Governador do Rio rebate deputada e defende violência policial

Wilson Witzel e Renata Souza protagonizaram debate sobre segurança pública que agoniza no Rio de Janeiro

Rio vive escalada de violência com mortes de moradores de favelas

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), reagiu mal às últimas declarações da presidente de Comissão de Direitos Humanos da Alerj, a deputada estadual Renata Souza (PSOL). O representante de Bolsonaro no Rio rebateu as constantes críticas feitas pela ex-chefe de gabinete de Marielle Franco, colocando a culpa pelas mortes em favelas nos defensores de direitos humanos.

Durante sessão plenária na Assembleia Legislativa, na última quarta-feira (14), Renata Souza fez duras críticas ao governador Witzel, após o líder do governo na Alerj, Márcio Pacheco (PSC-RJ), afirmar que mais inocentes vão morrer. “A síndrome de Rambo do governador está colocada na lógica de guerra que é nefasta, cruel e violenta. O porta-voz do governo veio aqui falar que outras pessoas vão morrer. Que papel é esse do governador de dizer para a população que mais inocentes vão continuar morrendo?”, questionou a presidente da Comissão de Direitos Humanos.

Na manhã da última sexta-feira (16), o governador Wilson Witzel abriu o dia na inauguração de uma base da Segurança Pública em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde aproveitou para rebater as críticas feitas pela deputada estadual Renata Souza.

“Pessoas que se dizem defensoras de direitos humanos, ‘pseudo defensoras’ de direitos humanos, não querem que a polícia mate quem está de fuzil. Porque se não mata quem está de fuzil, quem morre são os inocentes”, afirmou. “Então, está na sua conta, defensor dos direitos humanos. Esses cadáveres desses jovens não estão no meu colo. Estão no colo de vocês, que não deixam que as polícias façam o trabalho que tem que ser feito”, emendou.

O ataque do governador aos defensores dos direitos humanos por mortes em operações policiais também fez o presidente da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro (OAB-RJ), Luciano Bandeira, se pronunciar. “Quanto à declaração do governador, eu tenho apenas uma ponderação, nunca vi um defensor de direitos humanos entrar em favela dando tiro” resumiu.

De Berlim, onde fez agenda com Jean Wyllys na Fundação Rosa Luxembrug, denunciando a situação vivida por defensores de direitos humanos no Brasil, a deputada estadual Renata Souza comentou o assunto. “A tentativa de inversão de valores e o ataque à dignidade dos defensores dos direitos humanos é só mais uma tentativa de desviar atenção. O governador deveria apresentar uma política de segurança com prevenção, inteligência e investigação”, aconselhou a ex-chefe de gabinete de Marielle Franco.

Durante esta semana, seis jovens foram mortos dentro ou perto de comunidades do estado, durante operações da Polícia Militar do Rio de Janeiro.  Curiosamente, o governador afirmou que os responsáveis seriam traficantes tentando culpar a PM.

Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), as Polícias Militar e Civil do Rio mataram 434 pessoas de janeiro a março deste ano. Foram quase cinco (4,82) mortos por dia, recorde para o período na série estatística de 21 anos, iniciada em 1998. As mortes continuam a crescer nos meses em curso.

Com governo de Wilson Witzel, polícia do Rio de Janeiro matou quase 50% a mais no primeiro semestre deste ano. Segundo relatório divulgado pela Rede de Observatórios de Segurança o Estado teve aumento de 46% nas mortes envolvendo violência policial no primeiro semestre. A comparação é com igual período de 2018.

No primeiro semestre do ano passado, foram registrados 82 casos de mortes por ação de agentes de segurança. O número saltou para 120 óbitos este ano. Entre grandes operações e patrulhamento, foram mais de mil ações policiais monitoradas. A conclusão da pesquisa Operações policiais no Rio em 2019: existe um novo padrão? é de que elas se tornaram mais frequentes, letais e assustadoras para a população, sem efetiva diminuição da violência.

Durante esta semana, seis jovens foram mortos dentro ou perto de comunidades do estado, durante operações da Polícia Militar do Rio de Janeiro.  Curiosamente, o governador afirmou que os responsáveis seriam traficantes tentando culpar a PM.

Durante a última semana, seis jovens foram mortos dentro ou perto de comunidades do Estado, durante operações da Polícia Militar do Rio de Janeiro.  Em declarações dadas à imprensa o governador afirmou que os responsáveis seriam traficantes tentando culpar a PM.

Com informações da Rede Brasil Atual

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