Teatro pela democracia

Por Inês Garçoni, especial para Jornalistas Livres

Foto: Mídia Ninja

O ato organizado pela classe teatral do Rio, na Fundição Progresso, no coração da Lapa, recebeu mais de 1 mil pessoas, segundo os organizadores — “e apenas 25, segundo a PM”, brincou o ator Ivan Sugahara, no palco, tendo ao fundo duas grandes faixas brancas onde se lia “Teatro pela Democracia” e “Não vai ter golpe!” Organizaram a ação Angela Leite Lopes, Enrique Diaz, Flora Sussekind, Gabriela Carneiro da Cunha, Ivan Sugahara, Lívia Paiva, Patrick Sampaio e Tárik Puggina.

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O encontro reuniu não só a classe artística, mas também intelectuais, escritores, professores e jornalistas. Leituras de textos autorais contra o golpe em curso na democracia brasileira, contra o impeachment da presidente Dilma e até trechos de Amos Oz e Bertold Brecht foram ovacionadas e, muitas vezes, interrompidas pela plateia ao som de “não vai ter golpe” e “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”. 

A atriz Elisa Lucinda, num dos textos mais aplaudidos da noite, falou sobre o episódio polêmico envolvendo a classe artística nos últimos dias: “Caludio Botelho, a casa caiu!”. E continuou: “Eu espero que sirva para que a classe se posicione”. Quando mencionou a “dignidade” da atriz Soraya Ravenle, interlocutora de Botelho no áudio, foi ovacionada.

Estiveram presentes ainda o escritor Marcelo Rubens Paiva, a cantora Teresa Cristina, Viviane Mosé, o cineasta a Silvio Tendler, os atores Leonardo Neto, Luiza Arraes, Joao Pedro Zappa, o diretor Amir Haddad e o poeta Chacal – que, depois de pedir desculpas por ter “um dia trabalhado na TV Globo”, disse que, enquanto “a mídia brada aos berros pela liberdade de expressão enquanto o que falta é igualdade de expressão”.

O ator Gregório Duvivier ressaltou o fato de que o ato não era de adesão aos governos Dilma e Lula, mas sim da democracia. “Mas a direita nos colocou nesse paradoxo: defender o indefensável. Está servindo para nos unir — nós (a esquerda), que andamos sempre tão separados. O que nos define é que a gente quer mudança, e vejo 1 trilhão de dissonâncias, mas são muito mais coisas que nos unem do que nos separam.”

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Ao microfone, vários artistas fizeram críticas ao governo, especialmente à política de favorecimento do agronegócio e à aliança com o PMDB. Duvivier, inclusive, pediu o fim do apoio do PT ao candidato Pedro Paulo à Prefeitura do Rio por conta das suspeitas de agressões a sua ex-mulher.

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GolpeRio de Janeiro
Um comentário
  • valeria sostena
    21 março 2016 at 23:52
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    amgos, por favor, corrijam o texto: Bertolt Brecht

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