Sem participar do debate, defensores do Escola Sem Partido tumultuam audiência da CE

Vinicius Borba/Jornalistas Livres
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por Christian Braga e Vinicius Borba para os Jornalistas Livres

Defensores do projeto Escola Sem Partido tumultuaram a audiência pública que acontecia na tarde desta quarta-feira (16) na Comissão da Educação do Senado. Apesar de não comparecerem ao debate acerca do assunto, os apoiadores do projeto enviaram cerca de dez representantes ao local para atrapalhar as falas de professores e educadores presentes.

Após longa discussão, eles foram conduzidos pela Policia Legislativa para fora do plenário para evitar choque entre manifestantes. Representantes de movimentos sociais bateram boca com os defensores da conhecida Lei da Mordaça.

Assista ao vídeo do tumulto aqui:

 

AUDIÊNCIA DA COMISSÃO DA EDUCAÇÃO

A Procuradora da República, Dra. Debora Duprat, destacou que projetos como o Escola Sem Partido ataca a Constituição em diversos aspectos. Ela pontuou que a diversidade sexual, religiosa e tantas outras são pontos que demonstram a incoerência deste processo. “A ideia dessa Escola Sem Partido vai contra as principais propostas de educação contemporânea da humanidade”, afirmou.

Duprat ainda deu um parecer contrário a qualquer forma de criminalização de professores, como aprovado apenas no estado do Alagoas.

A estudante e presidenta da União Brasileira de Estudantes Secundaristas, Camila Lanes, também estava presente e afirmou que projetos como tal promovem o ódio e só atendem a uma falsa neutralidade que criminaliza o movimento estudantil e a participação política.

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“Quando não participamos somos tachados de omissos, quando participamos somos criminalizados?”, denunciou.

Lanes também lamentou o papel de páginas como a da “Escola Sem Partido” que são seguidas por pais e mães. Inclusive pelo pai de um estudante morto recentemente por estar envolvido com os movimentos políticos em defesa da educação.

O rapaz foi assassinado pelo próprio pai, pois não aceitava a participação do jovem nas mobilizações universitárias em Goiás. O homem cometeu suicídio após tirar a vida do filho. “O homem seguia páginas e ideias como essas promovidas por estes grupos que defendem a Escola Sem Partido”, disse Lanes.

Cléo Manhas da Campanha Nacional pelo Direito à Educação relatou a falsa tese de que haveria a defesa de uma falsa ideologia de gênero, quando se debate a questão da violência contra mulher nas salas de aulas. “Enquanto no Brasil uma mulher é espancada a cada 4 minutos, segundo dados do governo, 13 mulheres morrem por dia por espancamentos por dados do SUS, ou seja, uma mulher a cada 1h50, não podemos permitir que esse tipo de diálogo seja abafado”, esclareceu.

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