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Movida Aluguel de Carros: 11 horas de pesadelo

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Por Eleonora de Lucena

O que era para ser um mergulho refrescante na cachoeira do Buracão, na Chapada Diamantina, virou uma enxurrada de descaso, incompetência, desprezo, escárnio e desinformação. Foi o que a MOVIDA ALUGUEL DE CARROS proporcionou para a nossa família durante quase 11 horas no interior da Bahia nesta quinta, 21 de novembro de 2019. Uma demonstração inequívoca de que a empresa –como, aliás, é regra do capitalismo de hoje—está se lixando para o consumidor, o público, o cidadão: o que importa é resultado, distribuição de dividendo, lucros crescentes.

O principal executivo da MOVIDA ALUGUEL DE CARROS, em entrevista recente à “Época Negócios”, quando se gabava de supostas inovações tecnológicas da companhia, declarou: “Preciso me manter com os melhores indicadores para ser o parceiro escolhido por essas companhias [Google, Apple]. Assim, posso entregar resultados e garantir a minha sobrevivência”. Resultados, se vale a nossa experiência de consumidor, que são obtidos em cima da desconsideração e do desrespeito em relação aos que utilizam, de forma inadvertida, os seus serviços. Robôs, atendentes mal treinados, chefes que parecem incapazes de fazer a leitura elementar de um mapa, terceirizados amedrontados e desqualificados produzem um resultado de desespero para quem precisa do mais básico atendimento ao consumidor.

A gente sabe que o consumidor sofre nas ligações de zero oitocentos, para os sacs da vida e outros alegados serviços. Temos experiência de sobra com telefônicas, companhias aéreas, imobiliárias, concessionárias. Mas nunca fui tão mal atendida na vida. A MOVIDA ALUGUEL DE CARROS bateu todos os recordes. Justamente num momento de vulnerabilidade, longe de casa, com as pessoas largadas com malas, mochilas e computadores no meio da rua.

Eleonora de Lucena, de blusa laranja, fala ao telefone com a Movida; o veículo na frente dela é a Duster em pane

Eleonora de Lucena, de blusa laranja, fala ao telefone com a Movida; o veículo na frente dela é a Duster em pane – Foto: arquivo pessoal

Tudo começou por volta das 9h45, quando girei a chave do carro (uma Duster) e apareceu um sinal vermelho de pane, exigindo que o carro não fosse movimentado por extrema questão de segurança. Estávamos em Ibicoara, a 476 quilômetros de Salvador, onde tínhamos retirado o veículo. Dali em diante foi uma sucessão de liga-cai-gravação-transfere-não é nesse ramal-liga-cai-gravação-transfere-musiquinha-promoções-não é aqui-transfere-cai.

Até que conseguimos falar com uma pessoa –que disse que tínhamos que ir para Salvador. Depois disseram que tínhamos que ir para Feira de Santana (381 quilômetros dali). Todos que falavam pela companhia estavam preocupados com o veículo e o envio do guincho para proteger o patrimônio da empresa. E os clientes abandonados no meio da rua? Tinha que ligar para outro setor, não era com eles, vou transferir… e caia. Comecei a perceber que a alegada inovação tecnológica tinha lado –resguardar a empresa e só.

Finalmente consegui falar com um suposto “supervisor”. Expliquei que a família de quadro pessoas estava em viagem a Ibicoara, que nosso hotel ficava em Lençóis (225 km dali), que precisava de um carro reserva, que não tinha o menor sentido voltar a Salvador ou Feira de Santana. Iria perder mais um dia de férias –além do que estava sendo arruinado naquele momento. Quando achei que o “supervisor” estava entendendo o caso, ele me pediu o “número” da rua Ibicoara. Ele simplesmente não estava entendendo ou não queria entender. Com certeza nem tinha olhado no mapa onde eu estava. Pedi, encarecidamente, que ele olhasse no mapa (pedido que faria diversas vezes durante o dia). Passei o endereço onde estava em Ibicoara. Ele me garantiu que o guincho chegaria em 28 minutos e que o táxi para me levar onde fosse chegaria em 32 minutos. Eram quase 11 da manhã e suspirei de alívio.

Eu quis saber os dados do táxi (placa, nome do motorista) e a coisa empacou. Ele começou a dizer que tinha (só agora!) percebido que havia uma base da Movida mais perto, em Vitória da Conquista (221 km dali) e que o táxi nos levaria para lá. Tentei argumentar que a viagem de Ibicoara a Vitória da Conquista e, depois, a Lençóis (onde estávamos hospedados) sereia de 630 quilômetros: 10 horas e 14 minutos pelo Google Maps. Que aquilo era insano. Que o melhor a fazer era nos enviar um carro desde Vitória da Conquista ou nos levar até o hotel em Lençóis. Achei, novamente, que ele tinha entendido o problema. De Poliana me apelidaram.

Enquanto isso, se passavam os 28 minutos e os 32 minutos e nada de solução. A ligação caiu. Continuamos insistindo no contato. Liga, musiquinha, em breve iremos lhe atender, só mais um instante. Uma atendente diz que nenhuma ocorrência para envio de táxi foi aberta até agora. E a voz do “supervisor” não vale nada? Uma meia hora depois, alguém liga dizendo que o reboque iria demorar ainda uma hora. E o táxi? A mesma coisa. Passa o tempo e nada. Seguimos tentando o atendimento a emergências da MOVIDA ALUGUEL DE CARROS: tecla opção-musiquinha-propaganda-não é aqui-vou transferir para o setor-cai. Até que alguém entra em contato pelo Messenger. Às 13h02 afirmam que o guincho vai demorar ainda duas horas. E os 28 minutos do supervisor? Onde tinham ido parar? Fomos almoçar num restaurante ali perto. A gerente da casa se solidariza conosco. A hora do almoço da cidade acaba. Sai todo mundo, clientes, cozinheiras. Ela nos diz para ficarmos tranquilos e nos oferece café –um dos poucos sinais de gentileza do dia. Valeu.

