Armínio Fraga e o terrorismo eleitoral. De novo!

Vamos relembrar o ativismo partidário do presidente do BC, Armínio Fraga, mês a mês, em 2002

Ele some do mapa. Dedica-se a jogar golfe e aumentar seu já gordo patrimônio. E, às vésperas das eleições, a mídia conservadora sempre resolve ressuscitá-lo. Esquecem-se que o Brasil, quando ele era presidente do Banco Central teve de se ajoelhar duas vezes diante do FMI, em 2001 e 2002. Esquecem-se que a corrida aos fundos de investimento deveu-se a uma medida, no mínimo, equivocada, tomada por ele. Esquecem-se (ou talvez se lembrem muito bem e esta seja a razão de voltar a ouvi-lo) de seu ativismo político-partidário na eleição de 2002. Esquecem-se de que, na dúvida, subia a taxa de juros, aumentando vertiginosamente a concentração de renda no país.

Recordemos.

  • Armínio Fraga Neto foi presidente do Banco central do Brasil de 4/3/1999 a 1/1/2003.

  • Armínio entregou a dívida pública em 60% do PIB. Quando Dilma foi deposta estava em 39% e em junho de 2018, último dado, chegava a 51%.

  • Armínio entregou uma dívida líquida externa de 65 bilhões de dólares. Quando Dilma saiu o Brasil tinha dívida “negativa” de 302 bilhões de dólares, ou, o Brasil se pagasse tudo o que devia ainda sobrava com 302 bilhões em caixa.

  • A taxa básica da economia brasileira, taxa Selic, estava na faixa de 14% ao ano na saída de Dilma e acima de 24,90% quando Armínio terminou seu mandato com FHC no final de 2002.

O jornal Valor Econômico resolveu entrevistá-lo sobre a influência da eleição desse ano. Não foi surpresa constatar, outra vez, seu partidarismo.

Primeiro, ele detona a política econômica dos governos do PT e elogia as reformas anti-povo de Temer:

“Vejo um quadro muito difícil, porque temos um Estado fragilizado do ponto de vista financeiro e uma economia muito machucada do ponto de vista da produtividade, depois de políticas incrivelmente mal desenhadas e regressivas, como a chamada Nova Matriz Macroeconômica. Houve um progresso recentemente, algumas reformas importantes passaram, mas o quadro geral é ainda extremamente preocupante.”

O “progresso” recente a que se refere Armínio é composto pelo corte de direitos dos trabalhadores e pelo congelamento de despesa do governo por 20 anos. Além disso, debita toda a crise atual ao governo de Dilma e Lula. Ele não menciona a gravíssima crise política iniciada por seu partido ao não aceitarem o resultado das eleições de 2014 e o fraco desempenho da economia mundial.

Em segundo lugar, tenta, como fez em 2002, catequizar os candidatos para que se posicionem de acordo com a visão neoliberal da economia que ele (Armínio) sustenta:

“Diria mais, o que vai acontecer até lá: qual vai ser a qualidade do debate, o posicionamento dos candidatos e a expectativa sobre quem vai ganhar. Imagino um período de bastante turbulência. Tipicamente, os mercados vão reagir ao que é dito, a como as coisas são ditas e a quem vai, ao longo do tempo, conquistar a posição de favoritismo no pleito.”

O terrorismo desempenhado por Armínio, na posição de presidente do Banco Central, foi percebido até por agentes de extrema direita do mercado financeiro. E ele tenta repetir o método.

Em terceiro lugar, Armínio tenta esconder os erros que cometeu em 2002:

“Naquela altura do jogo, estávamos ali com o dedo no pulso do paciente. Eu estava no Banco Central, talvez a posição mais conectada com essas vibrações. Tínhamos plena consciência de que aquilo que poderíamos fazer tinha limites, de que seria preciso um comprometimento dos candidatos. Houve um esforço na direção de tentar construir pontes e, através dessas pontes, deixar claro a todos que a situação seria administrável sem grandes esforços. O que não é o caso hoje.”

O “dedo no pulso” não foi suficiente para tomar decisões acertadas em seus quatro anos no Banco Central: promover crescimento e estabilidade e entregar um paciente saudável ao sucessor de FHC.

Em quarto, não leva em conta que o país estava quebrado em dólares antes da eleição de 2002, após sua gestão desastrosa:

“A situação aqui, a situação de risco, considero mais grave do que era naquela época. Na época, havia um pedaço da dívida dolarizada. O câmbio disparou e a relação dívida/PIB piorou. Mas era claro que aquilo era uma posição de câmbio que não se sustentaria. Das duas, uma: ou teria inflação ou o câmbio iria voltar. Acabou voltando. Não era uma taxa de câmbio real permanente. Hoje, não. É um quadro que mostra, ao meu ver, um desafio maior. Não basta recuperar a confiança, como, por exemplo, foi feito àquela época pelo governo que chegou.”

E termina por desprezar o enorme volume de reservas cambiais construído nos governos do PT:

“Temos bastante [dólares em reserva], é inegável. O Brasil é um país grande. Se olhar as reservas internacionais como proporção do PIB, o número não é tão grande assim. Uma parte ainda tem como espelho os swaps cambiais, então as reservas líquidas são um pouco menores.”

Armínio se esqueceu (não tenho certeza de que foi esquecimento ou se era politicamente mais conveniente, para ele, omitir essa informação) que a operação de swap não consome dólares, mas reais. Os swaps, portanto, não comprometem um só dos 381 bilhões de dólares que o Brasil tem em suas reservas hoje. Lembremos que em julho de 2002 o Brasil já era relativamente grande, as reservas caíram para 23 bilhões de dólares e fomos obrigados a ir, com o chapéu nas mãos, pedir uns trocos para o FMI.

