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NOTA DE DOCENTES CAMETAENSES EM DEFESA DA EDUCAÇÃO E DEMOCRACIA

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Nós, professoras e professores de Cametá, acreditamos em uma EDUCAÇÃO pautada na DEMOCRACIA, contra qualquer forma de ditadura, no CONHECIMENTO, contra a ignorância, na VERDADE, contra a mentira, no RESPEITO, contra a intolerância, na LIBERDADE, contra a opressão, na IGUALDADE de direitos, contra os privilégios, no direito à VIDA, contra o extermínio de pessoas e grupos, e no AMOR, contra o ódio.

Nesse contexto de eleições para Presidente da República no Brasil, acreditamos que as propostas apresentadas não devem, em hipótese alguma, representar um retrocesso na nossa história, indo de encontro ao acúmulo de avanços que conquistamos mediante muita luta e sacrifício. No que tange à Educação, propostas que pretendam transformar o ensino presencial em ensino a distância podem significar o fechamento de inúmeras escolas e creches por todo o país, além da demissão em massa dos professores, merendeiras, porteiros, agentes de serviços gerais e de vários outros trabalhadores em Educação. A educação é o mais importante caminho para a superação da histórica desigualdade social existente no país e de emancipação política, cultural e intelectual em uma sociedade que não abre mão de um presente digno e de um futuro mais plural e fraterno. Daí ser fundamental o envolvimento de todas e todos e a luta de cada um e de cada uma em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade social. E que esta educação possa ser comandada por pessoas realmente competentes, tendo em vista os desafios colocados pelo contexto atual do Brasil.É necessário, é preciso, é urgente mesmo lutar pela revogação da emenda constitucional que proíbe os investimentos sociais, em educação inclusive, por vinte anos; bem como, é necessário barrar a contrarreforma imposta ao Ensino Médio e combater o projeto nefasto da escola sem partido.

Ademais, repudiamos a forma como candidatos que, ao longo de suas carreiras políticas, têm desvalorizado as formas de expressão e os direitos historicamente conquistados pelos negros, movimentos LGBT, indígenas, quilombolas e de mulheres.

Defender ideias e valores que disseminam o ódio e a violência contra a diversidade, ignorar a exploração à qual tem sido sujeitada a classe trabalhadora do nosso país, não reconhecer as lutas pelo direito à terra do MST, desmerecendo todos os movimentos sociais, sindicatos e demais mecanismos de organização dos trabalhadores, tudo isso significa uma volta a um estado ditatorial, com todos os seus horrores que desrespeitam os direitos humanos. Por isso dizemos em uma só voz: Ditadura nunca mais! Democracia sempre! Contra o avanço do fascismo e da intolerância, faz-se necessário que nos unamos em defesa da democracia, da liberdade de expressão, da nossa soberania e da própria vida.