Enquanto aguardamos, leio na Panrotas: “A Movida acumulou R$ 2,7 bilhões de receita bruta em 2018. Estabelecendo novos recordes, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 481 milhões e o lucro líquido de R$ 160 milhões, altas de 48% e 143%, respectivamente. Com um caixa de R$ 812 milhões, associado ao reforço da estrutura de capital e aumento da frota, as perspectivas de continuidade na captura de ganhos de escala e na expansão das margens são maiores, de acordo com a Movida”.

Certamente os resultados da Movida não dependem de uma família em férias no interior da Bahia. Ao contrário. O foco deve ser o cliente corporativo, o que fica nas capitais, o que dá mais rentabilidade. É para ele que as estruturas devem estar montadas e ajustadas. Dane-se a família e o interior. O nosso caso deve ser o de um “colateral damage”, uma ocorrência fora da curva, que nada afeta o todo da companhia. E sigo lendo as últimas “reportagens” sobre a Movida. O papo marketeiro a gente conhece bem: é enganoso, é mentiroso, é falacioso –como está na moda nos dias atuais, não é mesmo? O Facebook começa a me enviar propagandas de aluguel de carros, da MOVIDA ALUGUEL DE CARROS e de concorrentes. É o que recebo. Informação, ajuda? Nada.

As duas horas se passam. Estamos agora ansiosos sentados no meio fio. No calorão. Pelo SMS me informam que o guincho vai atrasar: deve chegar às 15h22. E o táxi para as pessoas?? Silêncio. Silêncio. Sem resposta. Por favor, uma resposta, insisto. Branco, nada, silêncio. Enquanto isso, continuamos com as tentativas de contato com o serviço de emergência. Nada. Musiquinha-não desligue-cai. A preocupação deles é com o carro. Nós, as pessoas, estamos abandonados.

O reboque chega pelas 15h30, e nada do táxi. Começa a bater um desespero. Disparo mensagens para o sac, o site da empresa, o “fale com o presidente”, o whatsapp da empresa, para a JSL, firma que, segundo consta, controla a Movida. Nada. Pelo Whatsapp da Movida recebo mensagens propondo locação de veículo. “Em qual cidade deseja retirar o seu carro?”. Conto ao robô o que está acontecendo, mas ele desconversa. “Você terá um consultor especializado para lhe ajudar na sua solicitação”. Cita um novo número de 0800. Ligo e escuto: aqui não é o setor, vou transferir, cai. O tempo vai passando; logo mais vai escurecer.

Recebo retorno da JSL: não é com a gente; ligue para o sac da Movida e para o 0800 –como se eu conseguisse falar lá! A Livelo, que entrou nesse acerto de locação, também diz que não é com ela. Não é com ninguém. Rale-se o consumidor.

Recebo uma ligação da Movida! É do serviço de satisfação do cliente fazendo pesquisa para saber se eu estou satisfeita com o serviço. Não, não estou satisfeita, estou parada na rua sem solução ainda. Ele desliga com um rápido boa tarde.

Pisca o SMS: mensagem da Movida: “Movida: você recomendaria a Movida Assistência 24hs para amigos ou familiares? De uma nota de 0 a 10 e comente! Resposta gratuita por SMS. Ajude-nos a melhorar”.

É o escárnio!

O sujeito do guincho já está há mais de uma hora sentando conosco no meio fio. Não pode fazer nada. Eu também não posso liberar o carro e ficar na sarjeta. Jovens já saem da escola e perambulam por ali. O pedreiro que fazia um pedaço da calçada onde estamos está quase terminando o serviço, e nada. Peneira o cimento, coloca água, alisa o novo calçamento. E nós ali. Cachoeira só a do balde para o montinho de cimento. Pensamos em chamar a polícia, em contratar um táxi, ver um ônibus, achar um hotel. A noite se aproxima e nós estamos nessa situação deste às 9h45 por causa da Movida.

São quase cinco da tarde quando conseguimos falar com alguém do serviço de atendimento 24 horas. O táxi chega em 20 minutos, diz o atendente. Qual táxi? Quem é o motorista? Não sei, vou ver. Os 20 minutos vão se passando. O táxi finalmente chega. Os 32 minutos garantidos pelo “supervisor” da manhã tinham virado seis horas.

Mas o motorista tem ordem de nos levar para Vitória da Conquista, o que significa uma viagem de 630 quilômetros (10 horas e 14 minutos pelo Google Maps, de Ibicoara a Vitória da Conquista e depois para Lençóis, até o nosso hotel). Perderam a razão? Tivemos essa discussão várias vezes ao longo do dia, mas ninguém parece interessado em entender o problema real. Em resumo, se formos até o hotel, perdemos a ida “a loja mais próxima, no aeroporto de Vitória da Conquista” e perdemos o carro com todas as diárias pagas antecipadamente. São 10 horas de viagem –por problema criado pela MOVIDA ALUGUEL DE CARROS— ou nada de carro.

É a lógica inovadora da empresa.

Lembro da fala do CEO da Movida à “Época Negócios”: “A gente não faz inovação por marketing. Faz porque precisa. Faltava governança para tornar os processos mais eficientes e produtivos. Somos uma empresa de TI que aluga veículos”.

Fico pensando na política de recall das montadoras. A lógica é um pouco essa: fazemos de qualquer jeito o produto e depois o consumidor é que se vire para levar o carro sem freio até uma concessionária. O consumidor que corra o risco de ter um acidente. O resultado da empresa está garantido. A Boeing parece ter tido o mesmo pensamento ao liberar o MAX 737: colocou o bicho para voar sabendo que tinha defeito para ter os seus resultados para os seus acionistas. No caminho morreram centenas de pessoas. É a lógica capitalista que vigora

Nós somos só uma minúscula família parada na estrada por incompetência e descaso da MOVIDA ALUGUEL DE CARROS. Estamos cansados da MOVIDA ALUGUEL DE CARROS. A MOVIDA ALUGUEL DE CARROS paga o hotel para a família? Como fazer essa viagem de mais de 10 horas, indo e voltando? Ninguém sabe, depois tem que ver, o procedimento, o contrato das letrinhas pequenas. E o meu ressarcimento? E tudo que estamos perdendo com a MOVIDA ALUGUEL DE CARROS? Negocia, liga, cai, liga. Sim, o táxi pode levar a família até Lençóis (três horas e cinco minutos de viagem). Ufa!