Relembramos a seguir, mês a mês, a conduta de Armínio no ano eleitoral de 2002, a partir de arquivos da Folha de S. Paulo.

Janeiro

Armínio começa o ano tendo que se explicar pelo estouro da meta de inflação em 2001

Fraga enviará carta a Malan explicando estouro de meta-11/01/2002
(Sandra Manfrini da Folha Online, em Brasília)
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, envia na próxima semana uma carta ao ministro Pedro Malan (Fazenda) explicando os motivos que levaram o país a ficar com uma inflação acima do limite máximo da meta fixada pelo governo. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado em 2001 ficou em 7,67%, enquanto a meta para o ano era de 4% com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Com Armínio no comando do Banco Central, Brasil tem de recorrer ao FMI em 2001

FMI evita rombo com o exterior em 2001 – 25/01/2002
Empréstimo de US$ 6,6 bilhões enviado pela instituição garante equilíbrio no balanço de pagamentos
(Ney Hayashi da Cruz da sucursal de Brasília)
O Brasil teria dificuldades para fechar suas contas externas no ano passado se não tivesse recebido a ajuda do FMI (Fundo Monetário Internacional). Em 2001, graças ao acordo fechado com o Fundo, o país recebeu um empréstimo de US$ 6,6 bilhões.

Fevereiro

“Desconforto”, Armínio?

EUA ligam juro alto no Brasil à corrupção – 02/02/2002
(Clóvis Rossi enviado especial a Nova York)
O secretário norte-americano do Tesouro, Paul O’Neill, atribuiu à corrupção e à falta de respeito às regras da lei o fato de o Brasil ter juros muito altos. As observações foram feitas em resposta à pergunta do megainvestidor George Soros sobre a persistência de taxas elevadas de juros no Brasil.
Informado dele [do comentário de O’Neill], no entanto, o presidente do Banco Central brasileiro, Armínio Fraga, responsável, em última análise, pela definição dos juros, admitiu “desconforto” com o comentário.

Governo FHC intervinha, separava, ficava com a parte podre e “doava” a parte boa

BC perde mais de R$ 10 bi com intervenções – 17/02/2002
(Leonardo Souza da Folha de S.Paulo, em Brasília)
O prejuízo do Banco Central com as intervenções financeiras no Banco Nacional, no Econômico e no Bamerindus deve superar, em muito, R$ 10 bilhões.
O presidente do BC, Armínio Fraga, quer encerrar ou encontrar uma solução para a liquidação dessas instituições até o final de março. Se as liquidações fossem encerradas hoje, sem qualquer tipo de acordo com os ex-controladores dos bancos, sobraria para o Tesouro Nacional, ou seja, para os contribuintes, um rombo de R$ 9,828 bilhões

Março

Armínio começa a tentativa de impor sua ideologia de que só a austeridade serve como política econômica

Fraga defende continuidade econômica – 05/03/2002
(Da sucursal do Rio)
O presidente do BC (Banco Central), Armínio Fraga, defendeu ontem a continuidade da atual política econômica como a melhor maneira de garantir o desenvolvimento social do Brasil nos próximos anos. Em discurso feito em seminário no Rio, ele citou o que considera conquistas do governo FHC: o controle da hiperinflação e a resolução das crises financeira, fiscal e cambial.
Segundo Fraga, mesmo uma mudança na orientação política do futuro governo não deve alterar o caminho que o país vem trilhando nos últimos oito anos.

Após o maior estelionato eleitora da história do Brasil, na dúvida, Armínio subiu os juros em de 39% para 45%

A história secreta da desvalorização cambial de 1999 – 10/03/2002
(Elio Gaspari)
Um dos segredos mais bem guardados pela ekipekonômica brasileira está à venda nas livrarias americanas por 30 dólares. O jornalista Paul Blustein, do “The Washington Post”, publicou um livro contando a história do fracasso do Fundo Monetário Internacional na crise financeira de 1998, aquela que terminou destroçando o populismo cambial brasileiro em janeiro do ano seguinte. Chama-se “O Castigo – Por dentro da Crise que Abalou o Sistema Financeiro e Humilhou o FMI”.
Entre a segunda metade de agosto de 1998 e o dia 13 de janeiro de 1999, a ekipekonômica torrou perto de US$ 30 bilhões da Viúva e outros US$ 9 bilhões do FMI defendendo o real sobrevalorizado (fingia-se que o dólar valia R$ 1,20). Levou os juros para 42%, cortou os músculos dos investimentos públicos e acabou rendendo-se, ao preço da ruína no ano de 1999. (Crescimento zero, contração de 1,5% na renda per capita.)
Blustein entrevistou inúmeros funcionários do FMI, inclusive Stanley Fischer, que na época era seu vice-diretor. Falou com FFHH e Pedro Malan, cometeu pecados veniais, como dizer que o ministro da Fazenda é filho de general. Ainda assim, seu livro é uma aula para a patuléia de Pindorama.
Depois de lê-lo, informa o professor Antônio Delfim Netto: “O Blustein mostra, sem dizer, que o governo Clinton usou o FMI na defesa do real sobrevalorizado para salvar o presidente Fernando Henrique e impedir a eleição do Lula”. (…)
Fischer reuniu-se com FFHH no dia 3 de fevereiro, e o governo começou a armar um dos maiores programas de contenção de gastos e investimentos públicos da história nacional. Pouco mais de um mês depois, FFHH rebateu uma crítica do governador Itamar Franco dizendo o seguinte: “Toda hora alguém diz: “O FMI exigiu”. Não exigiu nada. Falamos no ajuste há quatro anos. Precisamos é fazer o que é preciso”.
Tudo bem, mas, segundo Blustein, na conversa do dia 3 de fevereiro, Fischer disse o seguinte a FFHH: “Você só tem uma chance: fazer um programa mais severo”.
Por falar em coisa severa, no seu primeiro dia no Banco Central, Armínio Fraga levou os juros de 39% para 45%.

