callegari – internacionalista
- Caio Callegari – economista
- Monica Poli Palazzo – diretora de arte e pesquisadora
- Flavio Luiz Marcondes Bueno de Moraes – arquiteto, urbanista e professor universitário
- Lucas Bambozzi – artista plástico, curador e professor universitário
- Agnaldo Farias – curador e professor universitário
- Ricardo Porto – jornalista
- Nina Moraes – artista visual
- Patrícia Moran Fernandes – pesquisadora e professora universitária
- Marcus Vinicius Fainer Bastos – artista multimídia, pesquisador e professor universitário
- Luiz Augusto de Paula Souza – professor titular da PUC-SP
- Dângela Nunes Abiorana – pesquisadora e professora da rede pública de ensino
- Dudão Melo – pesquisador, produtor musical e filósofo
- Maria Luiza Carneiro Campos – documentarista, produtora de cinema e televisão
- Izabel Pinheiro – galerista de arte
- Dudu Tsuda – músico, performer e pesquisador
- Luciana Ohira – artista e pesquisadora
- Sérgio Bonilha – artista, pesquisador e professor universitário
- João Vargas – cineasta
- Yiftah Peled – artista e professor universitário
- Marina Maluf – professora de história
- Fernando Morais – jornalista
- Rogério da Costa – ensaísta, filósofo e professor titular da PUC-SP
- Max Alvim – produtor e diretor de cinema
- Celina Ramos – psicóloga
- Stella Senra – ensaísta, curadora, pesquisadora em cinema, vídeo e fotografia, professora universitária
- Laymert Garcia dos Santos – sociólogo, ensaísta, pesquisador e professor universitário
- Alexandre Maxwell – artista visual
- Laura Lima – artista visual
- Ernesto Neto – artista visual
- Marcela Cantuária – pintora
- Letícia Brito – poeta
- Daniela Labra – crítica e curadora
- Bruno Oliveira – produtor cultural
- Rafael Mike – dream team do passinho
- Simone Cupello – artista visual
- Simone Rodrigues – artista e educadora
- Fernanda Sattamini – publicitária
- Bernardo Mosqueira – curador
- Marcos Bonisson – artista visual
- Ademar Britto – colecionador
- Francisco Marshall – professor de história da UFRGS
- Edson Souza – professor de psicologia UFRGS
- Liliane Froemming – psicanalista APPOA
- Maria Teresa Pereira – professor de administração da UFRGS
- Nair Iracema Silveira – professor de psicologia da UFRGS
- Magda Dimenstein – professora de psicologia da UFRN
- Candida Dantas – professora de psicologia da UFRN
- Claudia Penido – professora de psicologia da UFMG
- Roberta Romagnoli – professora de psicologia da PUC-MG
- Rosane Neves da Silva – professora de psicologia da UFRGS
- Maria Teresa Nobre – professora de psicologia da UFRN
- João Paulo Macedo – professor de psicologia da UFPI
- Andrea Nocchi – juíza do trabalho aposentada
- Laura Lamas Gonçalves – psicóloga UNICAMP
- Rosane Ramalho – psicanalista da APPOA
- Martinho Silva – professor de saúde coletiva da UERJ
- Carmen Silveira de Oliveira – professora e esquizoanalista
- Maria de Fatima Fischer – professora de psicologia da UNISINOS
- Maria Judete Ferrari – psicóloga da Prefeitura Alegrete – RS
- Ana Maria Ribeiro – técnica de assuntos educacionais e mestre em Ciência da Informação da UFRJ
- Maria de Lourdes Rangel Tura – professora associada do Programa de Pós-graduação em Educação da UERJ
- Michelle Menezes Wendling – Professora do Instituto de Psicologia da UERJ
- Morgana Eneile – mestranda em Educação da UNIRIO, licenciada em Artes Visuais e ativista cultural
- Beto Novaes – economista, documentarista e professor da UFRJ
- Eliane Ribeiro – Professora da UNIRIO
- Elisa Guarana de Castro – antropóloga e professora do departamento de Ciências Sociais da UFRRJ
- Fátima Lobato – professora da Faculdade de Educação da UERJ
- Helder Molina – doutora em políticas públicas e formação humana, professora da Faculdade de Educação UERJ
- João Hallak Neto – doutor em Economia e analista do IBGE
- Maria Onete Lopes Ferreira – professora associada da UFF
- Monica Pelegrino – professora da UNIRIO
- Paulo Carrano – professor da UFF
- Regina Novaes – antropóloga e professora da UFRJ e da UNIRIO
- Roberto Girafa – professor de História
