Pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Guilherme Boulos, aproveitou a última semana para fortalecer sua candidatura em uma das principais cidades do interior de São Paulo, Campinas (SP). O psolista, que esteve na cidade durante quinta e sexta- feira, 14 e 15 de junho de 2018, participou de um debate no teatro de arena da praça do Ciclo Básico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e conversou com a imprensa local.
Entre os compromissos com os grandes veículos de comunicação, Boulos , junto da candidata ao governo do Estado de São Paulo, a professora Lisete Arelalo, reservou parte da agenda para atender a mídia independente e conversou com os Jornalistas Livres sobre suas motivações para se candidatar a presidência, além do seu plano de governo. Confira a entrevista abaixo.
JL: Antes de começar, agradecemos por ter concordado em conversar conosco hoje. Boulos, por que você resolveu se candidatar e como a sua candidatura vai contribuir para o cenário político atual?
GB: Primeiro eu que agradeço, admiro muito o trabalho dos Jornalistas Livres, acho que temos que democratizar a mídia brasileira e fazer isso também com as próprias mãos. Não apenas lutar pela democratização, mas fazê-lo, assim como fazem os Jornalistas Livres, como faz a Mídia Ninja, como fazem vários órgãos de democratização no Brasil.
A nossa pré-candidatura tem o objetivo de apresentar um novo projeto para esse país. Nós vivemos numa crise econômica, política e ética, uma crise de futuro e de esperança no Brasil. Essa crise passa pelo abismo que se formou entre Brasília e o poder, e o Brasil real, a sociedade.
Nós precisamos enfrentar esse abismo com um novo jeito de fazer política, que passe por uma construção de aproximar o poder das pessoas, uma construção que não tenha medo de tocar em questões fundamentais, na desigualdade, nos tabus, em questões que são caras, para aqueles que querem liberdade para transformar a sociedade brasileira. Estamos levando a diante um projeto de renovação, que vai muito além das eleições. É um projeto para construir uma perspectiva de futuro da esquerda brasileira.
JL: Você diria que têm prioridades dentro do plano de governo que está traçado? Se sim, quais?
GB: A nossa maior prioridade é enfrentar a desigualdade. O grande problema nacional se chama desigualdade. Desigualdade de riqueza, de renda, de patrimônio, desigualdade racial, de gênero, desigualdade regionais, esses temas são essenciais hoje no nosso país, sempre foram, na verdade. Enfrentar a desigualdade significa ter a coragem de enfrentar privilégios.
Nos treze anos do governo PT foi possíveis ter avanços sociais para os de baixo, com políticas públicas, programas sociais, aumento salarial. Isso sem enfrentar frontalmente os privilégios dos de cima. Aliás, os de cima continuaram ganhando até mais. Foi possível um ‘ganha ganha’, um arranjo social. Quando a crise apertou, o cobertor ficou curto. Não tem espaço para aumentar o direito das maiorias sociais e ter políticas sociais no Brasil, sem enfrentar os privilégios do 1%, não dá mais. Nós não vamos governar para o mercado, nós vamos governar para os 99% do povo brasileiro.
JL: A quantidade de candidatos lançados unifica ou divide a esquerda?
GB: Temos que olhar a esquerda na diversidade que ela representa. Nós não podemos jogar nenhuma diferença pra baixo do tapete. Aqueles que querem transformar a sociedade brasileira não podem compartilhar de um pensamento único. É uma coisa atrasada, que mata o espírito crítico. Não é saudável para a esquerda compartilhar de pensamento único. Ao mesmo tempo, a esquerda tem que ter maturidade para estar unida naquilo que é fundamental: nos princípios, na defesa da democracia, na defesa dos direitos sociais, exigindo justiça por Marielle [Franco], exigindo liberdade para o Lula, combatendo todos os retrocessos representados pelo governo Temer.
A esquerda também tem que aprender com as lições desse último processo. Não dá para aceitar, depois de tudo o que aconteceu, os setores do campo progressista recomporem alianças com partidos que deram o golpe e que estão na base parlamentar do Michel Temer. Isso é inadmissível, não dá pra aceitar, num momento como esse, tão grave da nossa história, ainda fazer composições com setores que só mostraram que querem espoliar a maioria do nosso povo. É momento de ousar, colocando novas alternativas, colocando o dedo na ferida. Enfrentando privilégios.