Abril

O que o Banco Central tem a ver com empresas de telefonia?

Congresso quer BC e agência em audiência – 18/04/2002
(Elvira Lobato da sucursal do Rio)
O confronto com a área econômica desgastou a Anatel, avalia o presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, deputado Narcio Rodrigues (PSDB-MG). Ele disse que vai convocar o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e o presidente interino da Anatel, Antônio Carlos Valente, para audiência pública.
“Houve acusações extremamente graves, que precisam ser passadas a limpo”, afirmou o deputado, referindo-se à afirmação de Valente de que o BC teria cedido ao lobby das empresas de telefonia que querem mudanças nas regras estabelecidas pela agência.

Janio de Freitas cobra Armínio pelos juros alto e pelo lobby para empresas de telefonia

Na mesma – 21/04/2002
(Janio de Freitas)
Com a decisão do Banco Central de manter os juros básicos nas altitudes dos 18,5%, o que eleva os juros para o consumir a circundar os 150%, senão os 200%, Armínio Fraga revela-se (ou se confirma?) como o Gustavo Franco dos juros.
Assim como Gustavo Franco manteve a economia brasileira aprisionada pelo câmbio durante quatro anos, Armínio Fraga a mantém pelos juros. E já vai para os mesmos quatro anos (tempo, por sinal, que os comentaristas especializados tardam para libertar-se de suas várias amarras e dizer alguma coisa que lhes permita, mais tarde, falar da independência e lucidez de sua análise sobre os efeitos destrutivos dos juros, tal como disseram do câmbio).
A altitude dos juros desmente que a inflação, ao fim de oito anos sacrificados a pretexto de vencê-la, esteja de fato vencida.
Um país que dominou a inflação é um país onde os juros podem ter níveis normais, o crescimento econômico não precisa ser reprimido e a população não é sacrificada pelo corte de investimentos, apesar dos impostos tão altos.
Novo lobby
Por falar em Banco Central, Armínio Fraga não ficou devendo ao país uma palavrinha sobre a ação documentada de lobby feita, dentro do governo, pelo banco por ele presidido?
No mínimo, e até em favor do seu conceito pessoal, deveria explicar o que o Banco Central tem a ver com o aumento de preço da telefonia pretendido por uma telefônica posta por si mesma em má situação.

Maio

Dívida externa é só 40% do PIB, diz Armínio

Lula e os fundamentos – 05/05/2002
(Editorial)
Houve mudança de humor nos mercados financeiros, o que levou o dólar a nova alta e pressionou o índice Bovespa para baixo, tudo embalado por relatórios pessimistas de bancos estrangeiros.
A incerteza eleitoral explica em parte as apreensões dos investidores. O mais forte candidato da oposição, Luiz Inácio Lula da Silva, registra ganhos nas pesquisas eleitorais. Enquanto isso, o “anti-Lula” ainda não surgiu, diferentemente do que ocorreu nas duas eleições que consagraram Fernando Henrique Cardoso.
O risco econômico associado à incerteza política seria muito menor, entretanto, fossem sólidos os fundamentos da economia brasileira. O longo ajuste ultraliberal aprofundado por FHC provocou uma fragilidade econômica, fiscal e financeira que se tornou ainda mais aguda num cenário de crise internacional.
Dizendo-se sempre a favor de modernizar a economia e estabilizar a taxa de câmbio, as equipes se sucederam no Banco Central, e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, bateu o recorde de permanência no cargo. Mas o apego a uma mesma receita foi insuficiente para dar solidez e sustentação aos fundamentos.
Na última batalha retórica contra analistas e organismos estrangeiros, o presidente do BC, Armínio Fraga, tentou descartar a tese de que a dívida externa brasileira é preocupante; FHC disse que o Brasil é uma espécie de ilha de tranquilidade. Preocupa o Banco Mundial que a dívida externa brasileira represente 10% do total dos débitos dos países emergentes. Fraga argumenta que a dívida é de “só” 40% do PIB. (….)
Está em questão a política econômica centrada no otimismo quanto à liberalização dos mercados globais. As ilusões desse modelo camuflaram a precária base da política econômica sob FHC. Com Lula ou sem Lula, o próximo governo estará aprisionado num modelo inadequado do ponto de vista econômico e financeiro.

Cristovam Buarque (sim, ele mesmo) elogia Armínio

Cristovam Buarque diz que Fraga é ”um bom presidente” do BC – 09/05/2002
(Patrícia Zimmermann da Folha Online, em Brasília)
O ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PT) elogiou hoje o presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Ele “tem sido um bom presidente”, afirmou.

Armínio no esforço de demonização de Lula

Terrorismo – 14/05/2002
(Nélson Sá, editor da Ilustrada)
O terrorismo retórico que assustou Lula explodiu logo cedo, num diálogo do presidente do Banco Central com o Bom Dia Brasil. Primeira pergunta da Globo:
– O governo considera que os programas dos outros pré-candidatos são tão bons ou tranquilizadores quanto o do candidato do governo?
E Armínio Fraga, no Bom Dia e no Jornal Nacional:
– Não está claro que seja assim… Minha leitura tem a ver com a sensação de dúvida sobre se as coisas continuarão no caminho certo… Os fundamentos da economia brasileira estão bem e no caminho certo, mas isso pode mudar. É essa dúvida que paira no ar.
Ele não parou por aí. Mais Fraga, em campanha:
– O receio que paira no ar, hoje no mundo, tem a ver com a experiência atual na Argentina e não é de que haverá um rompimento imediato. O medo é que se entre numa trajetória onde se vão dando pequenos passos na direção errada. Aí, um belo dia, você acorda e se dá conta de onde está. (…)
Fosse propaganda eleitoral e a retórica do presidente do Banco Central seria enquadrada como parte de um esforço de demonização de Lula.

