Diário do Bolso: DesMOROnando e a capa da Veja

E a comemoração em relação ao Fachin também não foi nenhum escândalo. É como se o Felipão falasse com o árbitro da cabine e depois gritasse: “Aha, uhu, o VAR também é nosso!”.

José Roberto Torero*

Pô, Diário, li a reportagem da Veja. Não vi nada de mais. O pessoal pega muito no pé do Moro.

Por exemplo, só porque ele avisou que faltava um documento num processo, o pessoal já cai em cima. Mas é como se o juiz visse que um jogador do Palmeiras estava mal posicionado e gritasse: “O ponta-esquerda deles está livre! Marca o cara!”

Outro exemplo, o Dallagnol enviou uma peça jurídica incompleta pro Moro dar uma revisada. O que é que tem de mais? É só como se o juiz desse uns conselhos para o Palmeiras, do tipo “Vamos atacar mais pela direita que o lateral esquerdo deles é fraco”.

Mais um exemplo: O Moro recebeu do Dallagnoluns exemplos de decisões de outros magistrados para ajudar a montar a decisão a favor da prisão do Bumlai. O que é que tem? É só como se o juiz desse uma bandeirinha para o Dudu e pedisse: “Me dá uma ajudinha aí?”

Mais um: o Dallagnol pediu um encontro com o Moro para o dia seguinte, a fim de conversar sobre um recurso. Não vejo nada de errado. É coisa inocente, como se o Felipe Melofosse no vestiário antes do jogo bater um papinho amigável com o juiz.

Outro: O Moro disse para uma delegada “não ter pressa” em incluir um documento no processo eletrônico. E daí, meu Deusinho!? É como se um jogador do adversário do Palmeiras estivesse para entrar em campo e o juiz só autorizasse a entrada dele aos 45’ do segundo tempo. Pressa pra quê, pô?

Mais um outro: Avisam o Moro que o Eduardo Cunha quer fazer delação premiada. Mas ele diz ao Dallagnol que é contra. Não tem nada de mais! É só como se o juiz expulsasse o principal jogador do adversário do Palmeiras. E antes dele entrar em campo. A pessoa não pode ter as suas antipatias?

O Moro também falou sobre prazos, sugerindo uma operação para um determinado dia. Não vejo nenhum problema. É só como se o juiz falasse: “Borja, cai na área aos 45’ do segundo tempo, assim eu marco o pênalti e não dá tempo para eles armarem o contra-ataque”.

E a comemoração em relação ao Fachin também não foi nenhum escândalo. É como se o Felipão falasse com o árbitro da cabine e depois gritasse: “Aha, uhu, o VAR também é nosso!”.

@diariodobolso

*José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.

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