A tentativa desesperada de preservar a lógica do golpe

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Já há algum tempo, ninguém tem mais dúvidas sobre a real motivação do golpe de Estado perpetrado contra Dilma em 2016: fazer a balança de ganhos pender para os ricos, fazer retroceder o pequeno avanço dos trabalhadores em favor dos endinheirados.

Depois de uma enxurrada de cortes nos direitos dos trabalhadores, eis que surge um movimento capaz de fazer tremer o acordo de classes dominantes que tomaram o poder. Não somente as fissuras foram evidenciadas, como o desespero para encontrar soluções que não arranhassem a lógica do golpe: ampliar os ganhos das elites, especialmente das elites financeiras.

Reparem que as tentativas de solução para terminar o movimento passaram sempre por redução de impostos e nunca por uma mudança nas políticas da Petrobras adotadas de 2016 para cá. Políticas compostas por seguir os preços internacionais dos combustíveis, por diminuir o refino, por vender óleo cru para o exterior e por importar derivados. Políticas que dão o tom para a greve dos petroleiros que está começando.

Será que Pedro Parente é intocável? Na verdade, parece que a explicação mais plausível é que a lógica do golpe de Estado estaria destruída se a direção da Petrobras voltar a ser regida por interesses do Brasil e dos brasileiros.

No momento em que escrevo (28/05), a ação preferencial da Petrobras está caindo 9%. Está sendo negociada perto dos R$ 18,00, depois de ter fechado a R$ 20,42 na sexta (25). Por que cai tanto? Bem, parece que temos um sinal importante de que o mercado financeiro desconfia que a lógica do golpe não sairá ilesa desse movimento dos caminhoneiros e apoiado pela sociedade.

Como a solução proposta pelo governo golpista, composto pelo PMDB e pelo PSDB, na noite do domingo, foi de redução de impostos. Teoricamente os interesses dos acionistas da Petrobras estariam preservados e o custo recairia sobre o orçamento do Estado. Não haveria razão para cair tão fortemente. Lembremos que no último dia 16 de maio, a ação da Petrobras chegou a ser negociada a R$ 27,23, uma queda de quase 35% desse período.

No entanto, como o mercado financeiro vive de expectativas quanto ao futuro, parece claro que a maioria vê rachaduras irreparáveis na nau golpista. Já impostas pelos caminhoneiros ou em vias de serem pelo petroleiros.

PS. A ação preferencial da Petrobras terminou o pregão de hoje, 28/05, cotada a R$ 16,91, queda de 14,6% ante sexta-feira, 25/05.

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