Tentativas de pregar em Lula o rótulo de “ameaça à estabilidade”

PT espera ação governista contra a candidatura Lula – 15/05/2002
(Fábio Zanini da Folha de S.Paulo?)

Nos últimos dias, o petista [Lula] tem sofrido ataques do círculo político de seu adversário José Serra, pré-candidato tucano, e também de integrantes da área econômica do governo, como o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Até o novo marqueteiro tucano, Nizan Guanaes, partiu para cima de Lula.
Reservadamente, petistas já se preparam para a movimentação governista. Anteontem, em reunião de sua Executiva, o partido concluiu que devem aumentar tentativas do governo de pregar em Lula o rótulo de “ameaça à estabilidade” e identificá-lo com o caos na Argentina.

“Grandes conquistas” do período FHC? Onde?

Economia e campanha eleitoral – 16/05/2002
Paulo Nogueira Batista Jr.
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, por exemplo, criticou a falta de coerência dos programas econômicos dos candidatos à Presidência e recomendou que todos deixassem clara a sua disposição de preservar as “grandes conquistas” do período Fernando Henrique Cardoso.
Vejamos algumas delas:
1) A dívida líquida do setor público como um todo (incluindo União, Estados, municípios e empresas estatais), que era inferior a 30% do PIB em fins de 1994, alcança atualmente 55% do PIB. Note-se que isso ocorreu apesar de um grande aumento da carga tributária e da implementação do que alguns chamaram de “o maior programa de privatização do mundo”.
2) A dívida do governo federal em títulos (exclusive papéis na carteira do Banco Central) subiu de R$ 61,8 bilhões em dezembro de 1994 para nada menos que R$ 626,3 bilhões em março de 2002.
3) Cerca de 80% dessa dívida federal em títulos é composta de papéis pós-fixados, com remuneração referenciada aos juros de curto prazo, ou de papéis cambiais, indexados à variação do câmbio. Isso deixa as finanças governamentais muito vulneráveis a aumentos da taxa de juro e da taxa de câmbio.
4) Medido pelos déficits acumulados no balanço de pagamentos em conta-corrente, o aumento líquido da dívida externa e dos demais passivos do Brasil foi da ordem de US$ 180 bilhões entre 1995 e 2001, em larga medida como resultado da desastrada combinação de sobrevalorização cambial (até 1998) e abertura precipitada do mercado interno às importações.
5) Em consequência do aumento do passivo externo, o Brasil hoje suporta pesada carga de pagamentos ao exterior. As despesas líquidas com os juros da dívida externa e a remessas de lucros e dividendos totalizaram US$ 19,8 bilhões em 2001. As amortizações do principal da dívida chegaram a US$ 35,2 bilhões.

Entre principais economistas do país vicejam dúvidas se país caminha na direção certa

A direção do real – 19/05/2002
(Editorial)
A escolha do “real” como nome da moeda criada pelo mais bem-sucedido plano anti-inflacionário no Brasil não foi casual. Tratava-se não só de homenagear a história remota do país dos “contos de réis” mas principalmente de fixar, para as gerações futuras, a ideia de que moeda é coisa real, não a ficção a que se habituaram os brasileiros, vítimas das ilusões inflacionárias.
Quase oito anos depois de criada, no entanto, a moeda que lastreou a eleição e a reeleição de FHC é uma pálida sombra do símbolo original.
A fragilidade tornou-se patente porque as duas gestões de FHC criaram armadilhas que tornam incerto o rumo da economia brasileira.
Em seminário sobre o regime de metas inflacionárias, o presidente do BC, Armínio Fraga, afirmou que o equilíbrio fiscal e o controle da inflação “caminham na direção certa”.
As dúvidas sobre o acerto ou mesmo a existência desse suposto rumo vicejam entre alguns dos principais economistas do país.

“Indicadores econômico do Brasil não são uma maravilha”, diz Delfim

Para economistas, “efeito tango” é terrorismo eleitoral – 23/05/2002
(Lia Hama da redação)
A declaração do presidente Fernando Henrique Cardoso, de que o Brasil corre o risco de virar uma Argentina se os próximos governantes forem incompetentes, é “terrorismo eleitoral”, na opinião de economistas consultados pela Folha. “Certamente é terrorismo. [A declaração de FHC] tem uma conotação política muito clara, que é a pretensão de que só um pequeno grupo poderia dirigir o Brasil e, portanto, qualquer mudança vai quebrar o Brasil”, afirma o deputado federal Antônio Delfim Netto (PPB-SP). (….)
A declaração de FHC segue a mesma linha de discurso do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que afirmou que a volatilidade dos mercados nas últimas semanas está ligada ao medo da alternância de poder no país, e do próprio pré-candidato tucano à Presidência, José Serra, que apontou o risco de o Brasil se transformar em uma Argentina.
Na opinião da maioria dos economistas ouvidos pela Folha, no entanto, é remota a possibilidade de um “efeito tango” no país.(…)
“Essa agitação que existe aí é porque os indicadores econômicos não são uma maravilha”, concordou Delfim Netto.
Junho

O que Armínio quis dizer com “certamente”?