  1. Prof. Dorielson R. Gaia
  2. Prof. Benedito Machado Teles Filho
  3. Prof. Pedro Valmir Guimarães Souza
  4. Prof. André Luis Franco Lopes
  5. Profa. Cássia Arnaud
  6. Prof. Neilson Gaia
  7. Prof. Doriedson S. Rodrigues
  8. Profa. Glaucileny Lopes
  9. Prof. Paulo de Tarso Correa de Paula
  10. Prof. Osvaldo Castro (Lampa)
  11. Profa. Vilma Miranda
  12. Prof. Nilton Oliveira
  13. Prof. Evandro Rodrigues🇭🇰
  14. Prof. Raimundo Nonato Gaia Corrêa
  15. Profa. Gisély Damasceno Furtado
  16. Profa. Maria da Conceição Barra
  17. Prof. Marcel Ribeiro Padinha
  18. Profa. Alice do Socorro Louzada Moraes
  19. Profa. Klivia Cordeiro
  20. Profa. Edna Maria Corrêa
  21. Prof. Alexandre Pantoja
  22. Profa. Maria das Graças Gonçalves
  23. Profa. Sara Corrêa Dias
  24. Profa. Lidiane de Jesus G. Silva
  25. Prof. Hugo do Carmo Sanches
  26. Profa. Darcielly da Silva Cardoso Cardoso
  27. Prof. Messias Vanzeler de Morais
  28. Prof. Roble C. Moraes Tenório
  29. Prof. Osvaldo dos Santos Machado
  30. Prof. João Miranda Furtado
  31. Profa. Joex Pinto Wanzeler
  32. Prof. Benedito N. Sacramento
  33. Profa. Gilma Guimaraes Lisboa
  34. Prof. Nattan Nahum
  35. Prof. Carlos Alberto Amorim Caldas
  36. Prof. Marcos Luís Pereira Fonseca.
  37. Prof. Adenil Alves Rodrigues
  38. Prof. Vandreia de O. Rodrigues
  39. Prof. Cassio Freitas
40. Prof. Raimundo Nonato Bacha Lopes (Natinho Bacha)
41. Profa. Nazaré Xavier
42. Profa. Josilma Maciel Matos
43. Prof. Eraldo Cunha Siqueira
44. Prof. Ivaldo Pinheiro Rodrigues
45. Prof. Dilma Cardoso Pereira
46. Profa. Vergiliana dos Santos Corrêa
47- Prof. Adonai do socorro da Cruz Gonçalves
48- Prof. Daniel N. R. Gaia
49- Prof. Fátima Meireles
50- Prof. Cristiane do Socorro Farias de Farias
51- Prof. Paulo Renato Camargo Lacerda
52- Prof. José Domingos Fernandes Barra (Zé Domingos)
53- Profa. Rhana Beatriz Maia de Freitas
54- Profa. Rosivalda Rodrigues Corrêa
55- Prof. José Orlando Ferreira de Miranda Júnior
56- Prof. Rosilene Ferreira Almeida
57- Prof. Irá Mendes
58 – Prof. Cristiano Ramos
59- Prof. José do Carmo Louzada D’Albuquerque
60- Prof. Dael Cardoso Pereira
61- Profa Carla Alice Faial
62-Profa. Vera Lúcia de Cristo Lobato:triangular_flag_on_post:
63- Profa. Vanilce Barroso Miranda
64- Prof. Salete Aqui me
65- Prof. Egídio Martins
66- Prof. Valdiléia Silva
67-Prof. Maria Isabel Batista Rodrigues
68 – Prof. Fabiana Vasconcelos da Cruz
69 – Prof. Francinaldo Mares
70 – Prof. Fatima Mariza de Assis Mota
71 – Prof. José Antônio Capela da Paixão.
72 – Prof. Maurício Bastos da Silva
73 – Prof. Natanael da Cunha Rodrigues
74 – Prof. Mateus Levi Wanzeler de Morais
75 – Profa. Maria Helena Costa
76 – Prof. Miqueis Wanzeler Moraes
77- Prof. Vamilson Farias Oliveira
78- Profa. Roseli Cunha de Freitas
