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IV Encontro Nacional da Nova Frente Negra Brasileira

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Nova Frente Negra Brasileira reúne pensadores, professores, pesquisadores, e ativistas, de 23 a 25 de novembro em São Paulo.

Mostra de Filmes, Celebrações Culturais, Debates e Formações deste IV Encontro Nacional da Nova Frente Negra Brasileira serão realizados em Francisco Morato na região metropolitana e na capital paulista.

2018 marca os 130 anos da inacabada abolição da escravização negra no Brasil, e também entrará para a história como o ano em que um projeto de intolerância, violência, desrespeito e absoluto retrocesso nas políticas sociais, educacionais e econômicas ascende ao poder. Mediante a atual conjuntura política brasileira, torna-se ainda mais urgente a reflexão sobre os caminhos e estratégias que a maioria da população brasileira – pretos e pardos – deve adotar para resistir e seguir avançando na reconquista e consolidação de direitos e espaços. Com essa perspectiva, a NOVA FRENTE NEGRA BRASILEIRA (NFNB) convida para o seu IV Encontro Nacional, que promoverá celebrações culturais, debates e reflexões sobre as presenças, ausências, invisibilidades e silenciamentos da população preta.

Com a representação de delegações de 14 estados da federação, além de convidados, haverá a participação de pensadores, ativistas, artistas, articulistas e pesquisadores de diversas áreas, das diferentes regiões do Brasil que engrossam o coro em favor da população preta e parda, sempre colocada à margem dos processos de representatividade em várias esferas dessa sociedade de gritante desigualdade. O IV Encontro da NFNB, acontece nos dias 23 e 24 de novembro de 2018 em Francisco Morato, cidade localizada nos arredores da grande São Paulo, e no dia 25 de novembro na UESP (União das Escolas de Samba de São Paulo) na Bela Vista, base do Quilombo Saracura, um dos primeiros de caráter urbano na cidade de São Paulo e referência de luta e resistência de nossos ancestrais na capital.

Sobre a NOVA FRENTE NEGRA BRASILEIRA

Coletivo formado por pretos e pretas, ativistas de vários movimentos sociais (sobretudo o Movimento Negro), trabalhadores e trabalhadoras, intelectuais, articulistas, formadores de opinião, entre outras formas de atuação na sociedade brasileira, que inspirados pela Frente Negra Brasileira, um dos mais importantes movimentos de organização negra do início do Século XX, e que foi extinto como partido político em 1937 por determinação de Getúlio Vargas se reorganiza para pensar e discutir via protagonismo negro, as possibilidades de transformação da realidade social, econômica e política das populações.

Inscrições no Sympla – https://bit.ly/2ROZWT2
Facebook – https://bit.ly/2JZPwNP
Instagram – https://bit.ly/2PZl3Vm
Twitter – https://bit.ly/2KZv7eE

 

IV Encontro Nacional da Nova Frente Negra Brasileira

https://www.sympla.com.br/iv-encontro-nacional-da-nova-frente-negra-brasileira__384136?fbclid=IwAR0wlPgNxLbEn7TpDC-PXt8N6v-0Acu8sZ7MiichNI8ac69femQS90b8-T4

Tenda Saberes e Fazeres – Francisco Morato, SP

 

23 de novembro de 2018, 14h30 – 25 de novembro de 2018, 18h

 

DESCRIÇÃO DO EVENTO

     PROTAGONISMO NEGRO NO CENÁRIO  NACIONAL

Tema: “Desafios da representatividade dos negros nas esferas politicas brasileira”

Local: Tenda de Saberes e Fazeres – Francisco Morato – SP

Rua Gerônimo Caetano Garcia, 200 – Francisco Morato, São Paulo

 

Programa 23.11.2018

13h30 às 14h30 – Credenciamento e acolhimento das(os) convidadas(os)

14h30 às 15h30 – Abertura IV Encontro Nacional da Nova Frente Negra Brasileira | Fundação Friedrich Ebert – Fábio Balestro | NFNB/SP – Kelly Adriano |   NFNB/DF – Dra. Deise Benedito | Prefeita Francisco Morato – Renata Sene | Secretário de Cultura Francisco Morato – Fabio Torres Sene | Secretário de Assistência e Desenvolvimento Social de Francisco Morato – Wagner Santana | Representante do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Francisco Morato – Bob Controversista

