Estudantes encontram equipamentos abandonados em escola ocupada

Ricardo Gozzi, especial para os Jornalistas Livres.

        Casos como o constatado no Colégio Estadual Tiradentes ocorrem por falta de planejamento do Estado, afirma Hermes Leão, presidente da APP-Sindicato, entidade que representa os professores e funcionários da rede pública estadual de ensino do Paraná. “Há situações semelhantes em outras partes do Paraná”, afirmou Hermes Leão, que tomou conhecimento da situação específica presenciada no Colégio Tiradentes quando questionado sobre o assunto pelos Jornalistas Livres.
“Temos casos de escolas com laboratórios para os quais há material, mas não têm funcionários capacitados; computadores que chegaram, mas a rede não está habilitada para aquele tipo de equipamento; aparelhos de ar-condicionado que já estavam estragando porque fazia três anos que haviam sido comprados e continuavam armazenados em salas de escolas porque a rede elétrica não suporta”, relatou Hermes Leão.

“Esse tipo de situação não é necessariamente de responsabilidade da direção da escola. Ela decorre da falta de planejamento do governo”, avaliou o presidente da APP-Sindicato.

Questionada, a Secretaria Estadual de Educação (Seed) limitou-se a informar por meio de nota que “o Núcleo Regional de Educação irá convocar o diretor do Colégio Estadual Tiradentes para esclarecer as supostas informações dos estudantes”. A pedido dos Jornalistas Livres, um contato com o diretor do Colégio Estadual Tiradentes, Dario Zocchi, foi fornecido pela assessoria de imprensa da Seed.
Na entrevista, o diretor da escola enfatizou que acusações recentemente levantadas contra ele são infundadas, disse não ser contra a mobilização dos estudantes, declarou-se contrário à forma como o governo federal tentou introduzir a reforma no ensino médio e negou que os alunos não tenham acesso aos equipamentos em questão.
“O microscópio é usado, sim, nas aulas de química do período da noite e com muita frequência”, assegurou Dario Zocchi. “No turno da manhã, as turmas são grandes… Não estão escondidos, eles estão lá, dentro da escola, para uso na [sala de] aula. O professor sabe que está lá. Se o professor não o utiliza é por uma questão pedagógica do professor”, prosseguiu Dario Zocchi. “O microscópio está lá, dentro de uma caixa. Você não pode deixar a porta aberta porque existe o quê? O vandalismo. Aí você tem que cuidar.”
Com relação aos instrumentos musicais, Zocchi informou que eles foram comprados há sete anos e permanecem guardados por falta de interesse dos alunos. Apesar de a escola não possuir banda nem oferecer aulas de música no contra turno, os instrumentos ficam à disposição para qualquer aluno que os queira utilizar, afirmou o diretor. “E também são usados na semana cultural e outros eventos realizados na escola”, disse ele.
“Se o aluno quiser utilizar, é só perguntar na pedagogia, para mim ou para a vice-direção. Todo mundo sabe lá na escola onde estão esses objetos”, assegurou. “Qual seria minha intenção de esconder, não deixar os alunos utilizarem um determinado material que está lá?”, questionou. “Eu sou o mais interessado” no uso desses equipamentos, disse Zocchi.

 

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