79 – Prof. Warllen Barros de Souza
80 – Prof. Eraldo Souza do Carmo
81- Profa. Maria Sueli Corrêa dos Prazeres
82 – Profa. Flordemira da Silva Ferreira
83 – Profa. Lenise Maria da Silva Ferreira
84- Prof. Geovan da Silva Araujo
85 – Prof. Welington Morais Ferreira
86- Prof. Pedro Pompeu
87- Prof. Cledson dos Prazeres Viana
88 – Prof. Eder de Jesus de Sousa Pantoja
89 – Prof. Jerfferson Valente de Brito
90 – Prof. Elson de Sousa Dias
91- Prof. Paulo Roberto A. Tavares
92- Profa. Maria das Graças Ribeiro Rodrigues
93- Prof. Mario Jr. de Carvalho Arnaud
94- Prof. Emerson da Silva Sanches
95 – Profa. Gabriela Costa Faval
96 – Profa. Alessandra Sena dos Santos
97 – Profa. Ivana Moura Viana
98 – Profa. Kaciane Louzada
99. Profa.Rosiane Cruz do Carmo
100- Prof. Vinicio da Silva Nascimento CUT/PA
101 – Profa. Miria Deise Caldas Albuquerque
102 – Profa. Meury Greece Caldas Farias
103 – Prof. Ribamar da Silva Farias.
104. Prof. Rubens da Costa Ferreira
105. Prof. Madalena Furtado
106. Prof. Dejanil Machado Arnaud
107. Profa. Rosemeire Souza
108. Profa. Maria Rosilda Pantoja Assunção
109. Profa. Neusiane de Nazaré Coelho de Melo
110. Prof Cláudio Farias de Almeida Junior
111- Prof Jeibson Ribeiro
112 – Profa. Ellen Rodrigues da Silva Miranda
113- Profa. Tayana Borges de Oliveira 114- Profa Luzeli Nunes Albuquerque
115 – Prof Alda Lúcia Rodrigues da Silva.
116- Prof Jailson Cruz Gaia
117 – Profa Jercisandra da Silva Alves
118 – Profa Nizandria dos Santos Pompeu
119. Profa Ieda de Fátima Pinto Barradas
120- Prof. Jair Pinto Mendonça
121 – Prof. Anderson de Jesus Gomes Valente
122 – Prof. Cinnamorlinda de Belem Pantoja de Lima Cabral
123- Prof. Laércio Farias da Costa
124- Profa. Alana Martins de Miranda
125 – Prof. Luís Valente
126- Prof. João Batista do Carmo Silva
127. Prof. Raimundo Barra
128. Prof. Edimilson Ramos Marques Gaia
129. Prof. Jorge Domingues
130. Prof Arodinei Gaia
131. Prof. Geanice Baia Cruz
132. Prof. Leonardo do Socorro do Carmo Sanches :fist:🏽
133- Prof. Rosely Xavier Alves
134- Peof. Daniel Pureza Martins
135- Prof. Nilza da Costa Baía.
136- Prof. Jeovane Manuel Ribeiro da Cruz
137 – Prof. Walcinei Pimentel Carvalho
138 – Prof. Altair lobo de Jesus
139 – Prof. Adélcio do Carmo Fiel
140 – Prof. Assis do Carmo Fiel
141 – Prof. John Állef Alves Vieira
142 – Profa. Delcilene Sanches Furtado
143 – Prof. Vilma Ribeiro Cruz
144 – Prof. Alcindo Vasconcelos Caldas
145 – Profa. Leila Maria dos Santos.
146- Profa. Nilma dos Santos Lobato.
147 – Prof. José Márcio dos Santos Pereira
148 – Prof Fabiany Marcela Sousa
149- Prof Ilaci Júnior.
150 – Prof. Cássio de Freita
151- Prof. Helena Patricia B. Martins
152- Prof. Ana Claudia Ferreira Valente
153- Prof. Paulo Sérgio Pantoja Teles
154- Profa. Maria de Nazaré Cardoso Castro