15h30 – 16h00 – Sarau com Encontrão Poético  no coffe black

16h00 às 17h40 – GIRA ZUMBI DOS PALMARES | Política e Representatividade – Análise para além da conjuntura | REAFRO – Rafael Pinto | UNIFESP Bauru e NFNB/SP – Prof. Dr° Juarez Xavier | EDUCAFRO – Frei David | SPD – Prof. Ms.Lígia Margarida | NFNB / DF – Dra. Deise Benedito

17h40 às 18h40 – GIRA MOA DO CATENDE | Economia das Culturas |NFNB/PE – Cláudio Nascimento |  NFNB /BA – Sandro Teles |  UNEAFRO/ Alternativa Preta -Adriana Moreira.

18h40 às 19h00 –  GIRA DE EXU | Intervenção cultural – ” E SE DEUS FOSSE PRETO”  – NFNB /BA – Sérgio Laurentino

19h30 as 21h30 – GIRA SAMBA DA LIBERDADE

 

Programa 24.11.2018

Local: Céu das Artes – Av. Paulo Brossard, s/n – Jardim Vassouras, Francisco Morato

9h30 às 11h10 – GIRA DANDARA | Redes de Comunicação |Vale do Dendê – Prof. Dr°. Hélio Santos | Jornal Empoderados – Anderson Moraes | NFNB/ MG – José Amaral Neto | NFNB/RJ – Fred Luiz de Souza |NFNB/SP – Silas Edie.

11h10 às 11h30 – Coffe Black

11h30 às 12h30 – GIRA REVOLTA DOS MALÉS | Juventude e Militância |NFNB/ES – Crislayne Zeferino | EDUCAFRO – Ewerton Carvalho | Coletivo África Mãe do Leão – Erick A. Silva.

12h40 às 13h30 – Almoço

13h30 às 14h50 – GIRA PAULO FREIRE | Educação em Rede |EDUCAFRO – Frei David |NFNB-RS Prof°.Ms Ricardo Candiota | NFNB/GO – Profͣ. Mariana Dutra | NFNB/SP – Alexandre Magno – Nenê.

15h00 às 16h20 – GIRA MARIELE FRANCO| Classe /Gênero /Saúde | NFNB/RN – Karla Kosta | NFNB/ AL – Rosi Florêncio | NFNB/MT – Abenil Rubenich | ABL /SP – Débora Pereira.

16h30 às 16h50 – Intervalo Coffee Black e atividade cultural

16h50 às 18h20 – GIRA LUIZ GAMA |Rede Jurídica | NFNB/SC – Dr. José Ribeiro | NFNB/SP –Dr.  Cristiano Alves | NFNB /DF – Dr. Marivaldo Pereira | Conselho Municipal de Promoção e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Francisco Morato – Dra Magaly Francisco.

18h20 às 19h20 – GIRA PAUL SINGER | Empreendedorismo em Rede | REAFRO- Rafael Pinto|NFNB/SP – Marco Di Preto |NFNB/SP – Mari Lima .

19h20 – Deslocamento para Atividade cultural.

 

Programa 25.11.2018

Local: UESP – União das Escolas de Samba Paulistana – Rua Rui Barbosa, 588, Bela Vista/SP

9h30às 10h30 – GIRA DE QUILOMBO | Política e representatividade| Mediação – NFNB/SP Tadeu Kaçula  | Convidados:  Prof. Douglas Belchior | Prof. Adriana Vasconcelos|  Erica Malunguinho | Prof. Dr. Hélio Santos

10h30 às 12h30 – GIRA MÃE PRETA CHOROU  | Violência como Política de Estado – Caminhos para frear o genocídio contra o povo preto Convidados: Camila Caldeira Nunens | Frei David  | Sérgio Vaz .

