Mais de 400 Famílias são despejadas da ocupação Plínio Arruda em SP

por Rede Brasil Atual com fotos de Bruno Magalhaes

Operação de remoção começou às 6h desta terça-feira, com destruição de todas as moradias

São Paulo — As cerca de 400 famílias que foram despejadas na terça-feira(14) da ocupação Plínio de Arruda Sampaio começam a se mudar para outras áreas ocupadas na cidade. O terreno na Rua Paulo Guilguer Reimberg, extremo sul da capital paulista, passou por reintegração de posse no início desta manhã. A Polícia Militar acompanhou a desocupação.

Sandra de Moura, coordenadora do Jardim da União, no Grajaú, disse que já recebeu mais de 70 pessoas, entre as que foram despejadas hoje, na sua ocupação. “A gente abrigou eles, porque não tem como deixá-los na rua”, disse. Nesta área, um terreno particular, já moram 600 famílias que também aguardam a ação de reintegração de posse.

Francisco Sinaldo Ramos, pedreiro, 46 anos, conta que deixou seus pertences em casas de parentes, mas que pretende recuperar alguns materiais de construção, como telhas, e levar para a ocupação Jardim da União, onde deve se estabelecer por um período. “Sempre morei em ocupação ou de aluguel quando posso. Tenho dois filhos, um de sete outro de cinco anos,” contou.

Desde o início da manhã, retroescavadeiras derrubavam os barracos, todos feitos de madeira. Carlos Dantas de Almeida, pedreiro, 56 anos, ainda tentava retirar alguns pertences. “Falei com o policial, que está nos impedindo de entrar. Disse para aguardar liberação. Tenho cama, geladeira lá dentro.” Carlos conta que levará suas coisas para a casa da irmã, mas que não tem ideia de onde vai morar.

O pedreiro conta que tentou desocupar o barraco durante a noite, mas que havia um incêndio e a fumaça o impediu de entrar na ocupação. De acordo com Leanir José da Costa, coordenador da ocupação, antes de a polícia chegar, alguns moradores revoltados colocaram fogo em barracos. “À noite, nós tivemos que apagar fogo de quatro barracos, porque um senhor e uma senhora se revoltaram. Acharam que não ia dar tempo (de desocupar). Isso foi uma me meia da madrugada”, declarou.

Na segunda-feira (13), os ocupantes fizeram uma manifestação para pedir a prorrogação, em pelos menos cinco dias, da reintegração de posse da área. Segundo o movimento, as famílias foram avisadas sobre a reintegração no último dia 7, e não tiveram tempo para organizar a saída das 1,2 mil pessoas (400 famílias).

A reintegração de posse da ocupação Plínio de Arruda Sampaio foi determinada pelo juiz Paulo André Bueno de Camargo, da 2ª Vara Cível do Foro Regional II de Santo Amaro, a pedido do proprietário da área, a empresa Agro Pecuária Sigal Ltda. O terreno estava ocupado desde julho do ano passado. O local onde ficavam os barracos, cercado por mata, é considerado área de proteção ambiental.

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