- Rubia C. Wegner – professora da UFRRJ
- Severine Macedo – pesquisadora da UNIRIO
- Acácia Cristina Reis de Andrade Brito – cirurgiã-dentista e escritora
- Adriana Valle Mota – socióloga e pedagoga
- Agostinho Guerreiro – engenheiro
- Aline Souza – comunicadora da Casa Fluminense
- Ana Laura Becker de Aguiar – analista de política social e doutoranda em Direito
- Andrea Capella – diretora de fotografia
- Artur Obino Neto – pesquisador da Coppe/UFRJ
- Áurea Alves – produtora cultural
- Bernardo Karam – professor do Instituto de Economia da UFRJ
- Carmen Lúcia Diniz dos Santos – coordenadora do comitê carioca de Solidariedade a Cuba
- Claudia Versiani – Professora da PUC-RJ e membro do grupo teatral Militantes em Cena
- lovis Teixeira Marques – bancário aposentado e escritor
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- Debora Franco Lerrer – cientista social
- Dulce Pandolfi – historiadora
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- Floriano Godinho de Oliveira – geógrafo e pesquisador da UERJ
- Gabriel Seibel Machado – músico e professor
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- Graça Lago – jornalista e ativista política e cultural
- Guilhermina Ierece Veloso Lima – professora
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- Príscila Carvalho – Filósofa e feminista, pesquisadora docente UFRJ (PNPD- CAPES)
- Maria Thereza Miranda Rocco Giraldi, Professora Titular do IME.
- Ciomara Santos – Mestre em Serviço Social pela PUC Rio e Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Política Social da Escola de Serviço Social da UFF.
- Inês Pandeló – Jornalista, professora, ex-prefeita de Barra Mansa e ex-deputada estadual, pelo PT.
- Vanessa Costa-mestranda em Estado, Governo e Políticas Públicas – FPA/Flacso
Texto obtido na página do Brasil 247; lis
ta atualizada conforme nos enviam os nomes.
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Geral
O caso Mariana Ferrer, por Honoré de Balzac
Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.
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5 anos atrásem
07/11/20O caso Mariana Ferrer por Honoré de Balzac
Por Dirce Waltrick do Amarante*
Quando o escritor francês Honoré de Balzac teve acesso ao vídeo da audiência de Mariana Ferrer, ele decidiu escrever o Código dos homens honestos, isso nos idos de 1875, mas só agora estou tornando públicas suas palavras, que estavam sob segredo de justiça.
Em uma análise bastante rigorosa, Balzac lembra, em primeiro lugar, que sabemos perfeitamente bem que “em princípio, ficou estabelecido que a justiça seria para todos, mas […]” . A tradução é de Léa Novaes, pois Balzac tinha dificuldade em escrever em português.
Dito isso, ele fala da figura do procurador. Em tempos idos, diz Balzac, os procuradores “levavam tão a sério o interesse de um cliente que chegavam a morrer por eles”. Além disso, eles “nunca frequentavam a sociedade”, e se a frequentassem eram vistos como “monstros”, mas hoje, “hoje tudo está monetarizado: já não se diz que Fulano foi nomeado procurador-geral, vai defender os interesses de sua província […]. Não, nada disso; o senhor Fulano acaba de conquistar um belo posto, procurador-geral, o que equivale a honorários de vinte mil francos […]”.
Balzac ia falar da figura do juiz e do defensor público, mas depois de tudo que assistiu ficou sem as palavras justas para descrevê-los.
Então, o escritor francês decidiu se debruçar sobre o papel do advogado, que “frequenta bailes, festas […] despreza tudo o que não é elegante”. E, diz Balzac, “Justiça seja feita aos advogados […]! São os decanos, os chefes, os santos, os deuses da arte de fazer fortuna com rapidez e com uma sagacidade que os torna merecedores de muitos elogios”.
Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.
Não citei na íntegra o texto do Balzac, porque foram esses os únicos fragmentos aos quais tive acesso, os outros foram apagados.
*Formada em Direito, em 1992, na Universidade Federal de Santa Catarina
Geral
O show de Trump: renovação ou cancelamento?
