Vazamento de petróleo no mar e indiferença do governo geram fome no Nordeste

O Crime Socioambiental do Petróleo segue impune há 100 dias. Enquanto isso a fome bate na porta dos pescadores e o governador Paulo Camara (PSB) diz que não tem verba

por Raíssa Ebrahim

Semana retrasada aconteceu o encontro dos Pescadores e Pescadoras de Pernambuco, quando a categoria marchou para o Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo do Estado de Pernambuco, após a audiência pública na Assembleia Legislativa (ALEPE), para pressionar o executivo e entregar uma carta de reivindicações com seis pontos.

O Estado havia se comprometido a dar alguma resposta concreta para ajudar a resolver a fome de milhares de pessoas após o Crime Socioambiental do Petróleo, que segue impune há mais de 100 dias. A negociação, no entanto, não avançou, o governo de Paulo Câmara (PSB) diz não ter verba. Apesar de a responsabilidade ser do governo Bolsonaro, a categoria vem solicitando posicionamento e auxílio estadual também.

Pescadores e Pescadoras dizem não aguentar mais ouvir o estado empurrar a questão para o governo federal. Pernambuco é o único dos 11 estados atingidos pelo petróleo que possui uma Lei da Pesca, além de um comitê gestor, que não sai do lugar desde 2017.

A MP proposta pela presidência está tramitando no Congresso Nacional, mas às vésperas do recesso parlamentar, não há esperanças de que o auxílio proposto pelo Governo Federal, cerca de R$ 2 mil, pagos em duas parcelas, chegue à mesa de milhares de nordestinos e nordestinas que estão sobrevivendo num contexto de insegurança e ameaça à soberania alimentar.

ATUALIZAÇÃO:

A Caixa Econômica iniciou nesta segunda-feira (16) o pagamento da primeira parcela do auxílio emergencial pecuniário para os pescadores e as pescadoras profissionais artesanais de municípios da costa brasileira afetados pelo derramamento de petróleo e que possuem Registro Geral da Pesca (RGP).

A MP segue tramitando no Congresso na esperança de que o número de pessoas contempladas pelo auxílio federal seja ampliado, já que o RGP não é atualizado desde 2012 e quem vive em municípios que não foram diretamente atingidos também estão sem conseguir vender os pescados.

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