‘Future-se’ para quem?

Como a perda do Idiomas sem Fronteiras irá influenciar as próximas gerações universitárias

Como foi dito no lançamento do programa Future-se, do governo Federal, o projeto Idiomas Sem Fronteiras irá acabar. Para quem desconhece., trata-se de um importante projeto para estudantes, tanto de universidades públicas quanto privadas: é um curso de idiomas online gratuito para estudantes. Ademais, também é responsável por cursos de férias de idiomas em universidades. 

Para nós, a perda desse projeto é muito significativa: estudantes de baixa renda não terão mais acesso a cursos de idiomas online –e digo por experiência própria que o Idiomas Sem Fronteiras ajuda muito quem não tem dinheiro para pagar cursos particulares. 

O desmonte do projeto começou em 2016, quando, após o golpe, o programa Ciência Sem Fronteiras deixou de existir. O objetivo de ambos os projetos era permitir que estudantes brasileiros estudassem no exterior para que voltassem mais capacitados ao Brasil. 

Funcionava da seguinte forma: se você tivesse uma nota boa na universidade, se desenvolvesse projetos na área de ciência, sendo de universidade pública ou privada, poderia tentar conseguir uma vaga no Ciência Sem Fronteiras, mas para isso era necessário ter boas notas em exames de proficiência em línguas, como TOEFL, que é um dos testes requeridos pelas universidades estrangeiras. 

Dependia da língua oficial do país em que estivesse submetendo sua aplicação e da língua requerida pela universidade. A maioria dos estudantes não tem dinheiro para pagar 300, 400 reais em um teste, por isso o Idiomas Sem Fronteiras era tão importante para auxiliar o acesso de estudantes a universidades estrangeiras. Isso sem contar que os programas de ensino do Idiomas Sem Fronteira ajudavam os candidatos a se preparar para as provas da língua almejada. 

Em 2016, quando entrei para a Universidade de Brasília (UnB), consegui fazer o último teste gratuito concedido pelo Idiomas Sem Fronteiras. A partir de 2017, nenhum outro estudante teve acesso à prova de graça, como eu tive. Não teria dinheiro para pagar a prova, e portanto não teria a oportunidade de realizá-la. Ter testes como esse abre portas de oportunidades de estágio, de carreira, de futuro. 

Como o programa do governo Future-se diz que será o nosso futuro quando na verdade só está acabando com o futuro das próximas gerações universitárias? 

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