Quer entender as limitações de sua branquitude?

Algumas pessoas têm achado que letramento racial é devorar a cultura negra, ler todas as autoras, saber todos os termos, se envolver com todas as manifestações culturais. muitas equivalem sua ação antirracista a essas práticas, por isso no dia 29/09, em SP, a escritora Tatiana Nascimento convida todas e todes para conversar sobre isso em seu próximo curso. 

Texto extraído de post da página do Facebook da autora, Tatiana Nascimento

Não é garantia de antirracismo ser pessoa branca adepta de manifestações culturais negras: seja candomblecista, umbandista, jongueira, no maracatu, no cavalo marinho, nascida e criada em Salvador, casada com ativista negrx, melhor amiga de pessoa negra, pesquisadora desde a graduação até o pós-doc da obra de autorx negrx, filha de pessoa negra, tendo morado vinte anos “na áfrica”… nada disso redime nenhuma pessoa branca de sua própria branquitude.

Não a isenta do racismo.

Não a salvaguarda de parecer branca, viver como branca, ser tratada como branca num país que mata, prende, violenta, desumaniza pessoas por serem negras. […] querer fazer de alguma forma de arte / cultura negra sua afirmação de luta contra o racismo, querer fazer da “causa negra” sua “causa de estimação”, é racista.

Não estou entrando aqui no mérito da discussão sobre apropriação cultural (não me instiga, como tem sido feita); nem emitindo meu parecer sobre se pessoas brancas podem ou não, devem ou não praticar determinado esporte, usar determinado penteado, frequentar determinado contexto religioso – esse não é o ponto, pra mim, mas sim: por que pessoas brancas que se envolvem com manifestações culturais negras, ou que “abraçam a causa antirracista”, acham que isso é o suficiente pra magicamente livrá-las de serem racistas ou isentá-las de sua própria branquitude?

Por mais que o cerne do racismo seja a branquitude, as tentativas de exercer protagonismo na luta antirracista que são frequentemente feitas por pessoas brancas são profundamente racistas porque têm como objetivo do autoescrutínio da branquitude y seus consequentes privilégios um afã salvacionista de princesa-isabel pautado pelo estoicismo de mártir aprendido com a matriz moral da colonialidade, o catolicismo.

Esse trecho é parte do ensaio “privilégio branco: uma questão feminista (?)” que vai ser publicado no mês que vem em parceria @pade.editorial + kuanza produções (de cidinha da silva). Também é parte das reflexões que apresento no curso sobre privilégio branco, culpa branca, ação antirracista, reparação y vai rolar em são paulo, salvador, y recife.

inscrições: bit.ly/privilégiobranco

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