Ministro Gilmar Mendes confessa que o Judiciário transformou Lula em um “mártir”

Para ministro do Supremo Tribunal Federal, "no exterior colou a ideia de que ele é um perseguido político"

O ministro Gilmar Mendes declarou o que todos já sabem: Lula se tornou num mártir e está cada vez mais forte, como mostram as pesquisas recentes.
A vitimização de Lula só está mostrando para o povo Brasileiro que se usa o aparato da justiça com clara finalidade política.
Gilmar Mendes só confirma o que boa parte do povo Brasileiro viu há muito tempo: a injustiça é gritante contra o ex-presidente.
Gilmar também revela que é a percepção da injustiça contra Lula que faz com que sua candidatura cresça, e confirma que a chave da eleição do PT é a percepção de que Lula é um preso político.
Desta forma, quando a injustiça é gritante, só resta a desobediência civil.

Do site Jota:

MATHEUS TEIXEIRA – Repórter em Brasília

PRESO EM CURITIBA

Gilmar não vê veto a réu na Presidência da República

Ministro também criticou Judiciário por contribuir no processo de vitimização do ex-presidente Lula

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federa, abordou, nesta quarta-feira (29/8), duas questões polêmicas que envolvem os líderes das pesquisas eleitorais: Jair Bolsonaro (PSL) e Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o ministro, a Constituição não impede que réu em ação penal assuma a Presidência da República e que uma interpretação diferente dessa seria um “assanhamento”. Bolsonaro responde a duas ações penais no STF por suposta prática de apologia ao crime de estupro e por injúria.

Além disso, afirmou que o Judiciário contribuiu para o discurso de vitimização do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criando um “mártir”, sendo que no cenário internacional pegou a tese de que o petista enfrenta uma prisão política.

Gilmar recomendou cautela em relação ao tratamento dispensado às duas campanhas para não ter efeito contrário. Uma prova disso, ressaltou o ministro, é que o petista tinha 25% dos votos em pesquisas enquanto estava fazendo sua caravana pelo país e, após ser preso, os levantamentos apontam que já beira os 40%.

“Nós já produzimos esse desastre que aí está. Ou as pessoas não percebem que nós contribuímos com a vitimização do Lula? Estamos produzindo esse resultado que está aí”, criticou.

Segundo o ministro, o “assanhamento” de insinuar que réu não poderia assumir a Presidência “dá esse tipo de resultado, as pessoas reagem contrariamente”.

O magistrado contou, ainda, que integrantes da Organização dos Estados Americanos que estiveram em Brasília esta semana relataram que o cenário internacional vê Lula como um preso político.

“Quando você coloca Lula com 40% ou ganhando no primeiro turno, você tá dizendo: “banana pra Lei da Ficha Limpa”. Conversei com o pessoal da comissão da OEA, a visão deles é que no exterior colou a ideia de que ele é um perseguido político”, comentou.

Gilmar também refutou que haja na Constituição o impedimento para réu assumir a Presidência.

“Vamos ler o texto constitucional como ele está. Qualquer outra situação é devaneio e irresponsabilidade. Queremos criar o quê? Quem vai ser dirigente da sociedade? Porque é muito fácil produzir um processo contra qualquer um. Quem é que passa sem um processo na administração, com toda essa ‘palpitologia’ que está aí? ‘Ah, teve uma licitação, ele é o responsável’. Vocês conhecem algum administrador que não tem nenhum processo?”, disse.

O resultado disso, concluiu, é a vitimização, pois “as pessoas passam a entender que está havendo absurdos, abusos”. O Judiciário afirmou que o Judiciário deve ser contido e não influenciar as eleições, disse. “Não estamos percebendo isso, que estamos tentando interferir demais na política? Será que nós somos tolos? É um quadro realmente sem noção. Mas sem noção vocês (imprensa), sem noção nós (STF), sem noção juízes e promotores”.

Ministro Gilmar Mendes falou sobre a situação do ex-presidente Lula. Crédito: Flickr/@FGV

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