JL: Na última eleição elegemos o congresso mais conservador em muitos anos, como revertemos esse cenário? Como eleger um congresso mais progressista?
GB: O sistema político brasileiro, sobre tudo na eleição do congresso, está muito ligado às oligarquias locais. No momento em que o Lula tinha 80% de popularidade, a bancada do PT era 15% do congresso. É uma expressão de como a eleição no congresso, no geral, não expressa a eleição presidencial e está ligada a fatores mais oligárquicos, clientelistas.
Nós temos que enfrentar isso, isso significa ousar, apresentar uma bancada, uma chapa, que tenha representatividade, que tenha compromisso com os de baixo. É importante apresentar alternativas para renovar o parlamento brasileiro e estaduais, não só com renovação de nome, mas com renovação de práticas, princípios, bandeiras. Isso é fundamental que se construa.
Ao mesmo tempo, nós precisamos entender que esse jeito de fazer política está esgotado. O presidencialismo de coalizão chegou ao limite. Troca de votos no congresso por cargos no governo, financiamento de partidos por grandes empresários e banqueiros, essas pessoas depois cobram a conta em vantagens no governo e no parlamento. Esse é o sistema político brasileiro. Nós temos que oxigenar a política no Brasil com uma nova forma de fazer. Isto significa nós trazermos os maiores interessados para o centro da discussão, o povo. Com plebiscitos, referendos, ampliando uma democracia participativa. Isso para nós é essencial.
JL: Você acredita que vivemos a democracia de forma plena?
GB: O Brasil nunca viveu uma democracia plena. A democracia nunca chegou às periferias. Não existe democracia política quando não há democracia econômica e social, isso nunca teve. O que nós tínhamos de democracia foi resultado de muita luta de movimentos sociais.
Com toda a fragilidade, a democracia que foi conquistada foi alcançada com luta social, com mobilização e ela está se perdendo cada vez mais. Nós vemos retrocessos democráticos profundos e temos que estar todos juntos para barrar esse processo.
JL: Quais são seus planos econômicos para o país?
GB: Nós temos que retomar investimento do público, nenhum país do mundo sai da crise sem investimento público. Vamos retomar o investimento público para gerar emprego, renda e distribuir essa renda sobretudo.
Vamos fazer isso através de uma reforma tributária progressiva, cobrando de quem mais tem. Com taxação de grandes fortunas, com tributação de lucros e dividendos, com o aumento da alíquotas de imposto sobre herança. Com a criação de nova da faixa do imposto de renda, já que hoje é um absurdo. Um professor universitário pagar a mesma alíquota que o Neymar, não dá. Então nós vamos enfrentar essa farra da regressão fiscal no Brasil, dos juros da dívida pública, do sistema financeiro como um sistema espoliador – os bancos podem fazer o que querem, é uma república dos bancos isso aqui- e vamos garantir investimento público, para o bem da maioria do povo brasileiro.
JL: Em um artigo que você escreveu para a Carta Capital recentemente sobre saídas não autoritárias, você fala sobre ‘a verdade ser revolucionária’, em quais casos a verdade pode ser revolucionária?
GB: Eu acho que a verdade é sempre revolucionária, ainda mais em tempos de tantas mentiras, em tempo de tanta intolerância e de ausência de debate público verdadeiro.
Agora no contexto desse artigo, estava falando de algo muito específico, que é o passado da ditadura militar brasileira. Quando a gente ouve vozes falando de intervenção militar, quando a gente vê um cidadão detestável, como vemos o Jair Bolsonaro propagando o ódio, a violência, fazendo apologia a tortura, nós temos que lembrar que do que aconteceu em 21 anos de ditadura no Brasil, e que segue voltando. Esse passado tenebroso segue assombrando o presente e comprometendo o futuro porque não foi resolvido. Porque não houve memória, verdade e justiça, e é por isso que nós defendemos como uma questão para o futuro do Brasil, a revogação da Lei da Anistia e a punição dos crimes da ditadura militar.
Assista a entrevista na íntegra.
Quem é Guilherme Boulos?
O paulista Guilherme Boulos é pré-candidato à Presidência da República, pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), junto com a líder indígena Sônia Guajajara. Com apenas 35 anos, Boulos é o candidato mais novo da história brasileira.