A eleição nos EUA e o destino da democracia na condição atualista
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5 anos atrásem
06/11/20por
Aloisio MoraisNos EUA voto popular não significa vitória. Biden terá mais votos do que Trump e ainda assim o resultado da eleição continuará indefinido por algum tempo. Apesar dos descalabros que marcaram a gestão Trump antes e durante a pandemia, o seu desempenho na atual corrida eleitoral será muito forte.
Mateus Pereira, Valdei Araujo e Walderez Ramalho, professores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) em Mariana, MG
A disputa está sendo muito mais acirrada do que era inicialmente previsto pela maior parte dos institutos de pesquisa e da mídia americana, embora a cautela e o medo nunca deixaram de estar presentes. Sob esse ponto de vista, as eleições deste ano são como uma repetição do que vimos em 2016, ainda que o resultado possa ser a derrota eleitoral para Trump. Em 2016 foram os democratas que denunciaram a interferência russa, agora é o presidente-agitador que se apressa em questionar a legitimidade do pleito, sem mostrar nenhuma prova. Sabemos que no ambiente do atualismo provas têm como base apenas convicções.
Um sistema eleitoral que sobreviveu por séculos, sem grandes mudanças, pode ter se tornado obsoleto desde a eleição de Bush, em 2000. Um lembrete do possível declínio da democracia americana: das últimas oito eleições presidenciais desde 1992, os democratas venceram no voto popular as últimas sete, mas em apenas quatro ocasiões ganharam o colégio eleitoral e fizeram o presidente.

Acreditamos que as eleições nos EUA são um exemplo do confronto entre duas estratégias e duas concepções sobre fazer política: de um lado, Trump e sua promessa de eterna atualização da atualidade em modo nostálgico; e Biden, com sua aposta moderada no cansaço na agitação atualista que seu adversário republicano encarna e radicaliza, e a retomada da política em moldes liberais. Essa retomada é feita sem uma crítica efetiva ao modelo neoliberal abraçado pela cúpula do partido democrata. Uma aposta radical, como Sanders, teria se saído melhor? É difícil dizer, mas tudo leva a crer que não, tendo em vista o complicado xadrez do voto estado a estado.
A escolha entre as duas estratégias/concepções se mostrou muito mais difícil e apertada do que se imaginava. A tal “onda azul” anunciada por parte da imprensa estadunidense esteve longe de acontecer. De fato, Trump se mostrou eleitoralmente muito mais forte do que os analistas supunham. Considerando que esta não é a primeira vez que os institutos de pesquisa falharam em captar esse movimento no eleitorado americano, e considerando também que fenômeno semelhante ocorreu no Brasil em 2018, coloca-se a questão de saber se as tradicionais pesquisas de opinião tornaram-se de alguma forma obsoletas em um mundo atualista. Esse quadro muda pouco, mesmo com uma eventual vitória de Biden ou pior, com uma inconveniente reeleição de Trump.
São vários fatores que devem ser considerados para avaliar essa questão. Os próprios institutos se apressaram a ensaiar algumas explicações ao público. O diretor da Trafalgar Group, Robert Cahaly, afirmou que muitos eleitores “esconderam”, como já havia acontecido, sua preferência por Trump por algum receio ou constrangimento social.[1] Não podemos desconsiderar algum tipo de boicote/sabotagem dos eleitores republicanos, já que na retórica do trumpismo as pesquisas de opinião fazem parte da mídia vendida. Outros recorreram à justificativa de que as pesquisas anteriores representavam apenas fotografias do momento específico em que as entrevistas foram feitas, e não o que se poderia esperar na eleição propriamente dita. Isso poderia ter sido de fato observado pela tendência de redução da vantagem de Biden nos últimos 15 dias. Afinal, o episódio da contaminação de Trump e sua rápida recuperação pode ter tido um saldo positivo, ao menos na mobilização de sua base, como já havíamos especulado em coluna anterior.
Aceite-se ou não essas justificativas, fato é que os institutos de pesquisa sairão dessas eleições com sua credibilidade e imagem pública mais arranhadas, sobretudo diante das especificidades do sistema eleitoral americano. Como afirmamos, muitos fatores concorrem para esse desgaste. Um deles está relacionado à condição atualista que caracteriza o nosso presente e como cada um dos candidatos se coloca frente a tal condição.