Só que o motorista ainda não tem ordens para nos levar para Lençóis! Diz que deve nos levar para Vitória da Conquista. Liga-liga-liga. Sem sinal. Musiquinha, aguarde um instante que já vamos lhe atender. A atendente combina com o motorista: leve os passageiros para Lençóis. Está tudo certo? Sim, diz o motorista. Notamos relutância. Já no carro, entramos num posto para ajustar um cinto de segurança que não estava disponível. Ele negocia com a sua “base” o pagamento de combustível –o tanque não segura a viagem até Lençóis e ele está sem cartão, diz. O moço do posto fala ao celular do motorista e acerta a transferência para o pagamento do combustível. Tanque cheio, vamos?

Não. O motorista diz que não pode partir. Precisa de outra autorização, acerto de quilometragem. Mas não estava tudo certo minutos atrás? Estamos parados no posto, com o motorista irredutível e o sol se pondo no horizonte. “Vocês já esperaram bastante, vão ter que esperar mais”. Ligo de novo para a Movida. Sem sinal, musiquinha, aguarde. O desespero aumenta. Já estamos na saída da cidade, mas sem solução. Finalmente, às 17h30, partimos.

O motorista não conhece a estrada, cheia de cotovelos, buracos, pontes por onde só passa um carro por vez. Sai em disparada, faz curvas fechadas, topa com força em algumas crateras da BR sem manutenção. Atropela algo que parece ser um pequeno animal. Seria um tatuzinho? Choramos de raiva, de medo, de frustação. No dia anterior, tínhamos percorrido o mesmo trajeto cantando Michael Jackson, Cindy Lauper, Rolling Stones. Um dia gostoso de férias como há muito não tínhamos. Pela manhã do dia 20, tínhamos subido e descido os 295 degraus da Cachoeira do Mosquito. Horas atrás, líamos em conjunto sobre geologia para aprender a beleza da Chapada. Agora, tudo parece estar sob risco.

Quase 11 horas depois da pane, estamos na rua do nosso destino em Lençóis. O motorista para. Hesita em subir a ladeira íngreme. Naquela altura, escalaríamos o Serrano para sair daquele carro. Chegamos. Estamos sem carro, apesar de todas as diárias terem sido pagas antecipadamente. O carro foi para o guincho com o tanque cheio. Temos ainda alguns dias aqui na Chapada. A MOVIDA ALUGUEL DE CARROS diz que não vai nos enviar um novo carro e que não paga nossa viagem até um novo carro. São as regras deles ou nada. Nos deram um táxi até Lençóis e, com isso, eu tenho que me virar, se quiser, para pegar um novo carro em uma loja deles. É a inovação, a tecnologia, o resultado. Pela tela do celular, entra uma mensagem com um anúncio da MOVIDA ALUGUEL DE CARROS. Na vida, Movida nunca mais.

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54 Comments

54 Comments

  1. Alessandro Rodrigues Reis

    26/11/19 at 0:04

    Mano, nem consegui ler esse livro q vc fez sobre a melhor locadora de veículos ( para mim ). Não tenho o que reclamar dos caras. Por isso, não vou opinar no fato. Falei aí por mim. Mas vc podia resumir. Queria entender o pq do lucro e faturamento da empresa te encomodou.

  2. RICARDO BATISTA

    26/11/19 at 0:06

    Caraca q história frustrante .. Sinto mto, em Julho fiz exatamente o mesmo trajeto e com um carro da movida tbm, e ainda foi pra Itacaré e Maraú.. Tive sorte, pq foi cada lugar q botei o kwid kkkk

  3. QUIRINO XAVIER DA SILVA

    26/11/19 at 0:53

    Que pesadelo.

  4. Sergio Fernandes

    26/11/19 at 1:53

    Bom saber não alugar nesta locadora. Movida

  5. Luancarlosvitor

    26/11/19 at 5:34

    Lamentável, revoltante e triste. Quando percebi que essa empresa não se importa com o mais importante que é o cliente, peguei minhas coisas e pedi demissão.

  6. Luciana Costa

    26/11/19 at 5:35

    Processe

  7. Sandro Melo

    26/11/19 at 6:36

    Isso não por causa do Capitalismo minha Senhora. O problema são as leis brasileiras e os órgãos fiscalizadores que não funcionam por causa das pessoas despreparadas. O problema é que as Instituições que regem este País estão preocupadas em livrar bandidos da cadeia barrando a prisão em segunda instância. Quando deveriam em se preocupar em criar meios para melhorar a vida do brasileiro.

  8. Valberes sabino da silva

    26/11/19 at 6:37

    Já vi que estou com sorte, faz dois meses que tô com o carro da movida e tudo ok, muito bom nota dez.

  9. José Henrique

    26/11/19 at 7:10

    Minha experiência com a movida também e péssima, a propaganda que eles fazem é mentirosa. Chega a ser revoltante o total descaso. Eu mesmo já cheguei a ligar no número para falar com presidente: mais uma grande mentira, não dá em nada. MOVIDA, um GRANDE ENGODO

  10. Eduardo Amorim

    26/11/19 at 7:31

    Eu também tive uma situação parecida. Aluguei uma Mercedes C180 para ir de férias do RJ para a Bahia. O carro quebrou a suspensão no meio da viagem –por sorte, perto de uma pousada bem simples que foi nosso refúgio. Esperamos pelo táxi por 7h, depois tive que ir por conta própria em Salvador, buscar outro carro.

  11. Barbara Anna Luisa Maria de Freitas Marques

    26/11/19 at 7:51

    Lendo o relato, parece que estava presente no ocorrido, já que passei por situação semelhante, um horror, quanto descaso, a vontade é de sentar e, chorar, feito criança mesmo.

  12. Alfredo Frantz

    26/11/19 at 8:16

    Tenho uma maneira de ver a vida diferente da maioria. Acredito que se muitos pensassem como eu, muitos problemas se resolveriam.
    Tenho lista, a qual podemos chamar de LISTA NEGRA. Nela constam os nomes de pessoas, empresas, lojas, mercadoria e politicos dos quais não quero aproximação e dos quais procuro divulgar os pontos negativos.
    Assim sendo a MOVIDA acaba de entrar para esta lista, que por sinal é bem longa.
    MOVIDA não quero nem aproximação mais.
    É uma questão de consciência e uma forma de excluir tudo de ruim de nossa sociedade.
    Em apoio a essa familia e seus transtornos.
    Grande abraço a todos.

