Linha de frente

Saímos da ocupação em que estávamos para ir até o alvo. Primeiro os homens, depois as mulheres. Chegamos diante do edifício e a “linha de frente” grudou no portão e começou a chacoalhar a grade que impedia o acesso. No momento em que a trava foi arrebentada, apareceram dois seguranças na janela do terceiro andar apontando as armas para a entrada. Gelamos.

 

– “Tem criança aqui, atira não!” — um passo pra frente;

– “Tem mulher e senhoras aqui, porra” — mais um passo pra frente;

– “Não vai querer ter essa na sua ficha né?” — último passo e já grudaram no portão novamente, até que finalmente foi liberada a entrada.

Entramos todos ao mesmo tempo, seguidos por bombas de gás lacrimogênio lançadas pela Polícia Militar. Começamos a subir as escadas em meio à fumaça sufocante, agarrando-nos uns aos outros, entre mulheres, senhoras, homens e crianças. Tenso.

Os seguranças armados ainda estavam no edifício.

Enquanto os homens organizavam a barreira para conter a entrada dos policiais, subimos até o andar que concentrava as mulheres e crianças — a pressão do risco e a dúvida da intervenção militar deixava o ambiente cada vez mais pesado.

Descemos até o térreo. O ambiente contrastava com a tensão dos homens na proteção das entradas. Era iluminado. A sensação era de segurança e estbilidade. Na cozinha foi possível até tomar um cafezinho.

De repente, o aviso: “Cadê a imprensa? Vamos para outra ocupação que conseguimos entrar!”

Corremos rua acima e entramos, ali, na segunda ocupação que acompanhamos. Existia um espírito de “já ganhamos!”.

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