Coordenador do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) e do coletivo Povo Sem Medo, Boulos é filho de dois médicos e professores da Universidade de São Paulo (USP). É formado em filosofia pela USP, psicanalista, professor e escritor. Diferente da maior parte dos brasileiros, tomou a decisão de deixar a casa dos pais e mudou-se para a Ocupação Carlos Lamarca, do MTST, em Osasco, grande São Paulo, dois anos após se formar na faculdade. Atualmente, vive no Bairro Campo Limpo, junto da esposa e das duas filhas, em São Paulo (SP).
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Inácio da Silva
18/06/18 at 22:45
Mais um encantador de incautos …seu plano econômico é gastar mais…o dinheiro de nossos impostos que sustenta um bando de parasitas … aumentar alíquotas de impostos num país em que, para o que arrecada…devolve nada em serviços para a população…e usando o exemplo do Neymar…0,0001 % da população?!?!!?…sujeito acha que ainda está no diretório acadêmico da FFCHL???… ridículo
O índice de natalidade é baixo e o de alfabetização próximo dos 90%, sendo de quase 100% entre os jovens. A taxa de divórcio é elevada, superior a 50% em algumas grandes cidades, sendo parte dessa taxa derivada da pressão da mulher sobre o marido para pagar o dote ou aceitar a separação. As taxas de feminicídio não são conhecidas, mas não há indícios de que sejam elevadas. A legislação, contudo, é leniente com o marido que mata a esposa quando o adultério é inequivocamente comprovado, sendo perdoado ou recebendo uma pena leve, pelo fato de a traição da mulher, e apenas dela, ser considerada crime contra a honra. Um dado curioso é que, apesar de o aborto e a homossexualidade serem vedados, o Irã é um dos países do mundo em que mais se realizam cirurgias de mudança de gênero, parte das quais custeadas pelo Estado. Está também no topo das rinoplastias, cirurgias para remodelar o nariz, percebidas cotidianamente nas ruas de Teerã. Em sentido contrário, raramente se encontra no Irã um homem usando gravata, vista como símbolo de opressão e da influência imperialista ocidental.
Irã Mall Fotos: Eduardo Campos
Os iranianos são doces, acolhedores e generosos, talvez como nenhum outro povo em todo o planeta. Estrangeiros que visitam o país são frequentemente convidados para jantares e chás em suas casas e por vezes até mesmo a se hospedarem nelas. Tratamento especial é dispensado aos visitantes, quaisquer que sejam eles, parentes, amigos ou aqueles até então desconhecidos. São sempre servidos em primeiro lugar e alvos de permanente atenção dos anfitriões. A origem dessa hospitalidade e simpatia está na cultura persa e se expressa em um gesto de cortesia conhecido como “taarof”. Quando uma pessoa oferece alguma coisa a outra a praxe é inicialmente ouvir um “não, obrigado” como resposta. Se ela insiste é uma demonstração de que não se trata de uma oferta retórica, mas efetiva. Esse gesto polido é comum até mesmo quando se tem que fazer um pagamento de uma compra ou serviço prestado, quando o credor costuma recusar o dinheiro na primeira tentativa de quitação da dívida. Mas há um fator adicional à cultura persa que ajuda a entender a postura simpática dos iranianos em relação aos estrangeiros que visitam o país: a consciência de que são um povo estereotipado, hostilizado e objeto de profundo preconceito ao redor do mundo. Sentem-se todos extremamente injustiçados com a visão discriminatória de que são vítimas, sejam os apoiadores da República Islâmica sejam seus opositores, que concordam, em maior ou menor grau, com críticas dirigidas ao sistema de poder e não admitem ser confundidos com ele. Nem tudo, entretanto, são flores na sociedade iraniana para os não nativos no país. Os árabes, com quem são confundidos com frequência, são alvos de um enorme preconceito, cuja origem remonta ao passado de ambas as civilizações. Pertencem a grupos étnicos, linguísticos e culturais distintas, sendo a maioria dos iranianos de origem persa, havendo também um contingente significativo de azeris e curdos e em menor grau de outras etnias. Essa diversidade inclui até mesmo árabes, que constituem cerca de 2% da população nativa. Adicionam-se às diferenças históricas as religiosas e as disputas pela hegemonia da região. Os iranianos que professam o islamismo são adeptos da corrente xiita, enquanto a maioria dos países árabes são de maioria sunita, exceção feita ao Iraque e ao Bahrein. Há também zoroastristas, judeus e cristãos no país e um número expressivo de seculares e ateus nas camadas mais jovens.