O curral deve ser negociado logo – 05/06/2002
(Elio Gaspari)
Numa surpreendente declaração, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse o seguinte à repórter Míriam Leitão: “Não acredito que alguém vá cometer o erro de querer alongar compulsoriamente a dívida. Certamente, o que se vai fazer é oferecer ao credor uma proposta: quem abrir mão da liquidez por um tempo vai ter uma remuneração maior”.
Certamente? Se é certo, no sentido de “com certeza”, o doutor Armínio deveria começar amanhã de manhã a renegociação da dívida interna brasileira, equivalente a 55% do PIB.
Deveria proceder dessa maneira por três motivos:
1) Porque sua declaração leva os investidores a temer pelo seu dinheiro. Aumenta o nervosismo que deriva da precária situação econômica do país. Estimula a deformação da eleição presidencial, transformando um ato do ritual democrático em feitiçaria financeira. Se uma coisa será “certamente” oferecida no ano que vem, seria muito melhor oferecê-la agora.
2) Porque isso significará o reconhecimento, pelo governo, de que é dele o ônus do início da renegociação de uma dívida de R$ 650 bilhões que quase duplicou na sua relação com o PIB. Seria conduta decente, oposta à que praticou na eleição passada, dando dois meses de sobrevida ao populismo cambial e ao dreno das reservas nacionais para assegurar o novo mandato de FFHH. É sempre útil lembrar que em agosto de 1998 o Brasil tinha em torno de US$ 70 bilhões nas suas reservas. FFHH foi reeleito em novembro sustentando o dólar a US$ 1,20 e, no final da segunda semana de janeiro, as reservas reais estavam em US$ 12,5 bilhões. Pouco depois o dólar bateu a marca dos R$ 2. Como disse um ex-ministro da Fazenda: “Há crimes felizes que são reputados heroicos e gloriosos”.
3) Porque renegociando desde já a dívida o doutor Armínio pode dispor peso de sua biografia de competente defensor dos contratos. Se esse abacaxi, que “certamente” caberá ao novo governo, cair no colo de Lula, vão chamá-lo de esquerdista caloteiro. Há poucas semanas ele descartou a quebra de contratos e disse o seguinte: “Vamos sentar à mesa para negociar. E nessa negociação vamos tentar discutir coisas que podem dar ao Estado um pouco mais de fôlego para o investimento”.

Armínio e Figueiredo deveriam fala menos

Instituição está sem rumo e paga “preço muito caro” pela venda casada de “swap” cambial com LFTs, diz deputado – 06/06/2002
(Leonardo Souza da sucursal de Brasília)
O ex-ministro e deputado Delfim Netto (PPB-SP) diz que o novo instrumento (o “swap” cambial) criado pelo BC para rolar a dívida em dólar fracassou, o que impôs confusão ao mercado.
Em sua opinião, o BC está sem rumo, ou “sem iniciativa”, e paga agora pelos recentes erros “um preço muito caro”. “A credibilidade do BC está indo pelo buraco numa velocidade louca”, disse.
Para ele, a melhor coisa que o BC (seus dirigentes) pode fazer agora é “ficar quieto, esperar as coisas se acalmarem”. Para o ex-ministro, o presidente do BC, Armínio Fraga, e o diretor de Política Monetária, Luiz Fernando Figueiredo, deveriam falar menos.
“Admitir, por exemplo, que poderia haver renegociação da dívida com métodos” amigos do mercado” certamente não tranquiliza os credores, que têm pânico de ouvir tal ideia”, afirmou, em referência a uma frase recente de Fraga, dita quando falava sobre a possibilidade de o próximo governo propor aos credores a renegociação da dívida interna oferecendo-lhes juros mais altos em títulos com prazos maiores.

O instinto especulador de Armínio Fraga

O chute – 06/06/2002
(Janio de Freitas)
Por falar nela (na atividade que mais ilude e deforma esse país), baixou no presidente do Banco Central, Armínio Fraga, o que só pode ser uma forte nostalgia dos tempos em que, nos Estados Unidos, ocupava-se com especulações. É um raciocínio tipicamente de especulação a responsabilidade que Armínio Fraga atribuiu às eleições, para explicar os saques que estão ocorrendo nos fundos de investimento.
Armínio Fraga surpreendeu os fundos e os investidores com a antecipação repentina de modificações que só vigorariam, nas regras contábeis dos fundos, em setembro. Se a fuga nos fundos não foi causada pela atitude de Armínio Fraga como presidente do Banco Central, como se explicaria que as retiradas ocorressem em seguida à decisão e, simultaneamente, a procura por dólar o elevasse tanto?
O especulador é um tipo que cria expectativas com o mínimo de base ou o máximo de ficção. Não existe só no “mercado” financeiro, prolifera no jornalismo econômico e é comum também, sob outra forma, no jornalismo político. Mas a presidência do Banco Central é, por natureza, a antiespeculação financeira. O problema é que ela está sujeita à natureza de seu ocupante, seja qual for.

Armínio levantou a bola para seu “empregador” cortar

Os recibos – 12/06/2002
(Janio de Freitas)
Em adendo ao seu insulto às instituições e aos eleitores brasileiros, como parte impulsora da campanha para tentar erguer a candidatura de José Serra por meio do pânico, o superespeculador internacional George Soros disse (Folha de sábado) que, “com o dólar a R$ 2,66, a crise já começou”. O dólar ontem ultrapassou os R$ 2,70, em seguida a duas pesquisas, Datafolha e Ibope, em que o “efeito bela Rita” melhorou o índice de Serra.
Se a desvalorização do dólar é, por si só, comprovante de crise, então a crise se agrava quando sua pretensa motivação deveria reduzi-la. Logo, o “efeito Lula” é motivação no mínimo questionável. E, se “a crise já começou”, está posta em xeque a alternativa ou Serra ou a crise. (….)
Como complemento e no mesmo embalo, o ministro Sérgio Amaral deixou o seu tom habitualmente ético para apoiar a linha Soros. O coordenador da campanha de Serra, Pimenta da Veiga, juntou-se ao presidente do PSDB, José Aníbal, para completar o fértil recibo passado, com denunciadora avidez, de que nenhum deles falou por si, por iniciativa própria. São peças de um encadeamento iniciado por Armínio Fraga e, não por acaso, prontamente apoiado com exacerbação por seu empregador nos Estados Unidos. E vem muito mais aí.