155- Deolinda Alice Duarte Cordeiro
156 – Profa. Arlete Maria de Freitas Valente
157- Liliane Corrêa Arnaud
158. Prof Gerdson Luiz de Oliveira Gaia
159 – Profa. Marcia do Socorro Caldas Garcia
160 – Alessandra Sena dos Santos
161 – Prof. Radir Wilson Alfaia Moreira
162 – Profa. Verônica Guedes Veiga
163- Prof. Joana Pompeu Vila Real
164- Prof. Sebastião Moraes Pompeu
165- Prof. Manoel Luís Gonçalves Nogueira
166- Prof. Marco Antônio de Freitas Sabóia
167- Prof. Lúcia Helena Silva Lacerda
168- Prof. Tobias Gomes Martins
169- Prof. Raimundo Rodrigues da Silva
170- Prof. Joyce Elizete do Carmo Botelho
171 – Profa. Maria José Borges da Silva
172 – Prof. Rosinaldo do Espírito Santo Cunha
173 – profa Cláudia Martins de Sena
174- Prof. José Carlos Vanzeler Pompeu
175- Benedito Moreira Serrão
176- Prof. Maria Dulcirene Freitas Corrêa
177- Prof. Maria Lucilena Gonzaga Costa Tavares
178- Prof. Ana Carina Ferreira Maia
179 – Profa Helenise de Nazaré Correa da Cunha
180 – Profa Maria de Fátima Gaia Correa
181- Prof. Aliciete Maria Freitas Valente
182- Prof. Ângela Vasconcelos
183- Prof. Christiane Lira
184- Prof. Hélio Vasconcelos
185- Prof. Dileuza do Carmo Cruz
186- Prof. Benedita Celeste M. Pinto
187- Afonso Estumano do Carmo
188- Prof. Beatriz de Fátima Lopes Barata
189- Prof. Rosilene G. Pereira
190- Prof. Joana Gomes Pompeu
191- Prof. Maria do Socorro de Oliveira
192- Leandro de Jesus Baia
193 – Jone Clebson Ribeiro Mendes
194- Prof. Edilene do Socorro Corrêa
195 – Luíza de Marillac Estumano Martins
196- Prof. Dr. Vereador Célio Viana
197- Prof. Maridalva dos Prazeres Araújo
198- Prof. Fred Alfaia
199- Prof. Dr. Gilmar Pereira da Silva
200- Prof. Raimundo Afonso Machado
201 – Prof. Higor Marçal Leitão Costa
202- Prof. Elielma de Freitas Sales
203- Prof. Alaci pereira de Carvalho
204- Prof. Adjaime Costa Gomes
205- Profa Gessyca Karoline Cardoso Wanzeler
206- Prof Jaelson do Carmo Cardoso Castro
207 – Prof Fábio Moraes Lopes
208 – Prof. Paulo Vicente M. de Macedo
209 – Prof. Dejanilson Machado Arnaud
210 – Profa. Ana Maria Raiol da Costa
211 – Prof. Arlenice Raimundo Moraes Filgueira
212- Prof Jaqueline Mendes Bastos
213- Prof. Waldirene da Veiga de Oliveira
214- Prof. Édson Pantoja Nunes
215- Prof. Fernanda Serrão Carneiro
216 – Profa. Ivana Moura Viana.
217 – Profa. Adriana Viana Valente Cardoso
218 – Profa. Jehny Adrianny Alves Vieira
219 – Profa. Maria Eledícia Rodrigues Coelho
220 – Profa. Márcia do Socorro Coêlho de Oliveira
221 – Prof. João Furtado
222 – Gilcilene Dias da Costa
223 – José Valdinei Albuquerque Miranda
224 – Profa. Adriane Santos Siqueira
225 – Yasmim Fonseca Amaral
226 – Michel Douglas Paz Braga
227 – Profa. Caroline Do Socorro Freitas Maciel
228 – Prof. Natalino Laredo Dos Santos