Trump é um político bastante sintonizado com o ambiente da comunicação atualista onde as provas dispensam comprovação factual. Seja nas redes sociais, seja em seus concorridos comícios, o presidente se revela um comunicador difícil de ser batido. Dentre os aspectos associados à condição atualista, destacamos a intensidade e velocidade sem precedentes do fluxo de notícias, em detrimento dos protocolos de verificação e checagem da informação veiculada. Esse ambiente infodêmico[2] é particularmente fértil para a produção de desinformação e sua disseminação como misinformação.[3] Além das informações imprecisas, para não dizer apenas falsas, que a infodemia trumpista ajuda a difundir, é preciso levar em consideração a agitação/ativação que produz. É como se a oposição se agitasse confusamente e a base trumpista se ativasse a cada um de seus comentários polêmicos. Assim, o uso constante das redes sociais para disseminar fake news ou comentários faz com que, seja de modo positivo ou negativo, o presidente esteja sempre no foco da mídia. O acúmulo de notícias sobre suas falas ou atos inconsequentes faz com que seja difícil recuperar qual foi o absurdo dito ou feito na semana anterior. Na condição atualista há um valor excepcional em estar mais atualizado (e exposto) que o seu adversário.
Ainda assim, a manipulação das fake news como ferramenta política supõe uma linguagem organizada para se tornar eficaz. Essa afirmação pode soar chocante à primeira vista: como podemos atribuir coerência a um discurso fundamentado em desinformação e que frequentemente e sem o menor pudor afirma hoje o contrário do que disse ontem, como o exemplo do uso de máscaras na pandemia?[4] O ponto aqui é que a condição atualista coloca muitos obstáculos para que o passado, mesmo o mais recente, seja trazido à reflexão. Assim, quando confrontados com suas próprias contradições, políticos atualistas como Trump e Bolsonaro simplesmente atualizam suas narrativas e afirmações quando as anteriores se tornam insustentáveis. Com muita frequência, os seus discursos mudam em função da conveniência da atualidade, sem a mínima necessidade de se prestar conta da contradição com o que eles mesmos diziam no dia anterior.
Essa estrutura atualista do discurso político só se torna eficaz, porém, no interior de uma linguagem organizada e facilmente identificável pelo público que a compartilha, no interior de uma condição material de reorganização do mundo do trabalho e do capital. A crise de 2008, concentração de renda, neoliberalismo, capitalismo de vigilância e a formação do atual “precariado” são elementos, dentre outros, fundamentais para entender a emergência de líderes que governam e são eleitos por pequenas maiorias mobilizadas pela historicidade e ideologia atualista. Só assim podemos entender a força de Trump na eleição independente do resultado final, ainda que sua derrota interesse a todos os democratas do mundo.

Trump lança mão de artifícios retóricos quando confrontado com suas afirmações evidentemente baseadas em mentiras e contradições, de tal maneira que ele consegue, mesmo em tais situações, transmitir e reforçar o código entre o seu público. O código se estrutura em uma lógica antagonista, na qual o portador é sempre vítima de perseguição por parte do establishment e da imprensa vendida para a “esquerda corrupta” ou as corporações globalistas.
O ponto principal a ser considerado é que para ser politicamente eficaz não é necessário que o código seja compartilhado por todos; mas que seja continuamente ativado junto aqueles que já o compartilham. Por mais que esteja sustentado em desinformações, o fato é que o código é bastante poderoso na ativação de afetos políticos centrais como o medo, ódio e ansiedade, vetores de forte engajamento e agitação política que Trump e Bolsonaro sabem tão bem promover.
O sucesso dessa estratégia se coaduna com a popularização das redes sociais e dos smartphones, bem como das novas tecnologias de processamento de dados manipulados para fins políticos. Nesse contexto, tornou-se possível criar e difundir mensagens sob medida para cada tipo de público, cada indivíduo ou grupo formula suas próprias percepções sobre o mundo a partir de narrativas (códigos) que não mais precisam ser expostos publicamente a todos para serem eficazes. Após alguns reconhecimentos iniciais, os algoritmos se encarregam de abastecer-nos das notícias que nos mobilizam, sempre com o mesmo teor e formato. Reforça-se, assim, o fenômeno das “bolhas”.[5] Esses códigos podem circular de forma subterrânea, de tal modo que o que parece absurdo e chocante para uns, é perfeitamente aceitável e normalizado para outros.
