Allianz Parque não foi feita para receber visitantes com deficiência!

Matéria feito pelo jornalista Marcelo Alves Belotti, do Jornal Empoderado

Início do Paulistão, estreia do seu time. Esse era o pensamento de Rafael Costa Soares 22 anos, morador de Mauá e torcedor do Esporte Clube Santo André. Rafael é cadeirante, sabe do sofrimento que significa essa sua condição. Ainda mais que a estreia do Ramalhão era contra o Palmeiras, dono da Arena Allianz Parque, vencedora de vários prêmios internacionais. Era uma quinta-feira, dia 18, um jogo  as 19h30, um ótimo horário para o futebol.

O estádio do Palmeiras chama a atenção dos torcedores. Além da imponência das Arenas, possui o certificado por acessibilidade,o “selo guiaderodas”, que leva em consideração análises técnicas e vivência funcional, além de um treinamento para atender as pessoas com essa necessidade. Então partiram Rafael e Luiz Carlos Marques, seu amigo e companheiro nos estádios em São Paulo para mais um jogo do Ramalhão, sem saber a aventura que os aguardava aquela noite.

Tudo foi tranquilo, Rafael tem sempre ao seu lado o amigo Luiz Carlos Marques. A orientação quando se aproximavam do Allianz era para a entrada no portão D, onde seria colocada a torcida visitante. Aí começava calvário de Rafael.

O atendimento foi muito bom, porém não havia espaço com acessibilidade no portão D. Depois de muita espera, Rafael foi encaminhado ao setor C1, dotado de elevadores para poder entrar no Estádio. Para chegar ao setor indicado, Rafael e Luiz Carlos devidamente uniformizados passaram no meio da torcida do Palmeiras.

A cor vermelha ilustra como Rafael entrou no estádio (portão C) e até aonde foi encaminhado para ver o primeiro tempo. A cor laranja como ele se deslocou para ver o segundo tempo da partida

Dentro da Arena uma outra surpresa: Rafael não assistiria o jogo no espaço reservado ao seu time, com seus amigos! Não havia nem próximo um setor com acessibilidade para cadeirantes. Rafael e seu amigo Luiz Carlos iam assistir o jogo do seu time do coração no meio da torcida adversária, pois no Estádio Allianz Parque não há lugar adequado para recebê-lo entre a sua torcida.

Aos 25 minutos, chegou uma pessoa que se identificou como “quem manda no Allianz” com o intuito de retirá-los do espaço. Luiz Carlos foi defender o amigo e discutir dizendo que pagaram seus ingressos e que de lá não sairiam até que terminasse o primeiro tempo, pois não queriam perder o jogo. Tanto Luiz Carlos como Rafael tinham consciência que o local não era adequado para eles.

Mas como o estádio não possui espaço reservado para o torcedor cadeirante, quem os levou a esse espaço foi a Sociedade Esportiva Palmeiras. Esperavam que dois torcedores uniformizados com a camisa do Santo André não fossem torcer? A situação foi resolvida quando Bigode, um funcionário bem antigo do Palmeiras chegou e com muita educação garantiu a presença deles até o final do primeiro tempo.

O segundo tempo foi assistido atrás do gol em cima das torcidas uniformizadas, no ponto indicado. O sentimento era sempre de estar no local errado, um pouco de constrangimento para gritar e torcer, como qualquer torcedor aquela noite, que pagou o seu ingresso e estava em uma arena, que recebeu vários prêmios e “selo guiderodas” mas que não guarda em suas dependências, espaço para acessibilidade dos torcedores visitantes.

Aliás, os torcedores andreenses puderam destacar também a ausência de extintor no local reservado para a torcida visitante, o que seria uma norma de segurança. Outra coisa que incomoda, mas que é bem equacionada pela Polícia Militar é a presença de uma sede de Torcida Uniformizada a poucos metros da entrada da torcida visitante (portão D).

O Palmeiras age dentro das normas de acessibilidade. O Estatuto do Torcedor diz em seu art.13, parágrafo único: “Será assegurado acessibilidade ao torcedor com deficiência física pessoa com deficiência físicaou com mobilidade reduzida”. Além disso, a Lei fala em até 1% reservado para acessibilidade. Não falam nada sobre torcedores visitantes.

Nesses casos, deve reinar o bom senso. O Rafael vai em todos os estádios de São Paulo, como o Nicolau Alayon, ou como o Rodolfo Crespi no Juventus e até na Arena Corinthians e nunca teve nenhum problema para assistir as partidas de seu time do coração nesses estádios. Em todos os casos, o acesso é tranquilo e sempre eles veem seus jogos na sua torcida, ao lado de seus amigos, sem sofrer constrangimentos

Rafael na Arena Barueri
Rafael no Estádio Santa Cruz em Ribeirão Preto

Causa espanto que em uma arena moderna, recém construída e que serve como orgulho dos palmeirenses, trate tão mal seus visitantes. Colocados em um canto, com ingressos a preços altíssimos e sem acesso a equipamentos de segurança (Extintor). E se você for cadeirante… é melhor ficar em casa, ou não torcer para o seu time se ele não for o Palmeiras.

Nós do Jornal Empoderado, um jornal que da voz aos invisíveis, nos sentimos tristes com o corrido com nosso colaborador Rafael, pois convivendo com ele sabemos o quão difícil é acessibilidade nesta cidade que não parece projetada para deficientes físicos.

Não temos a intenção de denegrir a imagem do Allianz Arena, queremos que ela humanize o tratamento com visitantes, em especial, quem tanto precisa do carinho que a torcida merecidamente palmeirense já recebe da administração alviverde. Por fim, agradecemos ao senhor “Bigode” pela atenção e sensibilidade dada ao ocorrido no dia.

Aguardamos até essa data a resposta do Palmeiras, através de seu Departamento competente, sem sucesso. Tão logo tenhamos um retorno com relação ao ocorrido, divulgaremos

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Alianz Park

Endereço: Rua Palestra Itália, nº 214 – Perdizes – São Paulo – SP – CEP 05005-030

Telefone: (11) 3874-6500

Horário de Funcionamento: Terça a sextas: 6h às 23h. Sábados, domingos e feriados: 6h às 19h!

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