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Geral

A satanização do Irã pela mídia ocidental, um processo em desconstrução

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Eduardo Nunes Campos*

Desde 1979, ano da Revolução Islâmica, o Irã e a sociedade iraniana são rotulados mundo afora como símbolos de terrorismo, de crueldade, de violência, de preconceito. Essa imagem foi sendo sistematicamente construída pelo mainstream ocidental, através das grandes mídias e do cinema, sobretudo a partir dos Estados Unidos e da Europa, em especial o Reino Unido, de seus aliados em outros continentes e dos vizinhos árabes da civilização persa.
Para além das mudanças internas promovidas pelas lideranças xiitas que assumiram o poder, o Irã, antes totalmente subjugado aos interesses dos Estados Unidos e da Inglaterra, tornou-se o país mais anti-imperialista do mundo, minando o poder do Império na Ásia Ocidental. A região passou a ser taxada de Oriente Médio a partir do final do século XIX, refletindo a visão eurocêntrica do continente, que se considerava a grande referência histórica e cultural do planeta.
O isolamento do país na região se expressa na criação do Conselho de Cooperação do Golfo, em 1981, constituído pela Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes, Kwait e Omã. O surgimento da instituição reflete a desconfiança desses países em relação à Revolução Islâmica, mas é instigado pelos Estados Unidos. Em 1980 emerge a “Doutrina Carter”, segundo a qual o país usaria força militar para defender seus interesses no Golfo Pérsico, mirando sobretudo o petróleo e em contraposição à invasão do Afeganistão pela União Soviética. A partir da chamada “Guerra do Golfo” (1990-1991), bases estadunidenses foram instaladas em todos os países do Conselho.

Irã Mall Foto: Eduardo Campos

A construção da imagem do Irã como um Estado terrorista contradiz sua história. Desde o final do século XVIII o país não ataca nenhum outro, a não ser revidando agressões sofridas. É oponente declarado das facções islâmicas extremistas e sectárias, como os salafistas, aos quais se vinculam o Al-Qaeda e o Estado Islâmico.
Essa falsa imagem do país forjada pelo Ocidente atingiu diretamente os iranianos, que passaram a ser vistos como um povo violento, atrasado e preconceituoso. A iranofobia é uma junção de estereótipos, xenofobia e islamofobia. O que a torna mais grave ainda é o fato de ter sido assimilada por parte expressiva do mundo progressista, em função da escassez ou mesmo da inexistência, até recentemente, de canais globais de alcance significativo capazes de fazer uma contraposição efetiva ao mainstream.
Ao contrário da visão propagandeada, os iranianos são muito inteligentes e cultos. Amantes das artes, são historicamente conhecidos por sua tapeçaria única, destacando-se também sua arquitetura, a poesia, a música, a caligrafia como arte visual e a produção de filmes excepcionais. Seu lazer inclui também a prática sistemática dos piqueniques envolvendo familiares e amigos.

Destaca-se ainda em sua cultura a celebração do Ano Novo, o Nowruz, que se inicia entre 20 e 21 de março, quando começa a primavera, e se estende por 13 dias. Na véspera da última quarta-feira do ano persa realiza-se um ritual de fogo por todo o país, chamado “Chaharshanbe Suri”, que tem origem no zoroastrismo. As pessoas acendem fogueiras em espaços abertos ao longo da noite e saltam sobre as chamas para se purificar e afastar o que de negativo aconteceu no ano que se passou e emanar energias positivas e saúde para o ano que se inicia.

Ritual de fogo “Chaharshanbe Suri” Foto: Eduardo Campos

A sociedade apresenta traços de modernidade que contrastam com outros de natureza conservadora. O homem é considerado o provedor da família e tem que oferecer um dote à mulher quando se casam, mas contingente significativo de mulheres já tem seu lugar no mercado de trabalho. As mulheres, a despeito das restrições que lhes são impostas pela República Islâmica, cujas normas têm forte componente machista, ocupam posição de relevo em várias áreas, constituindo cerca de 60% dos estudantes universitários do país, com destaque para sua presença nas áreas de Engenharia e Ciências.

