A neve e o comunismo, por Dirce Waltrick do Amarante

[...] mas eis que chegaram em Zurique e não havia neve nem estava frio. O casaco térmico da mulher, comprado num outlet em Nova York, nem saiu da mala.

Uma imagem de "Submersa", poema visual de Sérgio Medeiros

Por Dirce Waltrick do Amarante*

Início de dezembro, pegou o décimo terceiro salário, que naquela época ainda existia, e foi esquiar com a família em Mont Blanc, mas eis que chegou lá e não havia neve. Tiraram fotos em uma montanha cinzenta, feia, nem parecia a Europa no inverno. E quem ia acreditar que estiveram lá?

Se mandaram então para Zurique, nada como passar o Natal sob a neve, um Natal branquinho como o dos filmes de Hollywood, mas eis que chegaram em Zurique e não havia neve nem estava frio. O casaco térmico da mulher, comprado num outlet em Nova York, nem saiu da mala. Era o fim do mundo!

A última tentativa de pegar neve foi em São Petersburgo, mas eis que a única coisa que pegaram lá foi um resfriado. Depois de muito refletir, chegaram à conclusão de que a culpa da mudança climática era dos alarmistas climáticos de esquerda; e assim, aliviados, voltaram para o Brazil, que se escrevia com z há muito tempo.

*Pirralha de meia idade.

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Um comentário
  • Cleni Maria Accorsi
    15 dezembro 2019 at 13:38
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    Brilhante. Sintético. Verdadeiro. Sarcástico… Amei demais! ❤❤❤

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