Ritual de fogo “Chaharshanbe Suri” Foto: Eduardo Campos
A guerra em curso e a primeira ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o país, em junho de 2025, estão tendo um papel importante na desconstrução dessa falsa imagem do Irã e de seu povo. A mídia convencional do Ocidente já não consegue esconder que o Irã é a vítima e não o algoz, ainda que continue se esforçando para sustentar que, em última instância, o país é o responsável pelos conflitos na região, e não a aliança entre o Império e os sionistas. A unidade dos iranianos contra as agressões de que são alvos é um outro fator importante de desmascaramento da mídia mainstream. Não se trata de ignorar as contradições do país, o descontentamento de parcela considerável da população com a República Islâmica, mas de defender a sua soberania e da compreensão majoritária de que cabe aos iranianos, e tão somente a eles, resolverem os seus problemas internos. O expressivo fortalecimento da mídia alternativa tem também cumprido um papel de grande relevo nesse processo. Cresce significativamente o alcance de canais progressistas no youtube, a plataforma substack, os sites contra-hegemônicos. Não por acaso, recente pesquisa feita a partir dos Estados Unidos constatou que Israel é hoje o país mais odiado do planeta, além de ter perdido o apoio da maioria da população estadunidense, o que seria impensável até alguns anos atrás. O resgate das enormes qualidades do povo iraniano, de sua inteligência, de sua sabedoria e de sua cultura não deve ser visto apenas como uma reparação das injustiças que contra ele têm sido cometidas ao longo das últimas décadas, mas como um aprendizado para os segmentos progressistas da sociedade mundial que se deixaram enganar pelas falácias da mídia convencional do Ocidente. Ao mesmo tempo é imprescindível reconhecer e valorizar as ações anti-imperialistas da República Islâmica do Irã, independentemente de diferenças culturais ou mesmo ideológicas que se possa ter com ela.
Assassinato de 168 meninas, além do aiatolá Ali Khamenei, no primeiro dia dos bombardeios americanos-sionistas contra o Irã, mobiliza o país persa e engaja as crianças
O Irã se prepara para uma colossal manifestação de unidade nacional a ser realizada durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que se iniciarão na próxima sexta-feira (3), quatro meses depois de seu assassinato, no dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra mais recente dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Há quatro meses, o presidente Donald Trump anunciava seu principal objetivo: derrubar a teocracia xiita, que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979, e se apossar das suas imensas reservas petrolíferas nacionais. Quatro meses depois, o Irã segue insubmisso já que logrou impor duras derrotas à coalizão EUA-Israel. E é nesse quadro, tendo conquistado um acordo de paz ainda frágil, que o Irã se organiza para receber estimados 20 milhões de peregrinos nas cerimônias fúnebres que homenagearão Ali Khamenei.
Uma pequena amostra desses preparativos foi o que os observadores brasileiros puderam testemunhar na noite de ontem, sob lua cheia e temperatura de 34 graus Celsius. Em uma praça no norte da capital Teerã, todas as noites desde o assassinato do dia 28 de fevereiro, se reúnem iranianos — a maioria deles praticantes da fé xiita — para homenagear o aiatolá Ali Khamenei, as 168 meninas com idades entre 7 e 12 anos, mortas por bombardeio americano no mesmo dia na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, e centenas de outras vítimas da guerra.
A delegação brasileira está hospedada em um hotel localizado a aproximadamente cem metros de um prédio que foi destruído por um bombardeio. As ruínas são visíveis. O clima nas ruas é de calma, mas de luto evidente. As cerimônias noturnas reúnem centenas de pessoas — e, em algumas cidades, milhares. Em Teerã, cidade de 10 milhões de habitantes, essas manifestações ocorrem simultaneamente em várias praças, espalhadas por vários bairros. Os participantes cantam, empunham bandeiras do Irã e choram abertamente. É impressionante o envolvimento das crianças iranianas nessas cerimônias.