Armínio se desdiria dali a 21 dias

Tesouro tem caixa para honrar compromissos, diz Fraga 21/06/2002
(Ivana Portes)
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse hoje que o Tesouro tem caixa suficiente para honrar seus compromissos e que não será preciso recorrer a novos empréstimos ao FMI (Fundo Monetário Internacional).
De acordo com ele, o caixa do Tesouro é da ordem de R$ 50 bilhões.
“Acabamos de sacar US$ 10 bilhões do Fundo [FMI]. Isso é mais que suficiente”, disse ele.

Julho

Armínio admite negociação com o FMI

FMI aceita novo acordo com o país, diz Fraga – 12/07/2002
(Márcio Aith enviado especial a Nova York)
O presidente do BC (Banco Central), Armínio Fraga, informou ontem que o governo brasileiro e o FMI (Fundo Monetário Internacional) estão negociando uma nova ajuda financeira “de contingência” ao país.
Segundo ele, essa nova ajuda poderá vir na forma de uma simples elevação do valor do atual acordo com o Fundo ou paralelamente a um novo programa, que protegeria a economia na transição e já no novo governo. Fraga disse que a definição de qual será a forma da ajuda estaria dependendo da evolução do “debate interno no Brasil”.
A expectativa de que Fraga anunciasse um novo acordo com o FMI ontem foi um dos fatores que contribuíram para a queda de 1,96% do dólar. A moeda norte-americana encerrou o dia valendo R$ 2,795 e mudou de patamar desde o dia 24 de junho ela se situava na casa dos R$ 2,80.
Além disso, o risco-país, medido pelo JP Morgan, caiu 5%, para 1.548 pontos. Os C-Bonds, títulos da dívida externa brasileira, subiram 3,56%.

A preocupação é com o próximo governo ou conseguir chegar ao final do governo atual?

Brasil pode ir ao FMI em breve, diz Armínio – 28/07/2002
(Leonardo Souza e Ney Hayashi da Cruz da Sucursal de Brasília)
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse ontem que, se “a conjuntura adversa não melhorar”, é provável que o governo recorra novamente ao Fundo Monetário Internacional nas próximas semanas.
Segundo Armínio, se o novo acordo com o FMI for fechado antes das eleições, não seria necessário compromisso formal dos candidatos à Presidência. Disse que seria um programa curto, de seis a doze meses: “Pode ser importante reforçar esse período”.
A preocupação de Armínio é permitir que o próximo governo possa trabalhar com “o mínimo de tranquilidade”, que possa sair da “atitude defensiva” que a atual equipe econômica tem tido para uma “atitude construtiva”.

Agosto

FMI empresta US$ 30 bilhões para o Brasil e exige mais austeridade (maior desemprego)

Malan e Fraga concedem entrevista sobre acordo com FMI – 08/08/2002
(da Folha Online)
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, concedem entrevista à imprensa, a partir das 11 h, no Ministério da Fazenda, para falar sobre o novo acordo acertado pelo governo brasileiro e o FMI (Fundo Monetário Internacional).
Ontem, o Fundo anunciou um pacote de ajuda ao Brasil no valor de US$ 30 bilhões durante 15 meses.

Incendiar o mercado é muito fácil, tentar apagar custa os olhos da cara

BC “queimou” reservas, mas não foi em vão – 18/08/2002
((Leonardo Souza da Sucursal de Brasília)
O Banco Central gastou, ao longo de julho e do início de agosto, cerca de US$ 2,3 bilhões das reservas líquidas internacionais – a fatia do caixa em moeda forte do governo que pode ser usada quase sem restrições.
A maior parte desse dinheiro foi empregada pelo BC para intervir no mercado de câmbio, com vendas de dólar (papel-moeda) à vista. O restante, basicamente, serviu para recomprar títulos da dívida externa.
Durante esse mesmo período, apesar das intervenções, a cotação do dólar disparou. A curva da moeda e a das reservas brutas (o BC não divulga dia a dia a posição das reservas líquidas) têm se comportado de maneira quase que inversamente proporcional. Enquanto o dólar sobe, as reservas diminuem.
Reservas líquidas e brutas
As reservas líquidas são o caixa do BC em moeda estrangeira sem considerar os empréstimos do FMI (Fundo Monetário Internacional) -a soma de tudo compõe as reservas brutas. Em final de junho, as reservas líquidas estavam em US$ 25,881 bilhões. Na semana retrasada, segundo o presidente do BC, Armínio Fraga, haviam caído para cerca de US$ 23,5 bilhões. Pelo último acordo fechado com o FMI, as reservas líquidas não podem ficar abaixo de US$ 5 bilhões.

Setembro

Acordo com o FMI é muito bom, garante Armínio. Mas o superavit exigido era maior

Acredite se quiser (no governo) 08/09/2002
(Elio Gaspari)
A ekipekonômica conseguiu uma proeza, escorregar na casca de banana que ela mesmo jogou na calçada.
FFHH chamou os quatro candidatos ao Planalto para ouvirem dele e do ministro Pedro Malan uma exposição sobre o acordo fechado com o FMI. Pela palavra de Malan, ele se referiu a um “esforço fiscal adicional”. Os candidatos acharam que o governo combinara com o FMI um superavit primário de 3,75% do PIB. Passadas três semanas, descobre-se que o acerto era outro. Nas contas de 2002, o superavit combinado ficaria em 3,88%.
A diferença entre um percentual e outro é coisa de R$ 1,5 bilhão, dinheiro suficiente para a criação de 100 mil vagas em presídios.
Resta saber como fica o doutor Armínio Fraga, presidente do Banco Central. Ele disse o seguinte: “O acordo é muito bom, e seria uma tolice não aproveitar, dado que o custo adicional é nenhum”.
Tolice foi dar-lhe fé.
Também ficou difícil a posição do candidato do governo, José Serra. Ele disse: “Queria reiterar que esse acordo é bastante positivo para o Brasil (…), porque não implica nenhum sacrifício adicional para a economia nacional”.

