Festival da Utopia – Maricá – RJ

Guilherme Boulos na mesa "Estado, Democracia, Desenvolvimento e a luta por trabalho decente e emancipação da classe trabalhadora"

Foto por Lina Marinelli de Maricá

….Existe uma forma muito eficiente de criminalizar os movimentos sociais que é atacar a moral de quem está lutando. Nós vivemos uma das maiores ofensivas da elite que quer passar por cima da rede de direitos sociais….

Com o golpe, a burguesia rompe um pacto. Não só o pacto da Constituição de 1988, mas aquele firmado em 2003, após a eleição do Lula. Os avanços sociais que foram feitos, foram também muito bons pra burguesia. Mas a burguesia não aceita o “ganha ganha” , ela só aceita o “ganha perde”. As razões deles não aceitarem esse pacto e romperem, com esse golpe, é a ideologia arcaica dos que pensam com a cabeça da casa grande. Não admitem que o povo saia da senzala, não aceitam que os negros entrem numa universidade, que a empregada tenha carteira assinada…..

O primeiro desafio é a resistência intransigente ao golpe no pais. O governo Temer, mesmo com seus telhados de vidro é o governo mais perigoso da História do Brasil. Ele não foi eleito por ninguém e não vai se reeleger. ele não precisa prestar contas pra sociedade….

O “Fora Temer” é essencial, mas precisamos fazer um debate onde a Democracia vá além da defesa de um mandato. Nós temos que colocar o nosso projeto. Não podemos defender uma democracia que mata a juventude negra todos os dias na periferia, que elimina os povos originários, onde o sistema político é escancarado aos interesses econômicos e impermeável aos direitos do povo.

Vamos falar de uma democracia à esquerda. Nós só vamos conseguir vencer os desafios retomando o espaço de fazer política. Esse espaço são as ruas. Nós temos que voltar pra ruas. Não existe lugar vazio na política. Nós abandonamos as bases, os evangélicos hoje estão tomando as bases sociais nas periferias.

Nós deixamos de ir às ruas, a direita está tomando as ruas. Temos que estar à altura desse desafio. Temos que estar firmes e resistentes. A nossa base ainda não foi às ruas, nem pra atacar, nem pra defender o golpe. O nosso desafio é trazë-la de volta, despertar sonhos e capturar a esperança.

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