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Por Leandro Pedrosa, especial para os Jornalistas Livres

Inconformados com a farsa indecente do tribunal de Porto Alegre, representantes da oposição têm pregado a desobediência civil como arma de resistência. Em outras palavras, não dá para aceitar que as instituições ditas democráticas atuem contra o povo de forma tão descarada. E é fato: confrontadas com qualquer pesquisa de opinião, as medidas da quadrilha de Michel Temer, do Judiciário desacreditado e do Congresso movido a dinheiro grosso vão em sentido completamente oposto ao que o Brasil deseja. Por que então respeitá-las?

O raciocínio está certo na essência, mas as ideias só se tornam uma força de mudança ou expressão material quando ganham as grandes massas. Sem isso, viram gritos parados no ar, teses de academia ou expedientes para ilustrar biografias timoratas.

Cabe reconhecer que a gangue golpista vem impondo derrotas institucionais ao povo, uma atrás da outra. Derrubou uma presidenta eleita, impôs uma reforma patronal apelidada de trabalhista, trama o fim da aposentadoria, vem entregando a principal riqueza nacional aos tubarões das finanças internacionais, blinda nos tribunais a direita –principalmente de plumagem tucana — e espera guilhotinar a maior liderança popular da história do país diante do espanto mundial.

Lula é condenado por ter um imóvel que não é seu, por lavar um dinheiro que não apareceu, por atos que são desconhecidos (“indeterminados” na palavra dos algozes) e é tratado como um fugitivo sem nunca ter fugido. Ninguém se engane: o plano, o desejo dos títeres que tomaram de assalto as três esferas de poder, sob comando do capital internacional e tendo como porta-voz a mídia tropical –o plano e desejo deles é encarcerar o líder disparado nas enquetes sobre as eleições de 2018 para sufocar na masmorra o sonho de qualquer um que imagine um país próspero, menos desigual e soberano nas suas decisões.

A ofensiva dos meios de comunicação apodrecidos não deixa dúvidas. Após o julgamento, os donos dos ditos grandes jornais e das redes de TV riem às gargalhadas. Surrupiando um espaço de concessão pública, alimentados por isenção de tributos e empanturrados com o dinheiro da publicidade paga com impostos de todo o povo, esses abutres de ofício fazem troça das vozes que se insurgem contra o estado de exceção. A máfia dos Marinhos, a irmandade Frias, os Mesquitas falidos, os Civita de aluguel, os Saad “terratenientes” e colunistas a seu serviço oferecem como prêmio de consolação ao povo uma “democracia” em que eles escolhem quem pode ou não participar.

A resposta a isso, porém, não pode ser apenas a verborragia radicalizada, sob pena de se cair no jogo do adversário. É preciso ganhar a adesão MILITANTE dos milhões de desempregadas e desempregados, dos jovens privados do futuro, dos trabalhadores lançados à condição de boias-frias “legalizados”. Cumpre organizar a resistência, e para isso não basta discurso.

Os responsáveis por transformar em “força material” a insatisfação generalizada têm que tomar consciência da sua responsabilidade. De nada adianta anunciar “greve geral” a cada duas semanas, como se as lideranças sindicais brasileiras fossem capazes, como as argentinas, por exemplo, de colocar do dia para a noite trezentas mil pessoas nas ruas em manifestações. Essa prática ufanista só faz desmoralizar as forças progressistas.

Um metalúrgico, bancário, comerciário precisa ser conquistado no seu lugar de trabalho; um jovem, no seu local de estudo; os desempregados, nos bairros em que vivem. Pergunta: quanto comitês em defesa de Lula, de adesão ao abaixo-assinado por eleições sem fraude, de rejeição à reforma patronal e contra o fim da aposentadoria foram criados pelos burocratas especializados em bradar greve geral e desobediência civil? A resposta todos sabem e já diz tudo sobre o momento atual.

As mudanças são feitas por cidadãos de carne e osso, que têm compromissos com a família, medo de perder o emprego, de deixar de prover seus filhos e, isto mesmo, de sair em campo colocando em risco a própria vida diante do monopólio das armas nas mãos dos golpistas. Cada um destes brasileiros precisa estar convencido de que é possível ganhar porque, além de a causa ser justa, não está sozinho. Um empregado numa fábrica precisa saber que seus companheiros de trabalho estão juntos com ele neste combate. Isso só se faz com organização cotidiana.

Os golpistas sabem disso, tanto que operam incessantemente para desmoralizar a resistência. Além da lavagem cerebral diária praticada pela mídia calhorda, trataram de cortar os fundos da imprensa independente, asfixiar financeiramente os sindicatos e humilhar, pelo desemprego seletivo, as correntes de oposição.

Os dirigentes progressistas devem demonstrar nos atos que percebem o tamanho da batalha. A vitória não está garantida automaticamente porque o “povo é contra”. Menos conversa e mais trabalho. Na base, no chão de fábrica, não nas saletas refrigeradas de lideranças sindicais e parlamentares que já têm a vida ganha no fim do mês. Lula é um exemplo a ser seguido. Poderia muito bem refestelar-se no conforto à base de palestras e convites dignos de quem deixou o governo com quase 90% de popularidade. Mas não. Viaja pelo país de ônibus, sem benesses materiais ou qualquer outro conforto, sempre para se manter ligado ao povo.

Cara a cara. Olho no olho. Lado a Lado. Este é o caminho; o resto é derrota garantida.

COMENTÁRIOS

  • GOLPE É O CARVALHO ! ! ! O MOLUSCO NA PRISÃO COMUM JUNTO DO TIÃO PÉ DE MESA ! NÃO TEVE GOLPE NENHUM SEU DESINFORMADO MORTADELA ! QUEM FEZ GOLPE FOI O MOLUSCO ROUBANDO O POVO BRASILEIRO ! MENSALÃO, PETROLAO. APS SITIO …

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