Há presos políticos, vacinas em declínio, a volta da fome, centenas de milhares de homens e mulheres nos presídios, intervenção militar no Rio, milhões morando em calçadas país afora, novos povos indígenas isolados e condenados, destruição de rios e florestas.
Nos ronda o caos. Sob os Arcos da Lapa, Chico Buarque cantou novamente pedindo liberdade: já lhe dei meu corpo, minha alegria. Nosso coração não vai em paz, pode ser a gota d’água. Como beber dessa bebida amarga, questiona o poeta novamente.
Há candidato fascista que encanta à presidência. O que foi que deu em nós?

Todo um país que ensaiávamos, nossas vontades, zelos e reciprocidades parecem que vão pelo ralo, a democracia e justiça que relutam em instalar-se se esvaem. Todas formas de opressão se manifestam nesse momento, dúvidas, arrenegos, ventanias.
Muitos saíram de cena, outros tantos apenas mudaram a fantasia e seguem no blefe. A corte diz que passa o país a limpo, vemos que não, mudam-se apenas alguns jogadores, as caçapas são as mesmas.
Há uma indecência a vencer ética, direitos e futuro. Calam-se lideranças com tiros nos rincões, outros guardam-se entre grades para que fiquem mudos.
As cadeiras dançam, os fantasmas insistem; há aridez, sede e copos sujos.
*imagem de capa por Mario Cravo Neto.
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