carta-denúncia

Por Helena Zelic

não é você que anda mais dura, meu amor
duro está o mundo.
você me ama mais
me beija menos
a culpa é do mundo
e a culpa do mundo é dos ricos.
dizem que fica feio fazer do poema
um panfleto

mas é preciso dar nome aos bois
walter souza braga
marcelo crivella
para falar de agora

este poema está fincado em um tempo
acontece hoje 15 de março
de 2018
não estamos alegres mas tivemos maiakóvski
parece que nosso dever é perdurar.

parecia que o afeto poderia
nos salvar
lá fora a barbárie aqui dedos mansos
vê essas luzes que invadem o teto?
pela fresta da janela
madrugada, e dão medo
hoje esse feixe é a morte que paira.
eu sei que você tem hora mas
me faz companhia essa noite.

porque não é sua voz, meu amor
que perdeu o acalanto
são as vozes que andamos perdendo.

não é você que anda mais muda, meu amor
são os minutos de silêncio
que antecedem o revide.
você consegue ouvir?
está vindo.

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