11h30 às 12h30 – Encaminhamento propostas

12h30 às 13h30 – Almoço

13h30 às 14h30 – GIRA SALUTÁ DE PRETO VÉIO  | Balanço dos encontros nacionais NFNB e anúncio dos projetos para 2019

14h30 às 15h30 – Apresentação Planejamento Estratégico

15h30 às 15h50 – Coffe Black

15h50 às 17h30 – GIRA DE SAMBA  | Atividade cultural

 

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Geral

A satanização do Irã pela mídia ocidental, um processo em desconstrução

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Eduardo Nunes Campos*

Desde 1979, ano da Revolução Islâmica, o Irã e a sociedade iraniana são rotulados mundo afora como símbolos de terrorismo, de crueldade, de violência, de preconceito. Essa imagem foi sendo sistematicamente construída pelo mainstream ocidental, através das grandes mídias e do cinema, sobretudo a partir dos Estados Unidos e da Europa, em especial o Reino Unido, de seus aliados em outros continentes e dos vizinhos árabes da civilização persa.
Para além das mudanças internas promovidas pelas lideranças xiitas que assumiram o poder, o Irã, antes totalmente subjugado aos interesses dos Estados Unidos e da Inglaterra, tornou-se o país mais anti-imperialista do mundo, minando o poder do Império na Ásia Ocidental. A região passou a ser taxada de Oriente Médio a partir do final do século XIX, refletindo a visão eurocêntrica do continente, que se considerava a grande referência histórica e cultural do planeta.
O isolamento do país na região se expressa na criação do Conselho de Cooperação do Golfo, em 1981, constituído pela Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes, Kwait e Omã. O surgimento da instituição reflete a desconfiança desses países em relação à Revolução Islâmica, mas é instigado pelos Estados Unidos. Em 1980 emerge a “Doutrina Carter”, segundo a qual o país usaria força militar para defender seus interesses no Golfo Pérsico, mirando sobretudo o petróleo e em contraposição à invasão do Afeganistão pela União Soviética. A partir da chamada “Guerra do Golfo” (1990-1991), bases estadunidenses foram instaladas em todos os países do Conselho.

Irã Mall Foto: Eduardo Campos

A construção da imagem do Irã como um Estado terrorista contradiz sua história. Desde o final do século XVIII o país não ataca nenhum outro, a não ser revidando agressões sofridas. É oponente declarado das facções islâmicas extremistas e sectárias, como os salafistas, aos quais se vinculam o Al-Qaeda e o Estado Islâmico.
Essa falsa imagem do país forjada pelo Ocidente atingiu diretamente os iranianos, que passaram a ser vistos como um povo violento, atrasado e preconceituoso. A iranofobia é uma junção de estereótipos, xenofobia e islamofobia. O que a torna mais grave ainda é o fato de ter sido assimilada por parte expressiva do mundo progressista, em função da escassez ou mesmo da inexistência, até recentemente, de canais globais de alcance significativo capazes de fazer uma contraposição efetiva ao mainstream.
Ao contrário da visão propagandeada, os iranianos são muito inteligentes e cultos. Amantes das artes, são historicamente conhecidos por sua tapeçaria única, destacando-se também sua arquitetura, a poesia, a música, a caligrafia como arte visual e a produção de filmes excepcionais. Seu lazer inclui também a prática sistemática dos piqueniques envolvendo familiares e amigos.

Destaca-se ainda em sua cultura a celebração do Ano Novo, o Nowruz, que se inicia entre 20 e 21 de março, quando começa a primavera, e se estende por 13 dias. Na véspera da última quarta-feira do ano persa realiza-se um ritual de fogo por todo o país, chamado “Chaharshanbe Suri”, que tem origem no zoroastrismo. As pessoas acendem fogueiras em espaços abertos ao longo da noite e saltam sobre as chamas para se purificar e afastar o que de negativo aconteceu no ano que se passou e emanar energias positivas e saúde para o ano que se inicia.