Esse ambiente de circulação de notícias e códigos é condizente com a ordem atualista de nosso tempo e, ao nosso ver, é um fator importante a ser considerado no desempenho surpreendente de Trump nestas eleições. E um dos preços a se pagar para tal sucesso é a radicalização do clima de agitação que tem marcado a nossa época. Esse quadro tem resultado inclusive em distúrbios psicológicos cada vez mais comuns, como o “transtorno do estresse eleitoral”, que segundo estimativas afeta sete em cada dez cidadãos estadunidenses.[6]

Os políticos atualistas claramente não se importam em pagar esse preço, na verdade eles têm lucrado com isso. Mas, ao fim e ao cabo, eles não podem evitar completamente os efeitos colaterais de suas apostas. Agitação e dispersão geram também cansaço no eleitorado. Biden e os democratas tomaram esse efeito como vetor de suas estratégias para estas eleições. Frente à irrefreável agitação de Trump, Biden se vendeu como a opção mais “centrista”, de moderação e convergência. A divergência entre as duas estratégias foi mais uma vez demonstrada logo após o fechamento da votação: enquanto Trump se apressou em declarar-se vencedor e dizer que irá judicializar a eleição em caso de derrota, Biden classificou tal postura como “ultrajante” e pregou calma aos seus apoiadores[7].
Mesmo que a vitória do democrata seja confirmada, é inegável que o preço desse lance foi bastante alto. A imprensa americana noticiou como parcelas importantes do eleitorado negro, que o próprio Biden afirmou ser “a chave para a vitória”, relataram estarem pouco motivados a votarem no candidato democrata.[8] O mesmo ocorreu entre parte do eleitorado hispânico, em especial na Flórida e no Texas. O conservadorismo nos costumes, a adesão a denominações evangélicas que tem crescido entre hispânicos e a tradição anticomunista dos cubanos, e agora também venezuelanos, na Flórida, são fenômenos a serem considerados. Enquanto fechamos essa coluna Trump ainda lidera na Pensilvânia, estado no qual o operariado branco migrou dos democratas para o trumpismo. No último debate, Biden acabou por reconhecer que teria que acabar com a exploração do altamente poluente gás de xisto, o que foi imediatamente explorado por Trump: “Eis uma declaração importante”, ironizou o presidente. Caso perca por margem apertada na Pensilvânia, onde os trabalhadores dessa indústria são amplamente sensíveis ao tema, talvez essa declaração tenha custado a eleição.
Para entender melhor essas flutuações teríamos que fazer algo pouco praticado durante a campanha, uma avaliação retrospectiva fundada em boa informação acerca das políticas públicas implementadas por democratas e republicanos, em especial nos governos Obama e Trump. O apoio ao republicano não é apenas resultado da mágica da comunicação, deriva também da tibieza das políticas democratas e dos acertos de Trump. Reforma do sistema criminal, política externa menos intervencionista, foco na economia e na criação de empregos, com bons resultados, ao menos até a pandemia.
A decisão das eleições primárias do Partido Democrata em nomear um candidato “centrista” para concorrer nessas eleições – ao contrário de uma opção mais radical do populismo de esquerda como Bernie Sanders – foi importante para unificar o partido (em especial o seu establishment) e angariar o apoio do eleitorado “cansado” da agitação radicalizada. Por outro lado, a figura moderada de Biden não se mostrou capaz de promover um grau de engajamento e mobilização do público à altura do seu adversário agitador, nem está claro ainda se seu discurso de união nacional conseguiu atrair eleitores de Trump. Essa diferença é importante em um contexto onde o voto não é obrigatório e, no caso particular das eleições deste ano, ainda mais desencorajado pela pandemia do coronavírus.
Mesmo assim, a moderação pode ter sido eficaz para para derrotar a agitação, mas não para desativá-la. E ainda não podemos assegurar como os EUA sairá dessas eleições, pois Trump continua sendo quem é. Há ainda o risco de o agitador perder e não aceitar sair, e as consequências disso poderão ser catastróficas. E mesmo que ele saia, o trumpismo – o negacionismo, o anti-esquerdismo, o desejo de retorno a um passado glorioso e mítico – ainda permanecerá em parcelas consideráveis da população.

