Brumadinho é homenageado e Vale denunciada por milhares de foliões no Carnaval

Foliões dizem não ao Massacre da Vale

Por: Isis Medeiros, especial para os Jornalistas Livres

Bloco Mangue Beat – Olinda(PE)
Foto: Leo Milano/Jornalistas Livres

As vítimas fatais e a população atingida de Brumadinho foi homenageada, enquanto VALE foi alvo de críticas durante os cortejos em várias cidades.
O massacre da Vale em Brumadinho-MG no dia 25 de janeiro, foi rememorada não só por blocos de carnaval na capital mineira, mas também em outros estados do Brasil.  São Paulo e Pernambuco também trouxeram à tona as bandeiras do povo atingido de Minas Gerais.

Bloco Mangue Beat – Olinda(PE)
Foto: Leo Milano/Jornalistas Livres


Em Belo Horizonte, o bloco que tradicionalmente abre as comemorações do 1º dia de festa no centro da capital mineira, o “Então Brilha”, demonstrou que política e festa combinam muito bem e iniciou a manhã com toque de sirene e um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do rompimento da barragem da VALE na Mina do Córrego do Feijão.

Bloco Chama o Síndico- Belo Horizonte (MG)
Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Presso

Bloco Então Brilha – Belo Horizonte (MG)
Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

Durante o minuto de silêncio, a bateria do bloco se calou e o som dos tambores foi substituído pelo das sirenes,  em tom de denúncia e protesto pelo crime cometido pela mineradora. Neste ano, o bloco atraiu cerca de 400 mil pessoas às ruas de Belo Horizonte na manhã do último sábado(2) de Carnaval e a bateria do bloco pediu que a tragédia  da Vale dessa vez não passasse impune. “Que a gente nunca se esqueça. Que gente é para brilhar e não para ficar debaixo de nenhuma lama”, disse Di Souza ,regente do bloco, dando abertura ao festejo.

Bloco Unidos do Barro Preto – Belo Horizonte (MG)
Foto: Fred Bottrel /E.M/D.A Press

Bloco Chama o Síndico- Belo Horizonte (MG)
Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

Várias outros blocos de luta articulados com o MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens, tiveram a mesma atitude e cobraram mais responsabilidade por parte das mineradoras e do governo. Na segunda-feira (4), o Baianas Ozadas,  fez a multidão se calar por um minuto antes da saída do trio e uma pomba branca foi solta uma criança. Uma faixa estendida no trio elétrico do bloco dizia: “Todo mundo sabe, não foi acidente, a Vale mata peixe, mata rio, mata gente”.
Os Pavões do bloco “Pena de Pavão de Krishna” se manifestaram contra a Vale e fizeram também um minuto de silêncio em homenagem às vítimas. A bateria silenciou. O bloco hasteou o mesmo bandeirão usado na abertura do carnaval de BH pelo bloco “Então, Brilha!” e pediu que as mineradoras fossem fiscalizadas para que sejam evitadas novas tragédias.

Bloco Pena de Pavão de Krishna – Belo Horizonte (MG)
Foto: Leandro Couri/EM

Bloco Pena de Pavão de Krishna – Belo Horizonte (MG)
Foto: Leandro Couri/EM

O Bloco Volta Belchior também prestou sua solidariedade à luta do MAB e dos atingidos, o Bloco Afoxé Bandarerê clamou por justiça durante o Kandandu – Encontro de Blocos Afro.

Bloco Volta Belchior – Belo Horizonte (MG)
Fotos: Lucca Mezzacappa (Jornalistas Livres)

Bloco Havayanas Usadas – Belo Horizonte (MG)
Foto: Beto Hektor

O Bloco Alô Abacaxi faz ecoar “Vale Assassina”  entre milhares de pessoas. Enquanto o Bloco Unidos do Barro Preto deixaram de lado o tradicional barro com que sujam foliões e pintaram os corpos com protestos em alusão às tragédias com barragens em Minas Gerais.

Bloco Unidos do Barro Preto – Belo Horizonte(MG)
Foto: Juliana de Souza/ Do Brasil Eventos

Bloco Unidos do Barro Preto – Belo Horizonte(MG)
Foto: Juliana de Souza/ Do Brasil Eventos

Já o Bloco Havayanas Usadas que tradicionalmente já faz carnaval de luta, realizou intervenções criticando o governo Bolsonaro e pedindo Lula Livre! Débora Mendes, uma das fundadoras do Bloco Havayanas Usadas, fala da parceria com o MAB e denuncia o crime pedindo justiça. O grupo mineiro de mulheres bordadeiras “Linhas do Horizonte” também reafirmou importância da luta e prestou apoio ao movimento. Enquanto isso, o carnaval em Macacos, distrito de Nova Lima(MG), que teve sua população evacuada por mais um risco de rompimento de barragens desde o dia 20 de fevereiro, fez um carnaval de muita resistência e denúncia. Eles cantaram a marchinha “Assim não Vale” e levaram faixas e estandartes com frases contra a mineração irresponsável e que não respeita as vidas da população.

Bloco Havayanas Usadas – Belo Horizonte (MG)
Foto: Hemerson Morais/Jornalistas Livres

Em São Paulo, o Bloco “Sem Teto” saiu às ruas exigindo direito à moradia enquanto prestaram solidariedade ao povo atingido, que com a tragédia, também perderam seu modo de subsistência, suas casas e a vida digna.

Bloco Sem Teto – São Paulo(SP)
Fotos: Lorenna Kogawa (Jornalistas Livres)

Bloco Sem Teto – São Paulo(SP)
Fotos: Lorenna Kogawa (Jornalistas Livres)

No Nordeste, Brumadinho e Mariana também estiveram presentes, assim como Chico Science, através de seu irmão “Jamelão”, no Bloco Mangue Beat em Olinda(Pernambuco). Lama, resistência, humor, arte e cultura foram, no sábado (2),  a marca de um dos mais politizados e dançantes blocos do Carnaval de Olinda.

Bloco Mangue Beat – Olinda(PE)
Foto: Leo Milano/Jornalistas Livres

Bloco Mangue Beat – Olinda(PE)
Foto: Leo Milano/Jornalistas Livres

Bloco Mangue Beat – Olinda(PE)
Foto: Leo Milano/Jornalistas Livres

O crime da Vale em Brumadinho se tornou a maior operação de resgate do Brasil e gera ainda mais indignação por ter se repetido. Em novembro de 2015, o estado já havia chorado pelas 20 vítimas de Mariana, mortas no rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billiton. Até o momento, são 186 pessoas mortas e outras 122 continuam desaparecidas. As buscas, coordenadas pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, continuaram durante o Carnaval. De acordo com a corporação, 116 militares atuam nas atividades de salvamento.

Bloco Havayanas Usadas – Belo Horizonte (MG)
Foto: Beto Hektor

Bloco Balai Lama – Belo Horizonte (MG)
Fotos: Lucca Mezzacappa (Jornalistas Livres)

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Carnaval da ResistênciaMinas GeraisMineração
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