Ritual de fogo “Chaharshanbe Suri” Foto: Eduardo Campos

A sociedade apresenta traços de modernidade que contrastam com outros de natureza conservadora. O homem é considerado o provedor da família e tem que oferecer um dote à mulher quando se casam, mas contingente significativo de mulheres já tem seu lugar no mercado de trabalho. As mulheres, a despeito das restrições que lhes são impostas pela República Islâmica, cujas normas têm forte componente machista, ocupam posição de relevo em várias áreas, constituindo cerca de 60% dos estudantes universitários do país, com destaque para sua presença nas áreas de Engenharia e Ciências.

O índice de natalidade é baixo e o de alfabetização próximo dos 90%, sendo de quase 100% entre os jovens. A taxa de divórcio é elevada, superior a 50% em algumas grandes cidades, sendo parte dessa taxa derivada da pressão da mulher sobre o marido para pagar o dote ou aceitar a separação. As taxas de feminicídio não são conhecidas, mas não há indícios de que sejam elevadas. A legislação, contudo, é leniente com o marido que mata a esposa quando o adultério é inequivocamente comprovado, sendo perdoado ou recebendo uma pena leve, pelo fato de a traição da mulher, e apenas dela, ser considerada crime contra a honra.
Um dado curioso é que, apesar de o aborto e a homossexualidade serem vedados, o Irã é um dos países do mundo em que mais se realizam cirurgias de mudança de gênero, parte das quais custeadas pelo Estado. Está também no topo das rinoplastias, cirurgias para remodelar o nariz, percebidas cotidianamente nas ruas de Teerã. Em sentido contrário, raramente se encontra no Irã um homem usando gravata, vista como símbolo de opressão e da influência imperialista ocidental.
Os iranianos são doces, acolhedores e generosos, talvez como nenhum outro povo em todo o planeta. Estrangeiros que visitam o país são frequentemente convidados para jantares e chás em suas casas e, por vezes, até mesmo a se hospedarem nelas. Tratamento especial é dispensado aos visitantes, quaisquer que sejam eles, parentes, amigos ou aqueles até então desconhecidos. São sempre servidos em primeiro lugar e alvos de permanente atenção dos anfitriões.
A origem dessa hospitalidade e simpatia está na cultura persa e se expressa em um gesto de cortesia conhecido como “taarof”. Quando uma pessoa oferece alguma coisa a outra a praxe é inicialmente ouvir um “não, obrigado” como resposta. Se ela insiste é uma demonstração de que não se trata de uma oferta retórica, mas efetiva. Esse gesto polido é comum até mesmo quando se tem que fazer um pagamento de uma compra ou serviço prestado, quando o credor costuma recusar o dinheiro na primeira tentativa de quitação da dívida.
Mas há um fator adicional à cultura persa que ajuda a entender a postura simpática dos iranianos em relação aos estrangeiros que visitam o país: a consciência de que são um povo estereotipado, hostilizado e objeto de profundo preconceito ao redor do mundo. Sentem-se todos extremamente injustiçados com a visão discriminatória de que são vítimas, sejam os apoiadores da República Islâmica sejam seus opositores, que concordam, em maior ou menor grau, com críticas dirigidas ao sistema de poder e não admitem ser confundidos com ele.
Nem tudo, entretanto, são flores na sociedade iraniana para os não nativos no país. Os árabes, com quem são confundidos com frequência, são alvos de um enorme preconceito, cuja origem remonta ao passado de ambas as civilizações. Pertencem a grupos étnicos, linguísticos e culturais distintas, sendo a maioria dos iranianos de origem persa, havendo também um contingente significativo de azeris e curdos e em menor grau de outras etnias. Essa diversidade inclui até mesmo árabes, que constituem cerca de 2% da população nativa.
Adicionam-se às diferenças históricas as religiosas e as disputas pela hegemonia da região. Os iranianos que professam o islamismo são adeptos da corrente xiita, enquanto a maioria dos países árabes são de maioria sunita, exceção feita ao Iraque e ao Bahrein. Há também zoroastristas, judeus e cristãos no país e um número expressivo de seculares e ateus nas camadas mais jovens.
A guerra em curso e a primeira ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o país, em junho de 2025, estão tendo um papel importante na desconstrução dessa falsa imagem do Irã e de seu povo. A mídia convencional do Ocidente já não consegue esconder que o Irã é a vítima e não o algoz, ainda que continue se esforçando para sustentar que, em última instância, o país é o responsável pelos conflitos na região, e não a aliança entre o Império e os sionistas.
A unidade dos iranianos contra as agressões de que são alvos é um outro fator importante de desmascaramento da mídia mainstream. Não se trata de ignorar as contradições do país, o descontentamento de parcela considerável da população com a República Islâmica, mas de defender a sua soberania e da compreensão majoritária de que cabe aos iranianos, e tão somente a eles, resolverem os seus problemas internos.
O expressivo fortalecimento da mídia alternativa tem também cumprido um papel de grande relevo nesse processo. Cresce significativamente o alcance de canais progressistas no youtube, a plataforma substack, os sites contra-hegemônicos. Não por acaso, recente pesquisa feita a partir dos Estados Unidos constatou que Israel é hoje o país mais odiado do planeta, além de ter perdido o apoio da maioria da população estadunidense, o que seria impensável até alguns anos atrás.
O resgate das enormes qualidades do povo iraniano, de sua inteligência, de sua sabedoria e de sua cultura não deve ser visto apenas como uma reparação das injustiças que contra ele têm sido cometidas ao longo das últimas décadas, mas como um aprendizado para os segmentos progressistas da sociedade mundial que se deixaram enganar pelas falácias da mídia convencional do Ocidente. Ao mesmo tempo é imprescindível reconhecer e valorizar as ações anti-imperialistas da República Islâmica do Irã, independentemente de diferenças culturais ou mesmo ideológicas que se possa ter com ela.