  13. Bruno Olivença

    26/11/19 at 8:18

    Kkkk(kkkk Parecem as férias da Família Grinswald! Digno da Sessão da Tarde!

  14. Rodrigo Galindo Luna

    26/11/19 at 8:46

    Quando vi a manchete quis ler toda a matéria, pois em Outubro desse mesmo ano passei por uma situação não tão parecida, mas que poderia ter gerado um transtorno parecido.
    Tinha alugado pela primeira vez um carro na Movida e me surpreendeu com a qualidade do primeiro veículo, foi uma locação rápida e pra uso urbano apenas. Me atraiu a princípio e resolvi alugar um segundo carro, nesse caso um sedan automático, pra uma viagem de Vitória/ES a Alto Caparaó/MG.
    A segunda locação o carro já não era tão conservado assim, com diversas marcas de arranhões e amassados, onde fiz questão de registrar.
    Mas esse não foi o maior agravante, mas sim quando já estava chegando ao meu destino fui parado em um blitz local da PM e apresentei os documentos.
    Para minha surpresa: o documento do veículo ainda era o de 2018 e segundo a autoridade eu deveria estar com o documento de 2019.
    Fui indagado se não olhei o documento na retirada do veículo, falei que não pois era costume alugar carros e sempre ter os documentos em dia.
    O policial que estava responsável pela averiguação não estava com intenções de me liberar, mas por sorte um outro policial se dispôs a verificar no sistema do Detran se o veículo estava regularizado e licenciado para 2019.
    Por sorte fui liberado, mas achei gravíssimo da locadora um erro tão grosseiro como esse.
    Enfim, a política de preços deles é agressiva e atraente, mas essa experiência que vivi não me agradou e isso conta muito para decisões nas minhas próximas locações, ou pelo menos pra ficar mais esperto na hora de retirar o veículo.

    Espero que você consiga reparo na justiça quanto a essas dores de cabeças com a Movida e parabenizo por compartilhar, pois só assim podemos tentar mudar um pouco essa política capitalista das empresas.

  15. Leticia da Cruz Silva

    26/11/19 at 8:48

    Q história….descaso total!
    Realmente a central de atendimento deles é péssima!!!!!
    Na hora de alugar ok, na hora q vc precisa aí vem a dificuldade.:(

  16. Regina

    26/11/19 at 8:56

    Aciona o Procon para ressarcimento pois isto é um descaso, desrespeito e um desserviço com o cidadão q paga para não usar o serviço oferecido.

  17. Pedro Milton de Moraes

    26/11/19 at 9:39

    A movida é horrível em tudo. Quando vc retorna de viagem, fazem um checkout de mais de 1 hora, vá de localiza e nunca se arrependerá.

  18. Ana paula

    26/11/19 at 10:02

    Aconteceu quase a mesma coisa comigo. O carro deu pane, eu estava a 110 km da loja em que aluguei o carro. No outro dia, era feriado na cidade onde aluguei o carro. Eles me mandaram ir pegar outro carro a mais se 250 km de distância da cidade onde eu estava. Expliquei a situação pra eles, falaram que não poderiam fazer nada, só mandar um táxi pra que eu fosse para a Cidade onde poderia pegar outro carro. Nisso já era 20:00! Falei que estava com criança pequena e nada! Eles não dão assistência devida e instruem os funcionários a se fingir de bobos! E, no final da história, tive que pagar o dia que fiquei sem o carro! É um absurdo!

  19. Gabriel Nogueira

    26/11/19 at 10:25

    Que triste um ser humano sendo tratado assim, com total desrespeito. Muito triste! Infelizmente só por meio de leis que o respeito vem para com o seus clientes e pessoas que somos.

  20. Deanir

    26/11/19 at 10:45

    Já pode fechar. Uma empresa q presta tamanho desserviço ao cliente, transformando um momento especial em um trauma, já pode fechar as portas.Graças a Deus a MOVIDA NUNCA foi um opção para mim pq nunca fui bem atendida quando solicitei informações .

  21. Adaias Lima

    26/11/19 at 11:10

    Que história triste, eu tbm não alugo mais carro da Movida; eles queriam q eu pagasse um amassado q não fui eu que amassou –já estava amassado quando eu liguei o veículo; eles pensavam q eu não tinha visto.
    MOVIDA NUNCA MAIS.

  22. CARLOS ALBERTO RODRIGUES

    26/11/19 at 11:23

    Ainda prefiro a Localiza, até hoje não tive problemas quando surge algum imprevisto no carro. Perguntam se consegue chegar a loja ou guincho pra levar outro carro.

  23. Margareth

    26/11/19 at 11:52

    Eu sou cliente movida, mas depois desta não confiarei mais…sinto muito por vocês. E muito obrigada por nos alertar

  24. Johnny

    26/11/19 at 12:27

    Movida lixo já a passei por algo assim

  25. Milene Faleiros maurente

    26/11/19 at 12:32

    Tbem tive uma pessima experiencia c a movida. Nao recomendo.

  26. Eduardo

    26/11/19 at 12:52

    Terrível este mundo capitalista aonde pode-se escolher a locadora. Aposto que em Cuba isto nunca teria acontecido.

  27. Maria Eugenia

    26/11/19 at 13:19

    Tenho histórico, 2 pessoas da família não indicam a Movida.

  28. LEANDRO ROSSETTI

    26/11/19 at 13:37

    Realmente ontem dia 25/11/19, fiquei mais de quatro horas esperando guincho e taxi, e ainda tendo que viajar 1 hora até a agência mais próxima, pois não levou um carro até o local, e fora o atendimento péssimo que temos que ficar ligando para todo mundo.

  29. Creusa

    26/11/19 at 13:42

    Ontem 25/11/2019. Tivemos um problema parecido. Estavamos em viagem a trabalho e o carro deu problema. Foram mais de 4h para solucionar, tivemos que ligar diversas vezes. E tivemos que buscar o carro em uma agência da movida que era +- 1 h de distância, eles não levaram o outro carro até nós.