O índice de natalidade é baixo e o de alfabetização próximo dos 90%, sendo de quase 100% entre os jovens. A taxa de divórcio é elevada, superior a 50% em algumas grandes cidades, sendo parte dessa taxa derivada da pressão da mulher sobre o marido para pagar o dote ou aceitar a separação. As taxas de feminicídio não são conhecidas, mas não há indícios de que sejam elevadas. A legislação, contudo, é leniente com o marido que mata a esposa quando o adultério é inequivocamente comprovado, sendo perdoado ou recebendo uma pena leve, pelo fato de a traição da mulher, e apenas dela, ser considerada crime contra a honra.
Um dado curioso é que, apesar de o aborto e a homossexualidade serem vedados, o Irã é um dos países do mundo em que mais se realizam cirurgias de mudança de gênero, parte das quais custeadas pelo Estado. Está também no topo das rinoplastias, cirurgias para remodelar o nariz, percebidas cotidianamente nas ruas de Teerã. Em sentido contrário, raramente se encontra no Irã um homem usando gravata, vista como símbolo de opressão e da influência imperialista ocidental.
Os iranianos são doces, acolhedores e generosos, talvez como nenhum outro povo em todo o planeta. Estrangeiros que visitam o país são frequentemente convidados para jantares e chás em suas casas e, por vezes, até mesmo a se hospedarem nelas. Tratamento especial é dispensado aos visitantes, quaisquer que sejam eles, parentes, amigos ou aqueles até então desconhecidos. São sempre servidos em primeiro lugar e alvos de permanente atenção dos anfitriões.
A origem dessa hospitalidade e simpatia está na cultura persa e se expressa em um gesto de cortesia conhecido como “taarof”. Quando uma pessoa oferece alguma coisa a outra a praxe é inicialmente ouvir um “não, obrigado” como resposta. Se ela insiste é uma demonstração de que não se trata de uma oferta retórica, mas efetiva. Esse gesto polido é comum até mesmo quando se tem que fazer um pagamento de uma compra ou serviço prestado, quando o credor costuma recusar o dinheiro na primeira tentativa de quitação da dívida.
Mas há um fator adicional à cultura persa que ajuda a entender a postura simpática dos iranianos em relação aos estrangeiros que visitam o país: a consciência de que são um povo estereotipado, hostilizado e objeto de profundo preconceito ao redor do mundo. Sentem-se todos extremamente injustiçados com a visão discriminatória de que são vítimas, sejam os apoiadores da República Islâmica sejam seus opositores, que concordam, em maior ou menor grau, com críticas dirigidas ao sistema de poder e não admitem ser confundidos com ele.
Nem tudo, entretanto, são flores na sociedade iraniana para os não nativos no país. Os árabes, com quem são confundidos com frequência, são alvos de um enorme preconceito, cuja origem remonta ao passado de ambas as civilizações. Pertencem a grupos étnicos, linguísticos e culturais distintas, sendo a maioria dos iranianos de origem persa, havendo também um contingente significativo de azeris e curdos e em menor grau de outras etnias. Essa diversidade inclui até mesmo árabes, que constituem cerca de 2% da população nativa.
Adicionam-se às diferenças históricas as religiosas e as disputas pela hegemonia da região. Os iranianos que professam o islamismo são adeptos da corrente xiita, enquanto a maioria dos países árabes são de maioria sunita, exceção feita ao Iraque e ao Bahrein. Há também zoroastristas, judeus e cristãos no país e um número expressivo de seculares e ateus nas camadas mais jovens.
A guerra em curso e a primeira ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o país, em junho de 2025, estão tendo um papel importante na desconstrução dessa falsa imagem do Irã e de seu povo. A mídia convencional do Ocidente já não consegue esconder que o Irã é a vítima e não o algoz, ainda que continue se esforçando para sustentar que, em última instância, o país é o responsável pelos conflitos na região, e não a aliança entre o Império e os sionistas.
A unidade dos iranianos contra as agressões de que são alvos é um outro fator importante de desmascaramento da mídia mainstream. Não se trata de ignorar as contradições do país, o descontentamento de parcela considerável da população com a República Islâmica, mas de defender a sua soberania e da compreensão majoritária de que cabe aos iranianos, e tão somente a eles, resolverem os seus problemas internos.
O expressivo fortalecimento da mídia alternativa tem também cumprido um papel de grande relevo nesse processo. Cresce significativamente o alcance de canais progressistas no youtube, a plataforma substack, os sites contra-hegemônicos. Não por acaso, recente pesquisa feita a partir dos Estados Unidos constatou que Israel é hoje o país mais odiado do planeta, além de ter perdido o apoio da maioria da população estadunidense, o que seria impensável até alguns anos atrás.
O resgate das enormes qualidades do povo iraniano, de sua inteligência, de sua sabedoria e de sua cultura não deve ser visto apenas como uma reparação das injustiças que contra ele têm sido cometidas ao longo das últimas décadas, mas como um aprendizado para os segmentos progressistas da sociedade mundial que se deixaram enganar pelas falácias da mídia convencional do Ocidente. Ao mesmo tempo é imprescindível reconhecer e valorizar as ações anti-imperialistas da República Islâmica do Irã, independentemente de diferenças culturais ou mesmo ideológicas que se possa ter com ela.