O que tudo isso ensina para o campo democrático brasileiro, que tem de enfrentar a sua própria versão de agitador atualista? Desde o início da votação nos EUA, Bolsonaro disparou freneticamente uma série de tweets ressoando as alegações infundadas de seu ídolo sobre as eleições serem “fraudadas” a favor dos democratas, o que seria um risco para a “liberdade” e para o Brasil. Afinal, nosso agitador atualista tupiniquim sabe bem que a permanência de Trump é uma força de sustentação fundamental para ele. As relações entre EUA e Brasil deixaram de ser uma relação entre Estados, mas sim uma relação de “amizade” (leia-se emulação e, do nosso ponto de vista, subserviência) entre os chefes de turno da Casa Branca e do Palácio do Planalto.
Assim, e seguindo o estilo atualista de fazer política, Bolsonaro ressoa as afirmações sem fundamento de Trump, sem se preocupar com a veracidade e desprezando o princípio diplomático básico da impessoalidade. Mas Bolsonaro também tem seu próprio código “alternativo”, cujo enfrentamento é a tarefa prioritária das forças democráticas no Brasil, que deverá avaliar e tomar suas próprias escolhas para vencer o confronto. Assim como o trumpismo, nos Estados Unidos, o bolsonarismo é um fenômeno que não necessariamente depende da permanência de Bolsonaro no poder: ele mobiliza parcelas consideráveis da população através de seus discursos, que defendem o conservadorismo nos costumes, o liberalismo na economia, a luta contra “o sistema”, a religião e a admiração pelo militarismo.
Será que a aposta moderada e centrista será suficiente para derrotar o bolsonarismo aqui? Mesmo que por pouco? Ou, em nosso contexto particular, faz-se necessário redobrar a aposta na radicalização pela via da esquerda? Mesmo que a vitória de Biden seja confirmada, ainda não está claro qual das duas vias parece a mais indicada para o Brasil. Enfim, tudo indica um destino trágico da democracia liberal de “pequenas maiorias” em tempos de agitação atualista. Sem negar a nossa atual realidade, cabe a nós pensar e imaginar alternativas, por mais difícil que pareça ser em nosso atual nevoeiro e impregnados por uma sensação de asfixia. Além disso, a lentidão com que a apuração avança em alguns estados decisivos promete nos deixar hipnotizados pelos mapas eleitorais na expectativa da atualização decisiva.
(*) Mateus Pereira e Valdei Araujo escreveram o Almanaque da Covid-19: 150 dias para não esquecer ou o encontro do presidente fake e um vírus real com Mayra Marques. Ambos são professores de História na Universidade Federal de Ouro Preto, em Mariana (MG). Também são autores do livro Atualismo 1.0: como a ideia de atualização mudou o século XXI e organizadores de Do Fake ao Fato: (des)atualizando Bolsonaro, com Bruna Klem. Walderez Ramalho é doutorando em História na mesma instituição. Agradecemos à Márcia Motta e ao grupo Proprietas pelo apoio e interlocução nesse projeto.
[1] https://noticias.uol.com.br/colunas/thais-oyama/2020/11/04/o-eleitor-oculto-de-trump-e-o-novo-erro-dos-institutos-de-pesquisa.htm
[2] PEREIRA, Mateus; MARQUES, Mayra; ARAUJO, Valdei. Almanaque da COVID-19: 150 dias para não esquecer, ou a história do encontro entre um presidente fake e um vírus real. Vitória: Editora Milfontes, 2020.
[3] Usamos aqui um neologismo para dar conta da diferença que em inglês é mais clara entre a produção deliberada de notícias falsas (disinformation) e sua disseminação involuntária (misinformation).
[4] https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2020/07/20/trump-muda-discurso-e-agora-diz-que-usar-mascara-e-patriotico.htm
[5] EMPOLI, Giuliano Da. Os engenheiros do caos: como as fake news, as teorias da conspiração e os algorítimos estão sendo utilizados para disseminar ódio, medo e influenciar eleições. São Paulo: Vestígio, 2019.
[6] https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/10/quase-sete-em-cada-dez-americanos-relatam-transtorno-do-estresse-eleitoral.shtml
[7] https://br.noticias.yahoo.com/em-pronunciamentos-biden-prega-calma-e-trump-faz-acusacao-de-roubo-065922289.html
[8] https://www.aljazeera.com/news/2020/9/12/biden-battles-trump-lack-of-enthusiasm-among-black-voters
Feminismo
Que tal ajudar Mariana Ferrer a obter Justiça?