As linhas para o comércio internacional das empresas brasileiras caíram entre 20 e 25%

Armínio vê recuperação de linhas – 10/09/2002
(do enviado especial à Basileia)

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse ontem que as linhas de financiamento ao comércio exterior brasileiro começaram a se recuperar mais rápido do que o governo esperava.
Duas semanas atrás, Fraga e o ministro Pedro Malan (Fazenda) tiveram encontro com banqueiros em Nova York para convencê-los a reabrir o crédito às empresas brasileiras, que caiu entre 20% e 25% nas últimas semanas, segundo o presidente do BC.

Industriais frustrados com altos juros e baixo crescimento

Alemães cobram mais crescimento do Brasil – 11/09/2002
(Leonardo Souza enviado especial a Frankfurt)
Grandes multinacionais alemãs com investimentos no Brasil cobraram ontem do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, maior crescimento da economia do país. (…)
No ano passado, a economia brasileira só cresceu 1,51%. Neste ano, a expectativa para o aumento do PIB, está em torno de 1,5%. No mercado financeiro, já há projeções para apenas 1%. Daí a frustração dos industriais.
Um dos principais fatores para o fraco desempenho da atividade econômica é a alta taxa básica de juros no Brasil, definida pelo BC, sob o comando de Armínio.

“A rejeição ao modelo econômico atual é generalizada no país”

FMI e estelionato eleitoral – 12/09/2002
(Paulo Nogueira Batista Jr.)
No final da semana passada, vieram a público os documentos relativos ao acordo do Brasil com o FMI: a carta de intenções, assinada pelo ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central, o memorando de políticas econômicas e o memorando técnico de entendimento. (….)
Quando o acordo foi anunciado, sob intensa (e ridícula) celebração, no início de agosto, o governo brasileiro declarou que ele não traria custos adicionais para o país nem engessaria o futuro governo. A leitura dos documentos agora divulgados revela um quadro bastante diferente, como seria de esperar. (….)
Trata-se, não obstante, de um acordo “sui generis”, uma vez que foi negociado por um governo em fim de mandato e envolve, essencialmente, metas a serem cumpridas por um governo ainda não eleito. Um dos aspectos que chamam a atenção, na leitura do acordo, é a desenvoltura com que Pedro Malan e Armínio Fraga falam em nome do futuro governo. (….)
No que diz respeito ao ajuste fiscal, o acordo envolve compromissos mais complicados do que geralmente se imagina. A meta para o superavit primário do setor público consolidado foi definida em 3,9% do PIB no período julho de 2002-junho de 2003, um aumento significativo em relação aos 3,2% do PIB observados no período julho de 2001-junho de 2002. Esse aumento é problemático para uma economia que sofreu forte desaceleração e está atualmente à beira de uma recessão.

Outubro

Mesmo após o golfe, Armínio não perde a chance de culpar a candidatura Lula pela turbulência no mercado e filosofar

Armínio Fraga vota após jogar golfe no Rio de Janeiro – 06/10/2002
(Ana Paula Grabois) da Folha Online, no Rio)
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, votou hoje após jogar golfe no Gávea Golf Club, em São Conrado, zona sul do Rio. Ele vestia boné, bermuda, camisa pólo e sapato mocassim bege. Fraga esperou uma hora e quinze minutos na fila para votar.
O presidente do BC disse que o mercado deve se tranquilizar quando o presidente eleito definir sua equipe econômica e esclarecer a política que vai assumir.
“A situação só vai acalmar para valer depois que o próximo presidente se dirigir à nação e deixar claro a sua linha de ação”, disse Fraga, enquanto esperava na fila para votar, no próprio Gávea Golf Club.
Ele admitiu que o pessimismo e as expectativas sobre o próximo governo influenciaram o mercado. Porém, para o presidente do BC, caso a oposição vença, há espaço para surpresas positivas. “Há um certo pessimismo, mas que pode até surpreender positivamente.”

Nossa atuação não tem viés político, mas a culpa é do Lula

Fraga nega que atuação do BC tenha viés político
(Sandra Manfrini da Folha Online, em Brasília)

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, negou hoje que a recente medida do BC de ampliar as exigências para o mercado operar com câmbio tenha um “viés político”. Segundo ele, a medida teve o caráter prudencial e não deve ser interpretada como uma tendência de determinação da taxa de câmbio.
“A medida foi tomada na hora certa e não teve viés político”, disse. Questionado sobre o tom do seu discurso, se sua entrevista não poderia ser entendida como campanha para o candidato do governo, Fraga disse que não mudou o discurso. “Meu discurso é praticamente o mesmo, o momento é que mudou”. A interpretação do presidente do BC é de que o problema é com as expectativas para o país. (…)
Fraga ficou irritado ao ser questionado sobre possíveis erros na condução da política monetária por parte do BC. “Não admito qualquer insinuação desse tipo, de como temos conduzido a política monetária”, rebateu.
Sobre a decisão do BC de antecipar a exigência da marcação a mercado, Fraga disse que a medida continua sendo mal interpretada, pois ela já existia desde 1995. “Estamos tomando decisões extremamente difíceis. Na média, acho que acertamos”, disse.