(*) Jornalista

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Internacional

IRÃ: A GUERRA DAS CRIANÇAS

Irã se prepara para receber 20 milhões de peregrinos nas cerimônias de despedida do aiatolá Khamenei, que se iniciam na próxima sexta-feira (3)

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O Irã se prepara para uma colossal manifestação de unidade nacional a ser realizada durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que se iniciarão na próxima sexta-feira (3), quatro meses depois de seu assassinato, no dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra mais recente dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Há quatro meses, o presidente Donald Trump anunciava seu principal objetivo: derrubar a teocracia xiita, que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979, e se apossar das suas imensas reservas petrolíferas nacionais. Quatro meses depois, o Irã segue insubmisso já que logrou impor duras derrotas à coalizão EUA-Israel. E é nesse quadro, tendo conquistado um acordo de paz ainda frágil, que o Irã se organiza para receber estimados 20 milhões de peregrinos nas cerimônias fúnebres que homenagearão Ali Khamenei.

Uma pequena amostra desses preparativos foi o que os observadores brasileiros puderam testemunhar na noite de ontem, sob lua cheia e temperatura de 34 graus Celsius. Em uma praça no norte da capital Teerã, todas as noites desde o assassinato do dia 28 de fevereiro, se reúnem iranianos — a maioria deles praticantes da fé xiita — para homenagear o aiatolá Ali Khamenei, as 168 meninas com idades entre 7 e 12 anos, mortas por bombardeio americano no mesmo dia na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, e centenas de outras vítimas da guerra.

A delegação brasileira está hospedada em um hotel localizado a aproximadamente cem metros de um prédio que foi destruído por um bombardeio. As ruínas são visíveis. O clima nas ruas é de calma, mas de luto evidente. As cerimônias noturnas reúnem centenas de pessoas — e, em algumas cidades, milhares. Em Teerã, cidade de 10 milhões de habitantes, essas manifestações ocorrem simultaneamente em várias praças, espalhadas por vários bairros. Os participantes cantam, empunham bandeiras do Irã e choram abertamente. É impressionante o envolvimento das crianças iranianas nessas cerimônias.

O assassinato das 168 meninas na escola de Minab, gerou uma mobilização expressiva entre o público infantil. Na praça onde estive, crianças participavam da cerimônia: agitavam bandeiras, brincavam e cantavam músicas em homenagem às colegas mortas e ao líder supremo morto. “Podia ser eu”, disse um menino de 15 anos à reportagem, depois de sair com uma miniatura do drone Shahed-136, fabricado no Irã, arma de guerra “revolucionária”, segundo o comandante Robinson Farinazzo, da Marinha brasileira. Com um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o Shahed conseguiu confundir os sistemas de defesa dos EUA e esteve envolvido na derrubada de aeronaves norte-americanas e no ataque a navios cargueiros que se aventuraram pelo estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Cada miniatura do Shahed, impresso em 3D, e vendida na praça, saía pelo equivalente a US$ 3, mesmo preço da miniatura do míssil Fattah-1, outra jóia do arsenal iraniano, um míssil “hipersônico” que viaja em direção ao seu alvo a uma velocidade cinco vezes maior do que a velocidade do som (cerca, 6.100 km/hora). Os meninos adoram.