  30. Zé de Mundinha

    26/11/19 at 14:10

    Bom saber. Sempre me oferecem locar carros da, MOVIDA. Pelo jeito, MOrte de VIDA. Tchau, querida!

  31. Juliana Soares

    26/11/19 at 14:41

    Eu tbm tive uma péssima experiência com a movida.
    Movida nunca mais.

  32. Carla Maria soares

    26/11/19 at 14:50

    Entrar na justiça , mover um processo contra essa empresa

  33. Paulo

    26/11/19 at 14:50

    Fui devolver carro um dia antes da devolução !!!
    Só que atendente da avenida catalão em Belo Horizonte …
    Não podia aceitar …
    Pq tinha que devolver no sábado !!!
    Obs:já estava pago !!!
    Se entregasse sexta feira tinha que pagar multa !!!
    50%
    Fui entregar sábado em outro endereço da locadora …
    Falei sobre ocorrido
    Atendente falou que não existia nada disso !!
    Que a funcionária era cricri !!!
    Não indico a ninguém MOVIDA!!!

  34. Ana pinheiro

    26/11/19 at 15:07

    Em junho aluguei um kwid,em Belém,sem problemas até indico a Movida

  35. Victor Hugo OliviaJoias

    26/11/19 at 16:14

    Bom saber, Deus me livre…

  36. Givanildo

    26/11/19 at 17:06

    melhor locadora do mundo localiza hertz.sou 6anos cliente nunca me deixaram na mão sempre rápido em tudo.

  37. José Paulo Silva

    26/11/19 at 19:00

    Que situação absurda. Minha solidariedade.
    Vou replicar esse relato em minhas mídias.

  38. Emmanoel de Freitas Pinto

    26/11/19 at 20:15

    Estou com vontade de dar um murro nesse teclado. Sacanas. Escrotos. Esse discurso de eficiência é exasperante. FDP. Um dia de cão. Não. Um cachorro ajudaria. Um dia de fúria. Moro no interior da Bahia. Gente estúpida e incompetente. Boçais. Conheço essa realidade. Está realmente muito quente. Como dizia um baiano; “Esse calor insuportável não abranda o frio da alma. A vida já não é tão segura, e nada mais me acalma. Ô crianças, isso é só o fim”. Um beijo pra Eleonora e família. #MOVIDA APIORLOCADORADOPAÍS.

  39. Dioéliton Pereira Silva

    26/11/19 at 21:24

    Tive uma experiência assim com a movida. É bem isso que você narrou!!

  40. João

    27/11/19 at 1:28

    Isso fotografado, filmado, guardado msn, whatsapp, testemunhas, dá uma boa ação na justiça. O problema é que estamos no Brasil, e a justiça é pior até que essa Movida. A única coisa que nos resta é relatar e repassar. Eu particularmente, já aviso: Movida nunca mais. 👏👏👏

  41. Ivam moura

    27/11/19 at 8:26

    Bom dia… Lamento o ocorrido com vc, mas loco carros na movida há mais de cinco anos e nunca passei nem perto dos problemas que vc relatou. Muito pelo contrário, sempre recomendo aos meus colegas de quartel. Penso que casos isolados ocorrem em qualquer lugar e talvez este tenha sido o caso. Espero que tudo se resolva.

  42. Cicero Rodolfo

    27/11/19 at 8:32

    Estou passando por situação constrangedora também, me deram um virtus com 83000 kms, cheio de pequenas avarias por todo o carro.
    Quando devolvi o carro encontraram uma avaria no para brisas, tão minúsculo que não saiu nem na foto, e estão querendo cobrar R$1.127,84 por isso
    Tenho total certeza que essa avaria não ocorreu durante meu uso

    PS: recebi o carro à noite, uma péssima condição de se fazer um levantamento de avarias, ainda mais o tipo de trinca minúsculo no para brisas

    Quem puder me indicar algum advogado, fico agradecido

  43. Luiz Carlos Nistal

    27/11/19 at 10:23

    Com certeza comigo aconteceu o mesmo. Eles estao se lixando para os clientes

  44. Charles

    27/11/19 at 11:03

    Nunca tive problema com a MOVIDA, eles sempre me atenderam bem… E super recomendo eles, acredito que seja um caso atíptico. Não troco eles por nada!

  45. Tiago Barbosa

    27/11/19 at 11:25

    Exagerada a matéria, parece até fakenews ou matéria encomendada,
    Trabalho viajando ha 5 anos por todo o Brasil, ja aluguei em quase todas as locadoras, no mínimo 3 vezes por mês, sempre dou preferência a Movida pois são sempre os carros mais novos e mais completos, nunca tive problema, checkin e check-out rapido, bom atendimento, se isso realmente aconteceu é um fato isolado que merece ser verificado, mas na minha opinião não é por casos isolados em meio a milhões de casos bem sucedidos que definiremos a qualidade de uma empresa.

  46. José Almeida

    27/11/19 at 11:36

    Deus me ajude pela primeira vez vou alugar um pela movida dia 30 de dezembro no aeroporto de Salvador. Sou cliente da localiza há anos. Espero não me arrepender.

  47. Vinnnna

    27/11/19 at 12:32

    Essa movida é um lixo. Eu e minha família alugamos um carro por 7 dias e na hora de pegar já na agência no Rio de janeiro alegaram que meu nome estava negativado e não ligaram o carro nem eu me comprometendo a pagar em espécie à vista, apesar de que o cartão tinha limite. Coloquei eles na justiça e disse que eles se negaram a vender o serviço mesmo eu me comprometendo a pagar à vista. Eles perderam a causa. Eles são canalhas; fazem muito isso. Mas se o cliente se comprometer a pagar à vista eles são obrigados a locar o carro. É lei, artigo 39 do cdc. Faça valer seus direiros

  48. Jefferson Lucas

    27/11/19 at 12:36

    Nossa, terrível!!
    Fiquei com preocupação em alta.
    Isso realmente é motivo a repensar a probabilidade da locação.
    Sou grato pelo relato e espero que a MOVIDA não ignore novamente essa situação perigosa.
    Em fevereiro tenho programado uma viagem em família a 1100 km.

