O cotidiano de uma estudante confinada em Paris

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Vim para Paris passar um semestre estudando mediação cultural na famosa Sorbonne. Era para ser um semestre, mas agora quem sabe quando vou conseguir voltar?

Faz mais de duas semanas que não saio da minha kitnet de 20 metros quadrados, e o meu maior conforto são os livros, minhas eternas tarefas (sorte que peguei 10 matérias, ainda tenho muita coisa para fazer), e Netflix.

Meus colegas andam fazendo algumas festinhas e jantas em comum. Irresponsável? Sim, mas isso afinal é uma residência estudantil…Meio difícil realmente se isolar. Meu vizinho é pintor, e organizou uma exposição com suas obras no corredor, e me senti um pouquinho mais próxima do Brasil, já que em suas pinturas vemos a capoeira, o candomblé, o nordeste.

Exposição das obras de Elian Almeida no corredor da residência

O semestre aqui não parou, e essa semana ainda tive uma prova: escrever sobre a mulher na imprensa da França entre o século XVIII e XX. Minhas provas já estão disponíveis online, e tenho um determinado prazo para fazê-las, assim como as tarefas. Para as apresentações preciso enviar vídeos com os slides, dá mais trabalho do que se estivesse em aula presencial.

A universidade está disponibilizando um fundo de 100 euros para cada estudante que se encontre em dificuldade, ao contrário do Brasil, que parou de pagar os benefícios para os estudantes, a França está sendo mais solidária do que nunca: água, luz, todas as contas relacionadas ao governo (já que água aqui é um bem público), foram suspensas.

Apartamento disponibilizado pelo governo francês (CROUS) para estudantes

Também temos várias iniciativas das universidades, como atendimento psicológico por telefone, compartilhamento de experiências por um mural online, onde você pode responder às questões anonimamente (desde de qual sua trilha sonora na quarentena até a o que está sentindo falta), e recebo praticamente todo dia e-mail deles perguntando como estamos, se precisamos de algo.

Pela janela consigo ver quem está nas ruas, e como o meu bairro é periférico, majoritariamente imigrante, árabe e negro, ainda consigo escutar as diversas línguas que antes ouvia no metrô (daqui até a minha universidade, de metrô, são quarenta minutos, e uma vez, de manhã cedo, contei mais de 12 línguas diferentes), pela janela.

Paisagem da janela: os vizinhos

Ainda tem gente nas ruas, apesar de poucas, e todos os dias às 20h da noite as pessoas saem nas suas janelas para aplaudir os esforços dos médicos. Ao menos aqui no meu bairro, elas também gritam, algumas cantam e às vezes até colocam música. É também o momento de interação das pessoas, onde umas veem as outras e sorriem, como se dissessem: ainda resistimos.

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