Segundo a organização do enterro, o corpo do aiatolá Khamenei, em caixão fechado, deixará Teerã nos próximos dias e percorrerá cidades do Irã e do Iraque (Najaf e Karbala), onde se encontram santuários sagrados do islamismo. O enterro ocorrerá no local que ele determinou em testamento.

Segundo a agência de notícias iraniana Fars, uma cerimônia de homenagem para líderes estrangeiros e autoridades de alto escalão está prevista para 3 de julho em Teerã. Cerimônias públicas de despedida estão marcadas para os dias 4 e 5 de julho no Imam Khomeini Mosalla, na capital. Uma procissão fúnebre em Teerã está agendada para 6 de julho. Outras cerimônias estão programadas para 7 de julho em Qom, 8 de julho em Najaf e Karbala, e 9 de julho em Mashhad, cidade no nordeste do Irã, terra natal de Khamenei. Ele será sepultado no Santuário do Imam Reza, um dos locais mais sagrados do Islã xiita.

Em tempo: estou usando véu, em sinal de respeito aos preceitos religiosos xiitas. Também me visto de forma respeitosa em relação dos preceitos religiosos quando compareço a cerimônias católicas, evangélicas, judaicas ou do candomblé.  Mas, andando pela cidade de Teerã, vi muitas (muitas mesmo) mulheres sem véu. Trata-se de um sinal evidente de distensão da norma.

Por Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres

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Geral

O caso Mariana Ferrer, por Honoré de Balzac

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

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O caso Mariana Ferrer por Honoré de Balzac

Por Dirce Waltrick do Amarante*

Quando o escritor francês Honoré de Balzac teve acesso ao vídeo da audiência de Mariana Ferrer, ele decidiu escrever o Código dos homens honestos, isso nos idos de 1875, mas só agora estou tornando públicas suas palavras, que estavam sob segredo de justiça.  

Em uma análise bastante rigorosa, Balzac lembra, em primeiro lugar, que sabemos perfeitamente bem que “em princípio, ficou estabelecido que a justiça seria para todos, mas […]” . A tradução é de Léa Novaes, pois Balzac tinha dificuldade em escrever em português.

Dito isso, ele fala da figura do procurador. Em tempos idos, diz Balzac, os procuradores “levavam tão a sério o interesse de um cliente que chegavam a morrer por eles”. Além disso, eles “nunca frequentavam a sociedade”, e se a frequentassem eram vistos como “monstros”, mas hoje, “hoje tudo está monetarizado: já não se diz que Fulano foi nomeado procurador-geral, vai defender os interesses de sua província […]. Não, nada disso; o senhor Fulano acaba de conquistar um belo posto, procurador-geral, o que equivale a honorários de vinte mil francos […]”.

Balzac ia falar da figura do juiz e do defensor público, mas depois de tudo que assistiu ficou sem as palavras justas para descrevê-los.

Então, o escritor francês decidiu se debruçar sobre o papel do advogado, que “frequenta bailes, festas […] despreza tudo o que não é elegante”. E, diz Balzac, “Justiça seja feita aos advogados […]! São os decanos, os chefes, os santos, os deuses da arte de fazer fortuna com rapidez e com uma sagacidade que os torna merecedores de muitos elogios”.

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

Não citei na íntegra o texto do Balzac, porque foram esses os únicos fragmentos aos quais tive acesso, os outros foram apagados.  

*Formada em Direito, em 1992, na Universidade Federal de Santa Catarina

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