A cena chocante de mais um dia de racismo normatizado no Brasil

Katia Passos e Sato do Brasil, Jornalistas Livres

Numa pesquisa rápida na internet o significado de MATA-LEÃO: Hadaka Jime ou Mata-Leão é um golpe de estrangulamento usado nas artes marciais japonesas, realizada pelas costas do oponente. É original do grupo de técnicas do jiu-jitsu brasileiro e judô, conhecido como shime waza. Em inglês, é conhecido como rear naked choke.As pessoas filmam, ninguém reage e o garoto Pedro Gonzaga é estrangulado e morto por um segurança do Extra Supermercados, unidade da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

Os demais seguranças também não fizeram nada, contemplaram o ar se esvaindo dos pulmões do menino. Sádicos, atrozes, assassinos.

Pessoas pegam seus celulares e como se o ato de registrar fosse muito mais importante do que salvar uma vida, filmam também sem fazer absolutamente nada. É uma das cenas mais perversas de se presenciar. O crime de racismo sequer foi considerado, pensado. O que queriam os “cinegrafistas amadores” que ali estavam era sangue, morte, horror. E conseguiram.

Mesmo sob apelo de uma mulher o segurança assassino que ali aplicava um mata-leão em Pedro, não parou. Ele estava “cheio de razão: “eu sei o que estou fazendo”, foi sua resposta para a mulher, que parou de suplicar.

As mãos e braços entrelaçando o pescoço de Pedro e o enorme e largo corpo daquele segurança cobriam o menino negro a ponto de ser quase impossível ver se ali havia realmente alguém sendo morto.

Mas havia sim mais um corpo negro sendo assasinado ali, na frente de muita gente, todos ali presentes sabiam. E que sadismo é esse que leva semelhantes a verem outro sendo morto e não fazerem nada, absolutamente nada?

Pedro é mais um corpo negro morto pela lógica trágica, criminosa e absurda do racismo.

Pedro era mais um negro, pobre, de chinelos, roupas simples. Ele tinha problemas psicológicos e era um provável usuário de drogas. Mas racistas preferem punir “gente assim”, preferem matar “gente assim”.

Os seguranças afirmam que existiu uma tentativa de furto, que o garoto havia tentado pegar a arma do policial. Incrivelmente, ninguém que estava no mercado corroborou com essa hipótese. E mesmo que isso tenha acontecido, é um caso para que o judiciário resolva e não para que um assassino a sangue frio traga como solução a morte do suposto “ladrão”. Para isso existem leis.

Queremos aqui lembrar que essa mesma rede, o Extra, em 2011, foi condenado e multado por constranger uma criança negra a comprovar vexatoriamente suas compras, causando um constrangimento ilegal. Racismo, racismo, racismo. Não existe outra palavra.

O segurança, que foi solto após pagar fiança, tem que ser julgado por homicídio doloso e não por homicídio culposo.

Mesmo sem o propósito de matar, aplicou um mata-leão que ocasionou a morte do menino.

Os outros seguranças também tem que ser julgados por homícidio culposo, por negligência.

Quem assistiu sem tomar nenhuma atitude, que levem em conta a sua porção de culpa.

O Extra Hipermercados, do Grupo Pão de Açuçar, culpados por liderar esse conceito racista de divisão de classes e de patrocinar um serviço, sem o mínimo preparo de segurança e proteção aos seus clientes, também deveria responder pelo crime de racismo e homicídio.

Até quando você vai normatizar situações como essa? Até quando o mundo vai continuar tratando a carne negra como a mais barata do mercado? Até quando?

A galera do portal Alma Preta Jornalismo postou esse vídeo com a cena. Aqui compartilhamos.

Os Jornalistas Livres acompanharão o desfecho dessa história nas próximas horas.

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