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Brasília está mais luminosa nessa manhã e uma brisa fresca parece envolver os que estão atentos.

Algo lembra um quadro de Tarsila do Amaral em cena e cores, numa mistura dos Operários com Abaporu, uma escuta e expectativa. Se o Estado brasileiro é um homem que come gente, aqui na capital agora são dezenas de mulheres que trazem vida, dezenas de indígenas vindas de todas regiões do país e representando os 34 Conselhos Distritais de Saúde Indígena, para a primeira etapa da I Conferência Livre de Saúde das Mulheres Indígenas, iniciado no Memorial dos Povos Indígenas, neste domingo.

É tempo de direcionamento e fortalecimento nas causas indígenas e com suas mulheres não seria diferente. Estamos em Brasília, onde ocorrem muitas doenças, diz o anfitrião do espaço onde acontece o evento, Álvaro Tukano, como uma provocação aos desafios desses tempos.

“Antes só os homens saiam da aldeia e viajavam em representações. Agora a mulher está falando, estamos tomando nosso espaço. Agora é o momento de os homens nos ajudarem, carregar água, carregar mandioca. O rio saudável segue livre, e como essa água de rio temos que ir livres. Muitas vezes o rio muda seu curso, assim temos que seguir, entre curvas.” Iolanda Kauwonó Makuxi  

 A palavra inicial é cura e o objeto é a saúde. Garantir a participação das mulheres indígenas na Conferência Nacional de Saúde das Mulheres, realização do Conselho Nacional de Saúde, prevista para agosto deste ano, e a representatividade e especificidade da saúde das mulheres indígenas é o foco. As representantes e suas etnias afirmam que não querem mais serem apenas convidadas a participar, que estão cansadas de cortesias e querem sim serem delegadas na conferência, terem direito a voto.

O mundo mudou e nas aldeias o novo invade e o admirável se furta. O que se revela nas mãos decididas das mulheres e na voz firme é a segurança para a vida e antigos conhecimentos de cura. Sem as mulheres não existiria o mundo, afirmam elas. Quem seria mãe ou parteira de todos, indagam sempre. Sexo frágil é mentira de branco.

Nesta primeira fase, representantes de cada um dos 34 Conselhos Distritais de Saúde Indígena (Condisi) irão expor suas necessidades de saúde, além de discutir temas considerados prioritários para serem debatidos nas plenárias. A Conferência segue até o dia 27 de abril e contará com a participação das mulheres indígenas que vierem a Brasília para o Acampamento Terra Livre, inclusive com a realização dos debates no mesmo espaço do ATL, no Eixo Monumental.

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