Não basta lacrar. Um chamamento a todas as feministas e a todas as mulheres para que enfrentemos a misoginia dos tribunais brasileiros
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5 anos atrásem
05/11/20A reportagem do Intercept Brasil sobre a denúncia de estupro da influencer Mariana Ferrer tornou-se viral nas redes. Sob o título JULGAMENTO DE INFLUENCER MARIANA FERRER TERMINA COM SENTENÇA INÉDITA DE ‘ESTUPRO CULPOSO’ E ADVOGADO HUMILHANDO JOVEM, o texto da repórter Schirlei Alves serviu de base para milhares e milhares de postagens sobre a excrescência jurídica que teria embasado a absolvição do empresário André de Camargo Aranha. Até as 15h30 de ontem (4/11), o Google devolvia 781.000 resultados, quando se procurava pela expressão “estupro culposo”. Memes, charges, textões e textinhos foram produzidos em escala industrial para provar que um estuprador havia conseguido sentença absolutória graças a uma invencionice jurídica obrada pela Justiça, com vistas a proteger um macho branco, amigo de poderosos e, ele mesmo, “filho do advogado Luiz de Camargo Aranha Neto, que já representou a rede Globo em processos judiciais”, segundo a reportagem do Intercept.
Lida toda a sentença de 51 páginas do juiz do caso, Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, entretanto, constata-se que, em nenhum momento da sentença é dito que houve “estupro culposo” contra a jovem. Ao contrário, é dito que não existe essa tipificação e que o estupro é necessariamente doloso. Portanto, está errada a formulação do título do Intercept Brasil.
Está tão errada que o próprio site The Intercept Brasil foi obrigado, às 21h54, nada menos do que 19 horas e 50 minutos depois de publicada a história, a fazer uma “atualização” que diz assim:
“A expressão ‘estupro culposo’ foi usada pelo Intercept para resumir o caso e explicá-lo para o público leigo. O artíficio é usual ao jornalismo. Em nenhum momento o Intercept declarou que a expressão foi usada no processo.”
O Intercept faz como a música de Tom Zé: “Eu tô te explicando pra te confundir. Eu tô te confundindo pra te esclarecer.” Uma explicação que confunde. E, sim, o Intercept disse que a sentença inédita baseou-se no “estupro culposo”.
É só ler o título indigitado de novo:
JULGAMENTO DE INFLUENCER MARIANA FERRER TERMINA COM SENTENÇA INÉDITA DE ‘ESTUPRO CULPOSO’ E ADVOGADO HUMILHANDO JOVEM
Com as redes ajudando a espalhar a bobagem, todo mundo louco atrás de cliques, de “bombar”, da lacração, poucos deram-se ao trabalho de ler a sentença que, sim, absolveu o réu André de Camargo Aranha por “falta de provas”.
Uma pena.
Se, em vez da lacração, tivessem mirado no fato em si da absolvição do crime de estupro “por falta de provas”, talvez tivessem ajudado muito mais. Sabe-se que a cada 8 minutos uma mulher ou menina é estuprada no Brasil. Mas a maior parte desses crimes jamais será nem sequer investigada pela falta de indícios e elementos probatórios, já que ocorrem escondidos e, preferencialmente, sem testemunhas.
Mariana Ferrer, diz a sentença, não conseguiu provar a acusação que fez contra André de Camargo Aranha. Será? Está na sentença que o exame toxicológico não apontou o consumo de substâncias estupefacientes, como seria de se esperar se ela tivesse ingerido involuntariamente alguma droga do tipo “Boa Noite Cinderela”. A maioria das testemunhas ouvidas, várias mulheres inclusive, disse que a vítima não cambaleava e que não parecia dopada. As câmeras internas do Café de la Musique, onde teria ocorrido o estupro, mostram Mariana Ferrer subindo para um camarote e descendo, seis minutos depois, sem necessidade de ajuda (e de salto!!!!, como faz questão de ressaltar a sentença). Teria transcorrido nesses seis minutos o crime de estupro, de que Mariana Ferrer não tem memória.
Mas Mariana Ferrer diz ter inúmeras provas irrefutáveis do estupro e que nem sequer foram levadas em consideração pelo julgador.