  49. Cezar Eduardo

    27/11/19 at 17:45

    Quando eu fui a movida alugar um veículo para viajar, fui tratado com desdém, a atendente me olhou com quem diz esse cara não tem como alugar carro, não fez questão nenhuma de me dar informação, virei as costas e fui a unidas onde fui bem tratado e ainda paguei mais barato…

  50. Eder Esteves Nakamura

    27/11/19 at 19:30

    Realmente a Movida eu tbem não recomendo nem para o meu pior inimigo, infelizmente eu tive uma experiência péssima com eles. Eles não dão a mínima para os clientes.

  51. César

    29/11/19 at 6:01

    Não recomendo esta empresa capitalista a ninguém, eles NÃO entenderam que o que queremos acima de tudo e preço é atenção, cuidado, gentileza e humanismo. Acordem antes que seja tarde de mais..fica a dica

  52. Noêmia Schwerz

    01/12/19 at 16:17

    Tivemos uma péssima experiência na última semana com a Movida de Poa! Atendimento péssimo , atendente mal educada, nos tratou com falta de respeito , o carro q nós deram parecia uma carroça velha, foi a terceira vez q aluguei , mas depois dessa , nunca mais quero saber da Movida

  53. Valberes sabino da silva

    17/07/20 at 23:22

    Movida empresa rabujada, não tem nenhuma consideração com o cliente, eles não tiveram o que fazer na hora do desconto da mensalidade no meu cartão de credito, fizeram o favor de bloquear o meu car tao, ai provocou uma inadiplencia no meu cadastro junto à empresa, e pra concluir todos carros da movida tem rastreador, simplesmente tava fazendo compras no supermercado junto com minha esposa quando terminamos as compras que fomos pro carro tinha um sujeito proximo ao veiculo já tinha muchado os quatro peneus do carro e foi logo dizendo a movida mandou rebocar o veiculo, imagine a vergonha que passamos, levaram o carro e ate hoje fiquei sujo perante a empresa.

  54. Virginia Benício

    23/07/20 at 14:59

    Movida nunca mais . Estamos entrando na justiça com um processo por cobrança indevida e DANOS MORAIS ( até vídeo da oficina deles dizendo que havíamos trocado o pneu e vulcanizado , eles mandaram, sendo que isso NUNCA ACONTECEU , uma mentira absurda pra justificar a cobrança indevida feita 15 dias depois e que na hora da devolução não foi relatado.) pode demorar o tempo que for na justiça , não é nem pelo dinheiro , mas pela audácia de inventarem um dano e um conserto que nós não fizemos . Pior locadora do Brasil .

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Geral

A satanização do Irã pela mídia ocidental, um processo em desconstrução

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Eduardo Nunes Campos*

Desde 1979, ano da Revolução Islâmica, o Irã e a sociedade iraniana são rotulados mundo afora como símbolos de terrorismo, de crueldade, de violência, de preconceito. Essa imagem foi sendo sistematicamente construída pelo mainstream ocidental, através das grandes mídias e do cinema, sobretudo a partir dos Estados Unidos e da Europa, em especial o Reino Unido, de seus aliados em outros continentes e dos vizinhos árabes da civilização persa.
Para além das mudanças internas promovidas pelas lideranças xiitas que assumiram o poder, o Irã, antes totalmente subjugado aos interesses dos Estados Unidos e da Inglaterra, tornou-se o país mais anti-imperialista do mundo, minando o poder do Império na Ásia Ocidental. A região passou a ser taxada de Oriente Médio a partir do final do século XIX, refletindo a visão eurocêntrica do continente, que se considerava a grande referência histórica e cultural do planeta.
O isolamento do país na região se expressa na criação do Conselho de Cooperação do Golfo, em 1981, constituído pela Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes, Kwait e Omã. O surgimento da instituição reflete a desconfiança desses países em relação à Revolução Islâmica, mas é instigado pelos Estados Unidos. Em 1980 emerge a “Doutrina Carter”, segundo a qual o país usaria força militar para defender seus interesses no Golfo Pérsico, mirando sobretudo o petróleo e em contraposição à invasão do Afeganistão pela União Soviética. A partir da chamada “Guerra do Golfo” (1990-1991), bases estadunidenses foram instaladas em todos os países do Conselho.

Irã Mall Foto: Eduardo Campos

A construção da imagem do Irã como um Estado terrorista contradiz sua história. Desde o final do século XVIII o país não ataca nenhum outro, a não ser revidando agressões sofridas. É oponente declarado das facções islâmicas extremistas e sectárias, como os salafistas, aos quais se vinculam o Al-Qaeda e o Estado Islâmico.
Essa falsa imagem do país forjada pelo Ocidente atingiu diretamente os iranianos, que passaram a ser vistos como um povo violento, atrasado e preconceituoso. A iranofobia é uma junção de estereótipos, xenofobia e islamofobia. O que a torna mais grave ainda é o fato de ter sido assimilada por parte expressiva do mundo progressista, em função da escassez ou mesmo da inexistência, até recentemente, de canais globais de alcance significativo capazes de fazer uma contraposição efetiva ao mainstream.
Ao contrário da visão propagandeada, os iranianos são muito inteligentes e cultos. Amantes das artes, são historicamente conhecidos por sua tapeçaria única, destacando-se também sua arquitetura, a poesia, a música, a caligrafia como arte visual e a produção de filmes excepcionais. Seu lazer inclui também a prática sistemática dos piqueniques envolvendo familiares e amigos.

Destaca-se ainda em sua cultura a celebração do Ano Novo, o Nowruz, que se inicia entre 20 e 21 de março, quando começa a primavera, e se estende por 13 dias. Na véspera da última quarta-feira do ano persa realiza-se um ritual de fogo por todo o país, chamado “Chaharshanbe Suri”, que tem origem no zoroastrismo. As pessoas acendem fogueiras em espaços abertos ao longo da noite e saltam sobre as chamas para se purificar e afastar o que de negativo aconteceu no ano que se passou e emanar energias positivas e saúde para o ano que se inicia.

