MINHA ESCOLA, MINHA VIDA – Não tem conforto, só tem perrengue!

Por Martha Raquel e Lucas Martins no especial Minha Casa, Minha Vida

Dormir no chão e numa sala com mais 10 ou 15 pessoas, passar frio.
Tomar banho frio no único chuveiro do colégio. Não ter shampoo, não ter condicionador, dividir um sabonete com 20 ou 30 pessoas.
Deu fome. Deu sono. A exaustão pegou.
No café tomar leite. Noventa porcento dos almoços a base de macarrão com molho de tomate. Sem temperos.
Noventa porcento dos jantares a base de arroz com frango. Mais leite antes de dormir.
Deu fome. Deu sono. A exaustão pegou.
Cozinhar pra 30 ou 40 pessoas. Lavar a louça de trinta ou quarenta pessoas. Manter a cozinha improvisada limpa.
Conviver com pelo menos 50 pessoas que você mal dava bom dia no colégio. Se unir com essas cinquenta pessoas.
Deu fome. Deu sono. A exaustão pegou.
Fazer a coisa funcionar. Aprender a organizar e a respeitar assembleias. Ter compromisso com seus afazeres.
Reformar a escola. Trocar torneiras, consertar portas.
Vigília! Equipe de segurança no portão, cadastro de quem entra e sai.
Deu fome. Deu sono. A exaustão pegou.
Passar a noite em claro. Ter que esconder o rosto.
Sentir medo. Medo dos que ameaçam, medo da polícia.

E tudo isso enquanto diariamente os cronogramas de atividades, aulas e oficinas são cumpridos à risca.

Não tem conforto, só tem perrengue, mas é por um objetivo muito maior! É pela EDUCAÇÃO!

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