FLUXO E NEXO

Encontro de artistas indígenas, escritor índio de vários povos, é coisa rara e nova de se ver, agora em fluxo contrário, colonizando a cidade, em novo nexo  no auditório repleto.  Pois é, em dias de pais pós golpe ideias de aldeia ocupam o novo diálogo, apavorando a academia que nega a existência de uma literatura indígena, exclamam eles.

Eliane Potiguara, Daniel Munduruku, Ailton Krenak , Kaká Werá ou Olívio Jekupé, entre outros no palco e plateia, trazem à cena o que os doutores tutelam, uma literatura indígena que brota, a sociedade, os índios e seus saberes em transformação. A opressão até varia, dizem, na plataforma incomum do povo brasileiro que pouco considera os conhecimentos tradicionais,  os indígenas renovam esse conhecimento num mosaico mais fiel do país, num conhecimento circular, unindo passado e presente numa renovação da tradição oral. Escrever para o índio não é fim da oralidade, mas o empoderamento de uma nova arma e plenitude de saber.

 

Indígena ou alienígena? Índios não são seres do passado, ou no futuro estão. Negar a literatura indígena é continuar na servidão e no exotismo. Querem sim é uma crítica de sua literatura, afirmam todos, escrever é renovar a palavra pronunciada.

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