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Por Juliana Silveira, especial para os Jornalistas Livres. 

Pela manifestação popular, pelo direito de ocupar, pelo acesso à cultura, pela economia local, pelo esforço coletivo e pelo desejo de um futuro melhor, formou-se uma quadrilha na favela. Contrariando estatísticas e expectativas, a única arma usada foi a alegria. E, o tiro foi certeiro, atingiu as mais de duas mil pessoas que estiveram presentes no terceiro “Arraiá da Favelinha”.

(Foto: Acervo Centro Cultural Favelinha)

A rua, fechada para os carros e aberta à diversidade, foi enfeitada com bandeirinhas recicladas de papel de revista e jornal, produzidas pelas crianças que frequentam o Centro Cultural Lá da Favelinha, iniciativa independente e gerida por moradores do Aglomerado da Serra, maior favela de Belo Horizonte. A festa começou às 18h do último sábado, 24/06, mas antes das 9h a movimentação das crianças e voluntários já agitava a comunidade e dava um gostinho do que estava por vir.

“Posso pegar um pouco dessas bandeirinhas pra enfeitar a minha barraca?”, pediu uma senhora que, assim como outros moradores, aproveitou para vender comidas típicas desta época do ano. Caldo, canjica, milho cozido, bolo, maçã do amor e, entre outras coisas, o sucesso da noite: quentão. O “Lambuza Favelinha”, marca local, esteve no evento e viu toda a sua produção acabar rapidinho. Os bares também estavam cheios e, conversando com os comerciantes locais, que estavam muito satisfeitos com o resultado, é notável o retorno financeiro.

A programação foi intensa. Duelo de vogue, disputa de passinho de funk e uma quadrilha muito bem ensaiada, sob o comando do gestor do Centro Cultural e MC Kdu dos Anjos. O figurino impecável é fruto de uma ação do fundador da marca “Trash”,Dill dias, e os designers de moda David Souza e Arthur Malta, que reaproveitaram roupas do “Bazar da Favelinha” para criar uma coleção caipira/chique para ninguém colocar defeito. “O ‘arraiá’ é a festa que mais envolve a comunidade. Foram 40 dançarinos ensaiando por dois meses na rua, o que ajuda na divulgação. E, trazer a Dengue (duelo de vogue) pra cá é ótimo para quebrar alguns preconceitos, principalmente relacionados à homofobia”, destaca Kdu.

Entre as brincadeiras, a “pescaria” e a “boca do palhaço” ficaram por conta das crianças, que receberam, organizaram e distribuíram os prêmios. Teve também correio elegante e bingo, feito com prendas doadas pelos comércios do local. Além de rifas,que foram sorteadas ao longo da noite. Tudo isso prova que a mobilização comunitária faz sim a diferença.

(Foto: Acervo Centro Cultural Favelinha)

Se algum desavisado chegou ao “arraiá” com dúvida de que funk é cultura, se surpreendeu ao ver o ritmo embalando uma manifestação social legítima que, misturado ao forró, ocupou a rua, sem distinção de classe ou cor. Nem o frio cortante foi capaz de abaixar a temperatura da festa, que durou até às 3h. Quando o fim foi anunciado, todos se dispuseram e ajudaram a limpar a rua, recolhendo os lixos, enfeites e equipamentos. Foi lindo de ver e viver!

(Foto: Acervo Centro Cultural Favelinha)

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