Festival Comida de Verdade: militância engajada e solidária

Comerciantes e artistas presentes no festival Comida de Verdade destinam percentuais das vendas para o movimento do MSTC

O corintiano André Pires começou a produzir ímãs para geladeira sobre futebol há seis anos. As primeiras versões homenagearam os clubes populares de São Paulo e Rio de Janeiro. Desde 2015, no entanto, quando o país virou um barril de pólvora, André entendeu que a comunicação com o público exigia um leque maior de opções. E aproveitou para aumentar a renda de casa. A partir dali, movimentos populares, lutas sociais e personagens da política brasileira e internacional ganharam versões no trabalho artesanal do vendedor. O detalhe é que André desconhecia muitas das histórias que passou contar através dos imãs:

– Muitas das lutas eu só conhecia por cima, vários personagens eu nem conhecia. A gente ensina, mas também aprende muito. Eu aprendi muita coisa. Hoje além dos ímãs sobre futebol têm os de luta feminista, de negros, sobre Cuba, Marielle, Lula Livre, Che Guevara, não fica nada encalhado”, diz, antes de destacar a importância da luta por moradia: Tem muito imóvel sem ninguém e muita gente sem casa. Essa é uma luta muito necessária” , completa.

André Pires começou a produzir ímãs sobre futebol e ampliou para a pauta de esquerda (foto: Lucas Martins)

A contrapartida para André Pires divulgar e vender seus produtos no festival Comida de Verdade, realizado neste domingo (4) na Ocupação 9 de julho em parceria entre o MSTC e o MST, é destinar um percentual da arrecadação para o movimento.

Mais de 8 mil pessoas passaram pelo local, que também chamou a atenção para a perseguição política sofrida pelo movimento, cujo ápice foram as prisões dos líderes do MSTC Preta Ferreira, Ednalva Pereira, Angélica dos Santos Lima e e Sidney Ferreira da Silva

A comerciante Maria Fernandes Lourenço também deu a contribuição financeira dela pelas vendas de camisetas com frases e estampas engajadas.

Com a empresa Zurdo Camisetas, Maria e o marido desempregado percorrem manifestações de esquerda em São Paulo vendendo camisetas, bottons e bolsas que divulgam ideias ligadas às pautas da esquerda, causas sociais e ambientais. O trabalho começou em 2016, logo após o golpe que retirou do poder a então presidenta Dilma Rousseff, quando o marido de Maria Fernandes foi demitido:

– A gente ajuda passando um percentual de vendas, mas também contribuímos com os movimentos sociais em viagens e doando camisetas para sorteio. O que vende mais é o rosto do Lula no Dops, além do ‘lute como uma garota’. Comercializamos também pela internet. Quando meu marido perdeu o emprego, logo após o impeachment da Dilma, a gente precisou fazer alguma coisa para se virar e começamos a produzir as camisetas” , conta.

Camisetas engajadas com frases e estampas de destacam lutas de esquerda e causas sociais

Durante o festival Comida de Verdade mais de 8 mil pessoas circularam pela Ocupação 9 de julho, entre trabalhadores, estudantes, aposentados, artistas conhecidos, como B.Negão, Otto e Chico César, além de artistas da própria Ocupação, a exemplo de Adriana Menezes, que cria bonecas de tecido e madeira inspiradas na umbanda, religião de matriz africana.

As bonecas são confeccionadas manualmente por Adriana, que já começou a expor o trabalho em instituições como o Ministério Público. Participar de um festival em casa é motivo de orgulho para a artista plástica:

– É um momento importante porque além de conhecer muita gente, as pessoas passam a conhecer meu trabalho e faço contatos. Estou na ocupação há dois anos, quando comecei a profissionalizar mais meu trabalho. O material é reciclado. As madeiras eu consigo na própria Ocupação, minha tia compra os tecidos e os demais materiais vou reciclando. Minha inspiração é a umbanda. Então trouxe xangôs, Oxum, Abaulauê, pretos velhos, caboclos, boaideiros…

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