(*) Jornalista

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Internacional

IRÃ: A GUERRA DAS CRIANÇAS

Irã se prepara para receber 20 milhões de peregrinos nas cerimônias de despedida do aiatolá Khamenei, que se iniciam na próxima sexta-feira (3)

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O Irã se prepara para uma colossal manifestação de unidade nacional a ser realizada durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que se iniciarão na próxima sexta-feira (3), quatro meses depois de seu assassinato, no dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra mais recente dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Há quatro meses, o presidente Donald Trump anunciava seu principal objetivo: derrubar a teocracia xiita, que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979, e se apossar das suas imensas reservas petrolíferas nacionais. Quatro meses depois, o Irã segue insubmisso já que logrou impor duras derrotas à coalizão EUA-Israel. E é nesse quadro, tendo conquistado um acordo de paz ainda frágil, que o Irã se organiza para receber estimados 20 milhões de peregrinos nas cerimônias fúnebres que homenagearão Ali Khamenei.

Uma pequena amostra desses preparativos foi o que os observadores brasileiros puderam testemunhar na noite de ontem, sob lua cheia e temperatura de 34 graus Celsius. Em uma praça no norte da capital Teerã, todas as noites desde o assassinato do dia 28 de fevereiro, se reúnem iranianos — a maioria deles praticantes da fé xiita — para homenagear o aiatolá Ali Khamenei, as 168 meninas com idades entre 7 e 12 anos, mortas por bombardeio americano no mesmo dia na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, e centenas de outras vítimas da guerra.

A delegação brasileira está hospedada em um hotel localizado a aproximadamente cem metros de um prédio que foi destruído por um bombardeio. As ruínas são visíveis. O clima nas ruas é de calma, mas de luto evidente. As cerimônias noturnas reúnem centenas de pessoas — e, em algumas cidades, milhares. Em Teerã, cidade de 10 milhões de habitantes, essas manifestações ocorrem simultaneamente em várias praças, espalhadas por vários bairros. Os participantes cantam, empunham bandeiras do Irã e choram abertamente. É impressionante o envolvimento das crianças iranianas nessas cerimônias.