O assassinato das 168 meninas na escola de Minab, gerou uma mobilização expressiva entre o público infantil. Na praça onde estive, crianças participavam da cerimônia: agitavam bandeiras, brincavam e cantavam músicas em homenagem às colegas mortas e ao líder supremo morto. “Podia ser eu”, disse um menino de 15 anos à reportagem, depois de sair com uma miniatura do drone Shahed-136, fabricado no Irã, arma de guerra “revolucionária”, segundo o comandante Robinson Farinazzo, da Marinha brasileira. Com um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o Shahed conseguiu confundir os sistemas de defesa dos EUA e esteve envolvido na derrubada de aeronaves norte-americanas e no ataque a navios cargueiros que se aventuraram pelo estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Cada miniatura do Shahed, impresso em 3D, e vendida na praça, saía pelo equivalente a US$ 3, mesmo preço da miniatura do míssil Fattah-1, outra jóia do arsenal iraniano, um míssil “hipersônico” que viaja em direção ao seu alvo a uma velocidade cinco vezes maior do que a velocidade do som (cerca, 6.100 km/hora). Os meninos adoram.
Segundo a organização do enterro, o corpo do aiatolá Khamenei, em caixão fechado, deixará Teerã nos próximos dias e percorrerá cidades do Irã e do Iraque (Najaf e Karbala), onde se encontram santuários sagrados do islamismo. O enterro ocorrerá no local que ele determinou em testamento.
Segundo a agência de notícias iraniana Fars, uma cerimônia de homenagem para líderes estrangeiros e autoridades de alto escalão está prevista para 3 de julho em Teerã. Cerimônias públicas de despedida estão marcadas para os dias 4 e 5 de julho no Imam Khomeini Mosalla, na capital. Uma procissão fúnebre em Teerã está agendada para 6 de julho. Outras cerimônias estão programadas para 7 de julho em Qom, 8 de julho em Najaf e Karbala, e 9 de julho em Mashhad, cidade no nordeste do Irã, terra natal de Khamenei. Ele será sepultado no Santuário do Imam Reza, um dos locais mais sagrados do Islã xiita.
Em tempo: estou usando véu, em sinal de respeito aos preceitos religiosos xiitas. Também me visto de forma respeitosa em relação dos preceitos religiosos quando compareço a cerimônias católicas, evangélicas, judaicas ou do candomblé. Mas, andando pela cidade de Teerã, vi muitas (muitas mesmo) mulheres sem véu. Trata-se de um sinal evidente de distensão da norma.
Por Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres
Quando o escritor francês Honoré de Balzac teve acesso ao vídeo da audiência de Mariana Ferrer, ele decidiu escrever o Código dos homens honestos, isso nos idos de 1875, mas só agora estou tornando públicas suas palavras, que estavam sob segredo de justiça.
Em uma análise bastante rigorosa, Balzac lembra, em primeiro lugar, que sabemos perfeitamente bem que “em princípio, ficou estabelecido que a justiça seria para todos, mas […]” . A tradução é de Léa Novaes, pois Balzac tinha dificuldade em escrever em português.
Dito isso, ele fala da figura do procurador. Em tempos idos, diz Balzac, os procuradores “levavam tão a sério o interesse de um cliente que chegavam a morrer por eles”. Além disso, eles “nunca frequentavam a sociedade”, e se a frequentassem eram vistos como “monstros”, mas hoje, “hoje tudo está monetarizado: já não se diz que Fulano foi nomeado procurador-geral, vai defender os interesses de sua província […]. Não, nada disso; o senhor Fulano acaba de conquistar um belo posto, procurador-geral, o que equivale a honorários de vinte mil francos […]”.
Balzac ia falar da figura do juiz e do defensor público, mas depois de tudo que assistiu ficou sem as palavras justas para descrevê-los.
Então, o escritor francês decidiu se debruçar sobre o papel do advogado, que “frequenta bailes, festas […] despreza tudo o que não é elegante”. E, diz Balzac, “Justiça seja feita aos advogados […]! São os decanos, os chefes, os santos, os deuses da arte de fazer fortuna com rapidez e com uma sagacidade que os torna merecedores de muitos elogios”.
Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.
Não citei na íntegra o texto do Balzac, porque foram esses os únicos fragmentos aos quais tive acesso, os outros foram apagados.
*Formada em Direito, em 1992, na Universidade Federal de Santa Catarina
Inácio da Silva
18/06/18 at 22:45
Mais um encantador de incautos …seu plano econômico é gastar mais…o dinheiro de nossos impostos que sustenta um bando de parasitas … aumentar alíquotas de impostos num país em que, para o que arrecada…devolve nada em serviços para a população…e usando o exemplo do Neymar…0,0001 % da população?!?!!?…sujeito acha que ainda está no diretório acadêmico da FFCHL???… ridículo