Ritual de fogo “Chaharshanbe Suri” Foto: Eduardo Campos

A sociedade apresenta traços de modernidade que contrastam com outros de natureza conservadora. O homem é considerado o provedor da família e tem que oferecer um dote à mulher quando se casam, mas contingente significativo de mulheres já tem seu lugar no mercado de trabalho. As mulheres, a despeito das restrições que lhes são impostas pela República Islâmica, cujas normas têm forte componente machista, ocupam posição de relevo em várias áreas, constituindo cerca de 60% dos estudantes universitários do país, com destaque para sua presença nas áreas de Engenharia e Ciências.

O índice de natalidade é baixo e o de alfabetização próximo dos 90%, sendo de quase 100% entre os jovens. A taxa de divórcio é elevada, superior a 50% em algumas grandes cidades, sendo parte dessa taxa derivada da pressão da mulher sobre o marido para pagar o dote ou aceitar a separação. As taxas de feminicídio não são conhecidas, mas não há indícios de que sejam elevadas. A legislação, contudo, é leniente com o marido que mata a esposa quando o adultério é inequivocamente comprovado, sendo perdoado ou recebendo uma pena leve, pelo fato de a traição da mulher, e apenas dela, ser considerada crime contra a honra.
Um dado curioso é que, apesar de o aborto e a homossexualidade serem vedados, o Irã é um dos países do mundo em que mais se realizam cirurgias de mudança de gênero, parte das quais custeadas pelo Estado. Está também no topo das rinoplastias, cirurgias para remodelar o nariz, percebidas cotidianamente nas ruas de Teerã. Em sentido contrário, raramente se encontra no Irã um homem usando gravata, vista como símbolo de opressão e da influência imperialista ocidental.
Os iranianos são doces, acolhedores e generosos, talvez como nenhum outro povo em todo o planeta. Estrangeiros que visitam o país são frequentemente convidados para jantares e chás em suas casas e, por vezes, até mesmo a se hospedarem nelas. Tratamento especial é dispensado aos visitantes, quaisquer que sejam eles, parentes, amigos ou aqueles até então desconhecidos. São sempre servidos em primeiro lugar e alvos de permanente atenção dos anfitriões.
A origem dessa hospitalidade e simpatia está na cultura persa e se expressa em um gesto de cortesia conhecido como “taarof”. Quando uma pessoa oferece alguma coisa a outra a praxe é inicialmente ouvir um “não, obrigado” como resposta. Se ela insiste é uma demonstração de que não se trata de uma oferta retórica, mas efetiva. Esse gesto polido é comum até mesmo quando se tem que fazer um pagamento de uma compra ou serviço prestado, quando o credor costuma recusar o dinheiro na primeira tentativa de quitação da dívida.
Mas há um fator adicional à cultura persa que ajuda a entender a postura simpática dos iranianos em relação aos estrangeiros que visitam o país: a consciência de que são um povo estereotipado, hostilizado e objeto de profundo preconceito ao redor do mundo. Sentem-se todos extremamente injustiçados com a visão discriminatória de que são vítimas, sejam os apoiadores da República Islâmica sejam seus opositores, que concordam, em maior ou menor grau, com críticas dirigidas ao sistema de poder e não admitem ser confundidos com ele.
Nem tudo, entretanto, são flores na sociedade iraniana para os não nativos no país. Os árabes, com quem são confundidos com frequência, são alvos de um enorme preconceito, cuja origem remonta ao passado de ambas as civilizações. Pertencem a grupos étnicos, linguísticos e culturais distintas, sendo a maioria dos iranianos de origem persa, havendo também um contingente significativo de azeris e curdos e em menor grau de outras etnias. Essa diversidade inclui até mesmo árabes, que constituem cerca de 2% da população nativa.
Adicionam-se às diferenças históricas as religiosas e as disputas pela hegemonia da região. Os iranianos que professam o islamismo são adeptos da corrente xiita, enquanto a maioria dos países árabes são de maioria sunita, exceção feita ao Iraque e ao Bahrein. Há também zoroastristas, judeus e cristãos no país e um número expressivo de seculares e ateus nas camadas mais jovens.
A guerra em curso e a primeira ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o país, em junho de 2025, estão tendo um papel importante na desconstrução dessa falsa imagem do Irã e de seu povo. A mídia convencional do Ocidente já não consegue esconder que o Irã é a vítima e não o algoz, ainda que continue se esforçando para sustentar que, em última instância, o país é o responsável pelos conflitos na região, e não a aliança entre o Império e os sionistas.
A unidade dos iranianos contra as agressões de que são alvos é um outro fator importante de desmascaramento da mídia mainstream. Não se trata de ignorar as contradições do país, o descontentamento de parcela considerável da população com a República Islâmica, mas de defender a sua soberania e da compreensão majoritária de que cabe aos iranianos, e tão somente a eles, resolverem os seus problemas internos.
O expressivo fortalecimento da mídia alternativa tem também cumprido um papel de grande relevo nesse processo. Cresce significativamente o alcance de canais progressistas no youtube, a plataforma substack, os sites contra-hegemônicos. Não por acaso, recente pesquisa feita a partir dos Estados Unidos constatou que Israel é hoje o país mais odiado do planeta, além de ter perdido o apoio da maioria da população estadunidense, o que seria impensável até alguns anos atrás.
O resgate das enormes qualidades do povo iraniano, de sua inteligência, de sua sabedoria e de sua cultura não deve ser visto apenas como uma reparação das injustiças que contra ele têm sido cometidas ao longo das últimas décadas, mas como um aprendizado para os segmentos progressistas da sociedade mundial que se deixaram enganar pelas falácias da mídia convencional do Ocidente. Ao mesmo tempo é imprescindível reconhecer e valorizar as ações anti-imperialistas da República Islâmica do Irã, independentemente de diferenças culturais ou mesmo ideológicas que se possa ter com ela.

