Jorge Mautner na Incessante Transformação do Mundo

“É preciso exterminar/ A doença mental, física e assassina/ Do racismo, do antifeminismo/ E do neonazismo/ (...) Que matou Anderson Gomes/ E que matou Marielle Franco”

Por Juliano Bacha, especial para os jornalistas livres

”É na hora talvez da depressão mais profunda, do vale mais enchido de lágrimas (e por isso mesmo um lago de choro seco), da tristeza mais chorona, que a gente dá o salto, e atinge o inesperado oxigênio da angústia que provoca a serenidade.”
Jorge Mautner – Fundamentos do Kaos 1983
O Kaos, uma rebelião constante, como afirma Jorge Mautner, direciona toda a amalgama de culturas universais do Brasil para sua luta rumo a liberdade e humanidade plena. O mundo se Brasilifica ou se tornará nazista?
O autor de Maracatu Atômico e muitos outras obras primas da musica nacional em pleno mandato de Dilma Roussef, em 2014, ainda do lado de seu parceiro Nelson Jacobina, dizia que a partir daquele momento poderíamos ser de tudo, tudo estava liberado, menos ser fascista.


Podemos dizer que os anos seguintes se mostraram muito mais nebulosos do que Jorge poderia sequer imaginar. Mas em Não Há Abismo Em Que o Brasil Caiba, seu mais novo album, lançado no dia 12 de abril, Jorge continua a dar ouvidos, mãos e boca ao país que quer cantar. É assim na faixa Marielle Franco em homenagem a deputada vitima de um atentado no ano de 2018 e que carrega os seguintes versos escritos por Mautner em pleno impacto do seu assassinato: “É preciso exterminar/ A doença mental, física e assassina/ Do racismo, do antifeminismo/ E do neonazismo/ (…) Que matou Anderson Gomes/ E que matou Marielle Franco”.

Como sempre, cheio de discurso, reflexão, comédia e saudosismo junto a banda Tono (Bem Gil, Rafael Rocha, Bruno Di Lullo e Ana Lomelino) Jorge segue fazendo uma serie de shows pelo pais, com energia e muita musica. De Jesus de Nazaré aos Tambores do Candomblé, Jorge Mautner nos mantém sonhando: ”é o ser e o dizer mais completo daquilo que se poderia chamar de alma democrática brasileira, a surgir surgindo, absolutamente original, negra e mestiça, sonora e pensadora, calma, disposta a superar e a cicatrizar feridas, o rio de um continente e o mar de Atlântida misturados na batucada da pororoca.” Jorge Mautner, Fundamentos do Kaos, 1965.

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