O assassinato das 168 meninas na escola de Minab, gerou uma mobilização expressiva entre o público infantil. Na praça onde estive, crianças participavam da cerimônia: agitavam bandeiras, brincavam e cantavam músicas em homenagem às colegas mortas e ao líder supremo morto. “Podia ser eu”, disse um menino de 15 anos à reportagem, depois de sair com uma miniatura do drone Shahed-136, fabricado no Irã, arma de guerra “revolucionária”, segundo o comandante Robinson Farinazzo, da Marinha brasileira. Com um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o Shahed conseguiu confundir os sistemas de defesa dos EUA e esteve envolvido na derrubada de aeronaves norte-americanas e no ataque a navios cargueiros que se aventuraram pelo estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Cada miniatura do Shahed, impresso em 3D, e vendida na praça, saía pelo equivalente a US$ 3, mesmo preço da miniatura do míssil Fattah-1, outra jóia do arsenal iraniano, um míssil “hipersônico” que viaja em direção ao seu alvo a uma velocidade cinco vezes maior do que a velocidade do som (cerca, 6.100 km/hora). Os meninos adoram.

Segundo a organização do enterro, o corpo do aiatolá Khamenei, em caixão fechado, deixará Teerã nos próximos dias e percorrerá cidades do Irã e do Iraque (Najaf e Karbala), onde se encontram santuários sagrados do islamismo. O enterro ocorrerá no local que ele determinou em testamento.

Segundo a agência de notícias iraniana Fars, uma cerimônia de homenagem para líderes estrangeiros e autoridades de alto escalão está prevista para 3 de julho em Teerã. Cerimônias públicas de despedida estão marcadas para os dias 4 e 5 de julho no Imam Khomeini Mosalla, na capital. Uma procissão fúnebre em Teerã está agendada para 6 de julho. Outras cerimônias estão programadas para 7 de julho em Qom, 8 de julho em Najaf e Karbala, e 9 de julho em Mashhad, cidade no nordeste do Irã, terra natal de Khamenei. Ele será sepultado no Santuário do Imam Reza, um dos locais mais sagrados do Islã xiita.

Em tempo: estou usando véu, em sinal de respeito aos preceitos religiosos xiitas. Também me visto de forma respeitosa em relação dos preceitos religiosos quando compareço a cerimônias católicas, evangélicas, judaicas ou do candomblé.  Mas, andando pela cidade de Teerã, vi muitas (muitas mesmo) mulheres sem véu. Trata-se de um sinal evidente de distensão da norma.

Por Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres

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Geral

O caso Mariana Ferrer, por Honoré de Balzac

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

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O caso Mariana Ferrer por Honoré de Balzac

Por Dirce Waltrick do Amarante*

Quando o escritor francês Honoré de Balzac teve acesso ao vídeo da audiência de Mariana Ferrer, ele decidiu escrever o Código dos homens honestos, isso nos idos de 1875, mas só agora estou tornando públicas suas palavras, que estavam sob segredo de justiça.  

Em uma análise bastante rigorosa, Balzac lembra, em primeiro lugar, que sabemos perfeitamente bem que “em princípio, ficou estabelecido que a justiça seria para todos, mas […]” . A tradução é de Léa Novaes, pois Balzac tinha dificuldade em escrever em português.

Dito isso, ele fala da figura do procurador. Em tempos idos, diz Balzac, os procuradores “levavam tão a sério o interesse de um cliente que chegavam a morrer por eles”. Além disso, eles “nunca frequentavam a sociedade”, e se a frequentassem eram vistos como “monstros”, mas hoje, “hoje tudo está monetarizado: já não se diz que Fulano foi nomeado procurador-geral, vai defender os interesses de sua província […]. Não, nada disso; o senhor Fulano acaba de conquistar um belo posto, procurador-geral, o que equivale a honorários de vinte mil francos […]”.

Balzac ia falar da figura do juiz e do defensor público, mas depois de tudo que assistiu ficou sem as palavras justas para descrevê-los.

Então, o escritor francês decidiu se debruçar sobre o papel do advogado, que “frequenta bailes, festas […] despreza tudo o que não é elegante”. E, diz Balzac, “Justiça seja feita aos advogados […]! São os decanos, os chefes, os santos, os deuses da arte de fazer fortuna com rapidez e com uma sagacidade que os torna merecedores de muitos elogios”.

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

Não citei na íntegra o texto do Balzac, porque foram esses os únicos fragmentos aos quais tive acesso, os outros foram apagados.  

*Formada em Direito, em 1992, na Universidade Federal de Santa Catarina

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