Nem por “Deus”, nem por “Jesus”. Pela pizza que nos custará caro demais

Câmara vota denúncia contra Temer - Por Lula Marques

 

Se foi por “Deus”, pelos “pais” e “netos” que a Câmara autorizou a instauração do processo que arrancaria Dilma Rousseff do cargo legitimamente conquistado nas urnas há exatos um ano e três meses, foi pela instituição “família” que a rede Globo dedicou aquele estratégico domingo de sua programação a fim de efetivar o golpe que então se instalara no país. Patos amarelos gigantes mostravam para o mundo do que seria capaz a tal pedalada fiscal questionada até hoje no meio jurídico, principalmente no que tange à consequente pena aplicada pela Lei.

Dada a largada à temporada do fascismo, a chefe de Estado foi eliminada por parlamentares que “elegantemente” a chamaram de “vaca” junto ao povo que sucumbiu à cegueira promovida por instituições de conluio com a classe patronal. Sendo assim, pelas reformas da Previdência e Trabalhista, afastaram Dilma, uma das poucas personalidades que saiu imune após as delações da Odebrecht.

Hoje, como previsto, a cúpula que sentenciou a petista – muitos deles réus, condenados e investigados na Lava Jato por corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, lesão corporal, entre tantos outros crimes – votou pela não admissibilidade do impeachment do vampiro Temer traidor. Personagem cujas acusações reúnem indícios efetivos, embora não tenha sido esse o entendimento da Comissão de Consolidação da Injustiça vulgarmente conhecida pela sigla CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

Ou seja, não bastou o registro das câmeras que mostram o ex-deputado Rocha Loures saindo às pressas da pizzaria com a famosa mala com os R$500 mil de propina para atender aos interesses empresariais de Joesley Batista. Tampouco teve relevância a gravação em que o dono do grupo JBS aparece com Temer em encontro extraoficial no Palácio do Jaburu. Dentre ‘patos’ e ‘vacas’ reinou o chiqueiro instaurado na tão frágil democracia de nosso país.

E enquanto Rodrigo Maia em manobra sórdida descumpria os regimentos da Casa objetivando, desesperadamente, safar o mandato do presidente impostor antes do horário nobre em que a maioria dos brasileiros encontra-se com o controle em mãos em frente à televisão, ainda impediu a entrada da população interessada em comparecer à Casa que deveria ser aberta para todos nós.

Se à imprensa branca coube ignorar a compra de votos da bancada golpista, fica a pergunta: se Michel Temer permitiu projeto de lei para diminuir 350 mil hectares da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, a fim de conquistar a bancada de 230 deputados ruralistas na Câmara e consequentemente garantir a derrubada da tramitação do processo, qual terá sido o montante ($) repassado a cada parlamentar ali que hoje, arriscou a própria cabeça frente ao eleitorado que o elegeu e o manteve no poder para safá-lo dessa?

Nas palavras proferidas nesta tarde pela deputada Alice Portugal (PCdoB – BA) “política é a arte de persuadir, e o Congresso Nacional vai criar adendo na Constituição para argumentar que política passa a ser a arte da corrupção”.

O saldo? 02 de agosto de 2017. Nenhuma referência a qualquer divindade espiritual ou, de vínculo familiar no Congresso enquanto a bola rola no campeonato brasileiro. E a triste herança moral deixada por nossos representantes aos jovens cidadãos de nosso amado país.

*Nayara de Deus é jornalista

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

COMENTÁRIOS

POSTS RELACIONADOS

Sítio de Ricardo Nunes em São Paulo fica em loteamento irregular

Prefeito de São Paulo tem 13 lotes em Engenheiro Marsilac, na APA Capivari-Monos, mas apenas quatro estão em seu nome; De Olho nos Ruralistas iniciou série sobre o poder em São Paulo, “Endereços”, contando que ele não tem o hábito de pagar o Imposto Territorial Rural