(*) Jornalista

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Internacional

IRÃ: A GUERRA DAS CRIANÇAS

Irã se prepara para receber 20 milhões de peregrinos nas cerimônias de despedida do aiatolá Khamenei, que se iniciam na próxima sexta-feira (3)

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O Irã se prepara para uma colossal manifestação de unidade nacional a ser realizada durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que se iniciarão na próxima sexta-feira (3), quatro meses depois de seu assassinato, no dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra mais recente dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Há quatro meses, o presidente Donald Trump anunciava seu principal objetivo: derrubar a teocracia xiita, que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979, e se apossar das suas imensas reservas petrolíferas nacionais. Quatro meses depois, o Irã segue insubmisso já que logrou impor duras derrotas à coalizão EUA-Israel. E é nesse quadro, tendo conquistado um acordo de paz ainda frágil, que o Irã se organiza para receber estimados 20 milhões de peregrinos nas cerimônias fúnebres que homenagearão Ali Khamenei.

Uma pequena amostra desses preparativos foi o que os observadores brasileiros puderam testemunhar na noite de ontem, sob lua cheia e temperatura de 34 graus Celsius. Em uma praça no norte da capital Teerã, todas as noites desde o assassinato do dia 28 de fevereiro, se reúnem iranianos — a maioria deles praticantes da fé xiita — para homenagear o aiatolá Ali Khamenei, as 168 meninas com idades entre 7 e 12 anos, mortas por bombardeio americano no mesmo dia na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, e centenas de outras vítimas da guerra.

A delegação brasileira está hospedada em um hotel localizado a aproximadamente cem metros de um prédio que foi destruído por um bombardeio. As ruínas são visíveis. O clima nas ruas é de calma, mas de luto evidente. As cerimônias noturnas reúnem centenas de pessoas — e, em algumas cidades, milhares. Em Teerã, cidade de 10 milhões de habitantes, essas manifestações ocorrem simultaneamente em várias praças, espalhadas por vários bairros. Os participantes cantam, empunham bandeiras do Irã e choram abertamente. É impressionante o envolvimento das crianças iranianas nessas cerimônias.

O assassinato das 168 meninas na escola de Minab, gerou uma mobilização expressiva entre o público infantil. Na praça onde estive, crianças participavam da cerimônia: agitavam bandeiras, brincavam e cantavam músicas em homenagem às colegas mortas e ao líder supremo morto. “Podia ser eu”, disse um menino de 15 anos à reportagem, depois de sair com uma miniatura do drone Shahed-136, fabricado no Irã, arma de guerra “revolucionária”, segundo o comandante Robinson Farinazzo, da Marinha brasileira. Com um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o Shahed conseguiu confundir os sistemas de defesa dos EUA e esteve envolvido na derrubada de aeronaves norte-americanas e no ataque a navios cargueiros que se aventuraram pelo estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Cada miniatura do Shahed, impresso em 3D, e vendida na praça, saía pelo equivalente a US$ 3, mesmo preço da miniatura do míssil Fattah-1, outra jóia do arsenal iraniano, um míssil “hipersônico” que viaja em direção ao seu alvo a uma velocidade cinco vezes maior do que a velocidade do som (cerca, 6.100 km/hora). Os meninos adoram.

Segundo a organização do enterro, o corpo do aiatolá Khamenei, em caixão fechado, deixará Teerã nos próximos dias e percorrerá cidades do Irã e do Iraque (Najaf e Karbala), onde se encontram santuários sagrados do islamismo. O enterro ocorrerá no local que ele determinou em testamento.

Segundo a agência de notícias iraniana Fars, uma cerimônia de homenagem para líderes estrangeiros e autoridades de alto escalão está prevista para 3 de julho em Teerã. Cerimônias públicas de despedida estão marcadas para os dias 4 e 5 de julho no Imam Khomeini Mosalla, na capital. Uma procissão fúnebre em Teerã está agendada para 6 de julho. Outras cerimônias estão programadas para 7 de julho em Qom, 8 de julho em Najaf e Karbala, e 9 de julho em Mashhad, cidade no nordeste do Irã, terra natal de Khamenei. Ele será sepultado no Santuário do Imam Reza, um dos locais mais sagrados do Islã xiita.

Em tempo: estou usando véu, em sinal de respeito aos preceitos religiosos xiitas. Também me visto de forma respeitosa em relação dos preceitos religiosos quando compareço a cerimônias católicas, evangélicas, judaicas ou do candomblé.  Mas, andando pela cidade de Teerã, vi muitas (muitas mesmo) mulheres sem véu. Trata-se de um sinal evidente de distensão da norma.

Por Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres

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Geral

O caso Mariana Ferrer, por Honoré de Balzac

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

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O caso Mariana Ferrer por Honoré de Balzac

Por Dirce Waltrick do Amarante*

Quando o escritor francês Honoré de Balzac teve acesso ao vídeo da audiência de Mariana Ferrer, ele decidiu escrever o Código dos homens honestos, isso nos idos de 1875, mas só agora estou tornando públicas suas palavras, que estavam sob segredo de justiça.  

Em uma análise bastante rigorosa, Balzac lembra, em primeiro lugar, que sabemos perfeitamente bem que “em princípio, ficou estabelecido que a justiça seria para todos, mas […]” . A tradução é de Léa Novaes, pois Balzac tinha dificuldade em escrever em português.

Dito isso, ele fala da figura do procurador. Em tempos idos, diz Balzac, os procuradores “levavam tão a sério o interesse de um cliente que chegavam a morrer por eles”. Além disso, eles “nunca frequentavam a sociedade”, e se a frequentassem eram vistos como “monstros”, mas hoje, “hoje tudo está monetarizado: já não se diz que Fulano foi nomeado procurador-geral, vai defender os interesses de sua província […]. Não, nada disso; o senhor Fulano acaba de conquistar um belo posto, procurador-geral, o que equivale a honorários de vinte mil francos […]”.

Balzac ia falar da figura do juiz e do defensor público, mas depois de tudo que assistiu ficou sem as palavras justas para descrevê-los.

Então, o escritor francês decidiu se debruçar sobre o papel do advogado, que “frequenta bailes, festas […] despreza tudo o que não é elegante”. E, diz Balzac, “Justiça seja feita aos advogados […]! São os decanos, os chefes, os santos, os deuses da arte de fazer fortuna com rapidez e com uma sagacidade que os torna merecedores de muitos elogios”.

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

Não citei na íntegra o texto do Balzac, porque foram esses os únicos fragmentos aos quais tive acesso, os outros foram apagados.  

*Formada em Direito, em 1992, na Universidade Federal de Santa Catarina

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