Jornalista britânica que criticou a mídia brasileira em evento em Londres é chamada de petista por Otávio Frias Filho.

Por Ali Rocha, de Londres, para os Jornalistas Livres

Sue Branford foi convidada a participar de um painel sobre Mídia, Percepção e a Consolidação da Democracia Brasileira na Brazil Forum, conferência de um dia para discutir temas ligados à atual crise política brasileira, e dividiu a mesa com Otávio Frias Filho, do grupo Folha e Silvia Salek, da BBC Brasil em Londres.

Em sua fala, Sue fez duras críticas à grande mídia do Brasil, citando a concentração de propriedade da mídia nas mãos de poucas famílias, todas bastante conservadoras, e a manipulação de notícias por esses veículos, seja por dar maior ênfase a algumas notícias, por omitir outras notícias e por editar e fazer coberturas de forma a distorcer a realidade. Durante sua apresentação ela usou dados de um relatório do Repórteres Sem Fronteiras sobre a mídia no Brasil e citou outras organizações e analistas que estudam o tema. Ela também relatou fatos que ela lembra de quando esteve no Brasil, como a notória edição do debate entre os candidatos à presidência em 1989, Lula e Collor, na véspera da eleição, feito pela Rede Globo, mostrando os piores momentos de Lula e os melhores de Collor.

Ao terminar sua fala, quando foi bastante aplaudida, o mediador do debate concedeu direito de resposta a Otávio Frias, pois a Folha havia sido citada.

Otávio então partiu para um ataque pessoal contra a conceituada jornalista inglesa

Ele a descreditou como jornalista dizendo que ela agia como a militância do PT e que sentia falta na mesa de alguém da militância do PSDB, papel que ele não poderia fazer pois vinha de uma escola de jornalismo onde o jornalista deve “ser crítico a todas as fontes de poder, cabe ao jornalista se desengajar, se distanciar, e adotar uma visão de crítica erga omnes” (em relação a todos)

Sue Branford já morou no Brasil em duas ocasiões, quando foi correspondente da BBC, do Guardian, do Financial Times e do Times, e foi analista da BBC para a América Latina durante dez anos. Atualmente é editora do Latin America Bureau (LAB), agência de notícias independente sobre a América Latina.

O Brazil Forum foi uma conferência de dois dias que aconteceu em 17 e 18 de junho e propunha um debate sobre a atual crise política do Brasil. O evento foi organizado por estudantes brasileiros de várias universidades britânicas e contou com a participação de dezenas de especialistas e acadêmicos de várias áreas, entre eles o ex-ministro Celso Amorim, o ministro do STF Luis Roberto Barroso e o procurador do MPF Deltan Dallagnol.Sue Branford foi convidada a participar de um painel sobre Mídia, Percepção e a Consolidação da Democracia Brasileira na Brazil Forum, conferência para discutir temas ligados à atual crise política brasileira, e dividiu a mesa com Otávio Frias Filho, do grupo Folha e Silvia Salek, da BBC Brasil em Londres.
Em sua fala, Sue fez duras críticas à grande mídia do Brasil, citando a concentração de propriedade da mídia nas mãos de poucas famílias, todas bastante conservadoras, e a manipulação de notícias por esses veículos, ao dar maior ênfase a algumas notícias e completamente omitir outras e ao fazer edições e coberturas de forma a distorcer a realidade. Durante sua apresentação ela mencionou informações de um relatório do Repórteres Sem Fronteiras sobre a mídia no Brasil e citou dados levantados por outras organizações e analistas que estudam o tema. Ela também relatou fatos que ela lembra de quando esteve no Brasil, como a notória edição que a Rede Globo fez do debate entre os candidatos à presidência em 1989, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor, na véspera da eleição, onde foram mostrados os piores momentos de Lula e os melhores de Collor.

Ao terminar sua fala, quando Sue foi bastante aplaudida, o mediador do debate concedeu direito de resposta a Otávio Frias, já que a Folha havia sido citada.

Otávio então partiu para um ataque pessoal contra a conceituada jornalista inglesa.

Ele a descreditou como profissional dizendo que ela agia como a militância do PT e que sentia falta na mesa de alguém da militância do PSDB, papel que ele não poderia fazer pois vinha de uma escola de jornalismo onde o jornalista deve “ser crítico a todas as fontes de poder, cabe ao jornalista se desengajar, se distanciar, e adotar uma visão de crítica erga omnes” (em relação a todos).

Sue Branford já morou no Brasil em duas ocasiões, quando foi correspondente da BBC, do Guardian, do Financial Times e do Times, e foi analista da BBC para a América Latina durante dez anos. Atualmente é editora do Latin America Bureau (LAB), agência de notícias independente sobre a América Latina.
O Brazil Forum foi uma conferência de dois dias que aconteceu em 17 e 18 de junho e propunha um debate sobre a atual crise política do Brasil. O evento foi organizado por estudantes brasileiros de várias universidades britânicas e contou com a participação de dezenas de especialistas e acadêmicos de várias áreas, entre eles o ex-ministro Celso Amorim, o ministro do STF Luis Roberto Barroso e o procurador do MPF Deltan Dallagnol.

