Mulheres saem às ruas no 8M em Campinas (SP)

O ato percorreu as ruas centrais da cidade do interior paulista

8M Campinas | foto:fabiana ribeiro

Em Campinas, as mulheres foram às ruas no ato do 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Uma multidão se concentrou no Largo do Rosário – região central da cidade –  e em passeata ocuparam diversas ruas do centro. O fim da violência contra as mulheres, a reforma da previdência eram algumas das pautas de protesto. A manifestação também protestou contra o machismo, violência de gênero, o racismo e o preconceito contra pessoas LGBTs. também se manifestaram contra  o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), criticaram o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) pelas inúmeras medidas contra as mulheres e que favorecem a violência de gênero.

As mulheres serão as mais afetadas pela mudança da previdência

A mudança do atual modelo previdenciário – proposta pelo governo Bolsonaro  –  que prejudicará todos os trabalhadores e principalmente as trabalhadoras. As mulheres serão as maiores atingidas pelo fim do atual sistema previdenciário, caso seja aprovado. Uma das principais alterações que exigiriam mais sacrifício das mulheres seria a idade mínima. A reforma prevê que ela subirá de 60 para 62 anos (trabalhadoras urbanas) e de 55 para 60 anos (trabalhadoras rurais). As mulheres terão que trabalhar dois anos a mais, se forem do setor urbano, e cinco anos a mais, se forem do setor rural. E para ter direito a 100% do benefício, será preciso contribuir por 40 anos. Outro ponto que afeta mais as mulheres, de acordo com o Dieese, é a mudança nas regras sobre pensões. A reforma vai diminuir os valores e dificultar o acesso às pensões por morte, além de restringir o acúmulo de benefícios, também mudanças nas regras do BPC (Benefício de Prestação Continuada), pago a idosos de baixa renda.

8M Campinas | foto:fabiana ribeiro

Marielle Vive

Mulher negra, homossexual, de origem pobre. A vereadora Marielle Franco (Psol), em  14  de março de 2018,  ao voltar de um evento promovido por mulheres negras no Rio de Janeiro, foi executada a tiros juntamente com seu motorista, Anderson Gomes. Praticamente um ano depois, os assassinatos, atribuídos a milicianos cariocas, ainda não houveram a identificação de seus autores e nem punição. Além de #MarielleVive, houveram manifestações  “#LulaLivre” reivindicando a liberdade do ex-presidente Lula.

8M Campinas | foto:fabiana ribeiro

Campinas e a violência contra as mulheres

Campinas registrou 20 casos de feminicídios – crime de ódio contra mulher- em 2018. O número de notificações de violência contra a mulher cresceu 67% comparada aos quatro últimos anos na cidade.

A cidade, em 2019, já contabiliza dois casos de feminicídios e duas tentativas de janeiro ao início de março. Um levantamento realizado pelo do Ministério Público no estado aponta que 45% dos crimes ocorrem depois de separações ou pedido de término de relacionamentos. O caso mais recente e que chocou a cidade foi a morte da comerciante Nice Vieira  que teve o corpo queimado, dentro de seu estabelecimento comercial, pelo ex-companheiro  Moacir Zanella.

A flexibilização a comprovação da necessidade efetiva para a posse de arma doméstica   validada no decreto federal  assinado  pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) em janeiro também corrobora para a vulnerabilidade das mulheres de acordo com o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP (Universidade de São Paulo). Segundo a pesquisa, os riscos de morte em casos de violência contra mulheres aumentam com armas de fogo em dentro das residências, já que  a maior parte da violência contra a mulher acontece dentro de casa.

Em Campinas, foi necessário o Ministério Público intervir para a cidade ter uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) 24h que foi inaugurada no dia 28 de fevereiro, no Jardim Londres.  O município de 227 mil habitantes é um dos que esperam na fila para ter uma DDM. Pela norma, já deveria ter duas.  De acordo com dados do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), o número de medidas protetivas que obrigam o agressor a se afastar da moradia da mulher subiu 126,5% em 2018, passando para 222 comparadas as 98 do  ano anterior (2017).

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