E, no entanto, todas as mulheres sabem da dificuldade de “provar” a violência sexual, quando ela ocorre entre quatro paredes, sem testemunhas. Mariana Ferrer não seria exceção. Nos trechos da vídeo-conferência que foi o julgamento, assombra a solidão da menina que denuncia, vítima de outros homens violentos, que a acusam de ser (ela sim), um monstro querendo prejudicar a reputação de um “pobre milionário”.
Como sempre acontece, a vítima deixa de ser vítima para se transformar no monstro sensual e ardiloso que precisa ser contido. A qualquer custo.
A verdade é que Mariana Ferrer estava sozinha.
Desde o dia em que alega ter sido estuprada (15/dezembro/2018), Mariana Ferrer tem pedido ajuda pelas redes sociais e tem narrado todo o sofrimento e a depressão que a assolam em decorrência do fato.
Quem foi ajudá-la a reunir provas? Quem foi ajudá-la a colher testemunhos que aumentassem a credibilidade de sua acusação? Quem foi ao Café de la Musique, onde ocorreram os fatos julgados, procurar indícios de que ali funcionaria um “abatedouro” de meninas destinadas ao gozo masturbatório de machos alfa? Quem?
Ou achamos razoável condenar alguém sem elementos probatórios que apoiem a denúncia?
Não, não é razoável.
Apenas a voz da vítima não pode embasar uma condenação. E quem defende isso precisa saber que abdicar de provas é apenas a reedição do velho punitivismo, é vingança. Não é Justiça. Pior, resultará na condenação sem provas dos mesmos criminalizados de sempre: os pretos, pobres e periféricos.
A única forma de evitar a perpetuação desse ciclo perverso requer de nós nós, feministas, que encaremos o estupro, cada estupro, como um problema nosso!
Temos de ajudar as vítimas a robustecer as provas da violência que sofreram. Temos de afrontar a Justiça machista, exigindo a presença de mulheres no julgamento. Tem de ser um trabalho nosso enfrentar a misoginia cuspida e escarrada de gente como Cláudio Gastão da Rosa Filho, o advogado de defesa de André de Camargo Aranha, que humilhou e ofendeu Mariana Ferrer enquanto exibia fotos dela que nada tinham a ver com o processo! Que nenhuma mulher mais tenha de enfrentar um julgamento de estupro apenas diante de homens, na solidão absoluta, como acontecia com as antigas feiticeiras.
Temos de incentivar a solidariedade entre nós, mulheres, para que acolhamos as vítimas, em vez de fingir que se trata de um problema só delas. Não há mulher ou menina que não tenha sido atacada ao menos uma vez em sua vida pela violência sexual. E nós sabemos disso em nossos próprios corpos!
É o pai, é o tio, é o avô, é o tarado que mostra o pinto para a adolescente, é o abusador que se acha no direito de ejacular na mulher dentro do trem lotado…
Temos de organizar o “Socorro Feminista”, para apoiar as mulheres que decidem denunciar a violência sexual.
Os tribunais brasileiros são câmaras de tortura contra mulheres, negros, indígenas e pobres em geral. As cenas de humilhação de Mariana Ferrer não são, infelizmente, exceções. São a regra.
É preciso atuar sobre esse front.
Então, precisamos entender que não se trata de um problema privado de Mariana Ferrer o desenlace de sua denúncia. É de todas nós!
Lembro da França, em 1971, quando uma mulher foi presa e julgada pelo crime de aborto, na época punível com a pena de morte pela guilhotina!
Em vez de “solidariedades”, textões de repúdio, e essas lacrações inúteis, 343 mulheres, entre elas as atrizes Catherine Deneuve e Jeanne Moreau, assinaram o manifesto escrito por Simone de Beauvoir, e assumindo que haviam feito, elas também, um aborto. A força desse texto e a coragem das signatárias empolgaram intelectuais como Françoise Sagan e Annie Leclerc, jornalistas conhecidas, de muitas feministas, a começar por Antoinette Fouque, da advogada Gisèle Halimi ou ainda da deputada socialista Yvette Roudy. Todas declararam ter realizado um aborto, como forma de quebrar o tabu de uma injustiça social.
A Justiça no Brasil é machista, é racista e é classista. Só incidindo juntas sobre ela será possível mudar esse regramento que sempre condena a vítima e libera o agressor.
Mariana Ferrer deve recorrer da sentença em primeira instância. Agora, é organizar a luta para mudar o rumo da História. Quem se dispõe?
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