Mais informações sobre o evento podem ser encontradas no link http://brazilforum.co.uk/index.php/speakers/
O site oficial do LAB está em www.lab.org.br e sua página do facebook em https://www.facebook.com/latinamericabureau

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América Latina e MundoComunicaçãoGolpe
3 comentários:
  • Helena Blanco
    25 junho 2016 at 20:19
    Comente

    A resposta do sr. Otávio Frias à fala da jornalista Sue Brandford está carente de um comentário maior por outros jornalistas. Mas vou expor meu pensamento sobre o que entendi do vídeo. Num primeiro momento, o que se percebe é que o sr. Otávio Farias ficou bastante aborrecido com o texto da jornalista Brandford. E então sua resposta foi dar um”puxão de orelhas” na palestrante companheira de mesa, insinuando uma militância política da jornalista; e em seguida, solicitando a presença, para que a Mesa ficasse equilibrada, segundo o que se pode entender de suas palavras, de alguma outra pessoa que fizesse a militância de um partido de oposição, o PSDB. Assim compreendi. O que, absolutamente, não faz o menor sentido como resposta ao texto apresentado pela jornalista inglesa. É inadequado e deselegante. Alegou que o fato de a mídia jornalística ser de uma família , como é o caso da sua própria família e sua propriedade – a Folha de São Paulo- não é absolutamente algo que possa depreciar ou descaracterizar uma mídia. E cita, em seguida, o caso da Carta Capital, uma publicação semanal, outro exemplo de mídia como uma empresa familiar. E eu concordo com ele que de fato,em princípio, não é problemático se ter uma imprensa cujos donos constituem uma família. Isto, porém, se pararmos a discussão neste ponto. E é o que ele faz. Ele não se propõe a dizer, ele omite o fato de que no Brasil, os grandes jornais, a televisão mais poderosa, as revistas que mais circulam são de grupos familiares ricos e poderosos que, em conjunto atuam, para sustentarem os interesses desses grupos de donos da grande imprensa brasileira; e agem, no seu fazer jornalístico, de modo a buscar um consenso da população geral, em torno ao que esses grupos consideram ser o certo e o errado, o que é melhor para a sociedade brasileira, o que deve ser levado em considerado na análise política do pais, o (s) partido (s) que melhor responderia (riam) ás necessidades da grande nação brasileira.
    E esta grande nação brasileira não é constituída somente das populações abastadas, das grandes cidades, dos grandes centros, das regiões mais ricas, hoje, mas também do Brasil interiorano, do Brasil pobre, sem políticas pensadas e dirigidas para eles. Do Brasil que nem se conhece, de tão grande e tão isolados são os diversos agrupamentos sociais que habitam o solo brasileiro. Ele esquece de dizer que o Brasil não tem outras grandes empresas tão poderosas quanto eles mas que se filiem a outros modos de pensar sobre a sociedade brasileira, sobre as sociedades humanas em suas relações políticas, sociais, culturais, outros arranjos que possibilitem a um maior número de pessoas um nível de vida menos degradante do que o que ainda se vê, apesar das melhoras mais recentes, em solo brasileiro; um modo mais digno para todos e pelo qual outros grupos lutam para sua realização. O Sr. Otávio Frias esquece de comentar sobre essa desigualdade na oferta de textos jornalísticos, impressos ou simplesmente ouvidos, na televisão. Esquece que temos pouco divulgadas as contranarrativas ao que é posto por este grupo maior a que ele pertence, com sua Folha de São Paulo. Esquece, inclusive, do exemplo dado pela jornalista, de quando, no Amazonas, ela presenciou unicamente uma rede de televisão a dar informações sobre a política brasileira. Suas ponderações sobre não acreditar que a midia possa moldar o pensamento dos leitores, dos ouvintes das publicações difundidas deve soar bem quando se tem um panorama em que todos os sujeitos alvos do processo da leitura e da audição são contemplados por diversos enfoques e pela possibilidade de comparar uma narrativa a outra, sobre o fato que vai virar notícia no jornal, impresso ou falado, ou na revista. E daí então tomar sua posição.
    Mas isso não acontece para a maioria da população brasileira.

  • “Petista” Sue Branford dá uma surra no Otavinho em Londres; veja | bita brasil
    26 junho 2016 at 17:24
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    […] Dos Jornalistas Livres […]

  • morvan bliasby
    1 julho 2016 at 8:39
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    Bom dia.
    Sue Branford:
    “You will be sued by me.
    Saudações “#FicaDilma, #ForaTemerGolpsista; resistir, lutar até o fim. Se todos lutarmos, os golpistas abrem“,
    Morvan, Usuário GNU-Linux #433640. Seja Legal; seja Livre. Use GNU-Linux.

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