A “Cracolândia” é além de tudo o que se fala, um networking

Além dos usuários no relento, que “chega” oito da noite e já não aguentam mais o pé encharcado de água depois de tanta chuva na cabeça, e aí o único caminho é a briga, o “crack” também é um networking

Foto: Helio Carlos Mello/Jornalistas Livres

Texto: Márcio Castro Fotos: Sato do Brasil e Hélio Carlos Mello

Além dos usuários no relento, que “chega” oito da noite e já não aguentam mais o pé encharcado de água depois de tanta chuva na cabeça, e aí o único caminho é a briga, o “crack” também é um networking.

Além das famílias que moram no entorno e que também se colocam muitas vezes de forma antagônica aos usuários, achando que tudo aquilo é lixo e deveria ser exterminado numa grande chaminé, a exemplo daquele nazista alemão; é também networking.

Nas esquinas xs meninxs vão crescendo. Provas de virilidade – mesmo a feminina – e aproximação de um mundo de contravenções se mostram nas brigas de rua, fogo em lixeiras. Se o mundo não dá a possibilidade do rito de passagem, eles mesmo fazem a deles. Networking.

Foto: Sato do Brasil/Jornalistas Livres

Foto: Sato do Brasil/Jornalistas Livres

As disputas no território são imensas. E me refiro às disputas ideológicas, pensamento. Igreja, projetos sociais, salvamento, sopa. Tudo junto. Networking.

As câmeras que filmam a tristeza com aquela musiquinha de violino e depois postam num grande compilado jornalístico na Folha – a forma perfeita para deixar a gente aqui em casa com nossa privada e banho quente, abismado. Roland Barthes, Roger Chartier e Guy Debord que o digam: networking.

Mas também tem a câmera do movimento engajado de esquerda. E muitas vezes também é networking. A gente que trabalha lá e pensa uma forma mais humana de lidar com humanos – quando esta afirmação precisou ser necessária, santos dias! – também tem privada e banho quente. Contradições da peleja.

É isso. Hoje a “Cracolândia” é um grande networking. Não preciso dizer de que lado estou. Mas sim, estamos fazendo parte de um networking.

Não é porque sou um crítico ao capitalismo que significa que moro fora dele. Sei onde estou. Mas e aí, o que fazer? Segurem a bronca. Querem entender SP? Querem entender o Brasil? Queremos entender o Brasil nos próximos anos, como diz meu amigo Clerouak, se aproximem da “Cracolândia”.

Fôlego para ler as baboseiras e entender as realidades escondidas nas baboseiras. A realidade é o que não se diz. A realidade, muitas vezes, está na lacuna, no que é omitido. Sigamos, amigos.

Foto: Sato do Brasil/Jornalistas Livres

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