Armínio busca novamente constranger Lula e angariar voto para Serra

Fraga exime governo e culpa dúvida eleitoral por tensão 09/10/2002
(Por Isabel Versiani – Brasília Reuters)

Três dias após a realização do primeiro turno das eleições, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, convocou uma entrevista na qual culpou a falta de clareza da oposição pelas tensões do mercado financeiro, ao mesmo tempo em que eximiu o governo e o BC da responsabilidade pelo quadro atual. Segundo ele, há limitações à atuação do BC e do atual governo para combater o “clima de medo” existente no mercado. As turbulências, em sua avaliação, só poderão ser dirimidas quando houver mais clareza nas propostas apresentadas na campanha eleitoral.
“Existe hoje um clima de medo de que não se vai prosseguir numa trajetória de responsabilidade e transparência fiscal, de que não haverá compromisso firme com manutenção de uma taxa de inflação baixa, medo de que o compromisso com contratos, acordos e com o império da lei não seja compromisso absoluto”, disse.
“O BC vem errando sistematicamente nos últimos seis meses e o primeiro erro é ficar colocando dúvidas sobre a condução da política macroeconômica nos próximos anos”, afirmou o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Unicamp e consultor do PT em questões econômicas.

Armínio faz o papel de bombeiro incendiário ou seria o contrário?

PT diz que Fraga faz campanha pró-Serra e faz dólar subir – 10/10/2002
(Fabiana Futema da Folha Online)

O PT responsabilizou o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, pelo fechamento recorde do dólar hoje. A moeda norte-americana rompeu hoje a barreira psicológica dos R$ 4 e registrou seu maior fechamento em reais de todos os tempos, R$ 3,99 para venda e R$ 3,985 para compra.
Segundo o assessor econômico do PT, Guido Mantega, a oscilação de hoje foi provocada pelas declarações dadas ontem por Fraga. “É lamentável que o presidente do Banco Central tenha deixado de fazer política monetária para começar a fazer política eleitoral.”
Fraga responsabilizou indiretamente o PT pelo clima de desconfiança instalado no país e, num recado ao presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do BC criticou a divulgação de ideias “exóticas e pouco ortodoxas” dos candidatos e seus colaboradores, como a adoção de medidas de controle de câmbio.

Ou FHC mentiu, ou Armínio subiu no palanque

O BC vai ao palanque – 11/10/2002
(Clóvis Rossi)
Ao dizer que, da parte do governo, não há muito o que fazer para conter a alta do dólar, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, está encurtando o mandato de um presidente que, uma e outra vez, se comprometeu a governar até 31 de dezembro próximo.
Ninguém espera do atual governo que lance, agora, um novo plano educacional, de saúde, ambiental ou que se proponha a construir uma ponte ligando Manaus a Porto Alegre. Espera-se que administre a crise cambial. Ponto.
Se não tem muito o que fazer nessa área, não tem muito a governar. Como o eleito para suceder FHC só governará a partir de janeiro, até lá o país vai ficar à mercê dos mercados.
Pior: por mais que negue, o presidente do BC não permite outra interpretação, que não a eleitoral, para suas declarações.
Vejamos: no dia 19, o presidente Fernando Henrique Cardoso encontrou-se com os então quatro principais candidatos presidenciais. O que aconteceu? Relata a Folha:
“Depois de se encontrar com os quatro principais candidatos à sua sucessão, o presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que estava satisfeito porque todos haviam assumido o compromisso de honrar o acordo acertado com o FMI (Fundo Monetário Internacional)”.
“Todos disseram que vão honrar”, afirmou FHC. Ora, o acordo com o FMI prevê exatamente o que Armínio volta a cobrar agora, quando diz que “existe hoje um clima de medo de que não se vá prosseguir numa trajetória de responsabilidade fiscal e de transparência, medo de que não vá haver um compromisso firme com taxa de inflação baixa”.
Ou o presidente mentiu há dois meses, ou o presidente do BC resolveu subir no palanque e fazer o mesmo terrorismo eleitoral que a campanha de Serra ensaiou no início e não foi comprado pelo eleitorado.

Para alegria dos rentistas, na dúvida, Armínio sobe novamente os juros

São Paulo, terça-feira, 15 de outubro de 2002

Para mercado, BC deu um tiro no pé – 15/10/2002
(Érica Fraga da reportagem Local)
O Banco Central aumentou os juros ontem na tentativa de salvar a, já bastante combalida, credibilidade do regime de metas de inflação. Pode, no entanto, ter dado, na opinião do mercado, mais um tiro no pé.
A medida anunciada ontem não causou boa impressão no mercado. O BC apontou a alta nas projeções da inflação como justificativa para elevar a Selic. Não convenceu. É unanimidade no mercado que um aumento de juros seria necessário. O que ninguém entendeu foi os motivos da convocação de uma reunião extraordinária para se tomar essa decisão, se o encontro oficial do

Lula eleito. Dólar cai

Dólar encerra mês da eleição 3,5% mais barato e deve cair mais – 31/10/2002
(Luciana Coelho da Folha Online)

Em uma clara reversão de tendência, o dólar encerra o mês da eleição presidencial – em que superou a barreira inédita dos R$ 4 – em baixa de 3,45%. No dia, a moeda norte-americana caiu 2,41%, fechando a R$ 3,63 para venda e R$ 3,625 para compra.
Já o risco-país brasileiro cai 3,02% e opera a 1.729 pontos – o que significa que o risco despencou 668 pontos no mês, ou 28%.

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Um comentário
  • Inácio da Silva
    25 agosto 2018 at 22:02
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    Curioso recordarem do Fraga…que tem lá seus defeitos, mas se esquecerem de que Lula aliou-se a Sarney, Maluf, Renan Calheiros et caterva e, igualmente, aliou-se à escória dos empreiteiros para pilhar o erário público e distribuir para o PT e para o próprio bolso…

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