Famiglias e luta de classes no judiciário brasileiro

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Duas reportagens da Agência Pública (https://apublica.org), uma dessa semana e outra de dezembro de 2016, mostram que “justiça” no Brasil é uma questão de classe social, de famiglia, de clã. A mais recente destrincha as relações familiares e de negócios, mais do que simples compadrio, entre membros da força-tarefa da Lava Jato, as bancas advocatícias e o poder político que atravessa gerações no Paraná. “Eles se conhecem muitas vezes desde a infância, porque os pais já se conheciam. Frequentaram as melhores escolas, universidades, têm sociabilidade em comum. Quer dizer, vivem na mesma bolha. Têm as mesmas opiniões e gostos políticos e ideológicos. E todos têm conexão com a indústria advocatícia, com os grandes escritórios jurídicos”, afirma o professor de sociologia Ricardo Costa de Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). As informações fazem parte de um estudo inédito realizado por pesquisadores da UFPR que será publicado em livro nas próximas semanas.

A segunda traz também os envolvimentos familiares, de convívio social e identidade ideológica entre os membros do Ministério Público e os políticos em São Paulo a partir de uma pesquisa da Conectas Direitos Humanos. Não à toa, quando assumiu o cargo de Ministro da Justiça do governo golpista de Temer, o ex-procurador do MP Paulista, Alexandre de Moraes, afirmou que “a diferença em relação ao governo federal (do PT e não do MDB) é que o governo de São Paulo é honesto” (http://www.vermelho.org.br/noticia/280927-1). Antes de assumir o ministério e depois a cadeira de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal, Moraes havia sido duas vezes secretário do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin – PSDB (primeiro na Secretaria de Justiça e Cidadania-2004 a 2005, depois na Secretaria de Segurança Pública-2014 a 2016) e uma vez secretário do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab – PSD (Transportes- 2007 a 2010). Quando da indicação ao STF, os Jornalistas Livres publicamos duas reportagens sobre plágios acadêmicos do ministro (https://jornalistaslivres.org/2017/02/professor-da-ufmg-acusa-alexandre-de-moraes-de-plagio/ e https://jornalistaslivres.org/2017/02/mais-um-plagio-de-alexandre-de-moraes/) mesmo assim o Congresso golpista aceitou a indicação de Temer.

Outro exemplo, é a do deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSDB), que acaba de, finalmente, se tornar réu (por 12 votos a 9) no Escândalo da Máfia da Merenda, denunciado em 2016 e que foi alvo de várias matérias pelos Jornalistas Livres (https://jornalistaslivres.org/?s=capez). A reportagem da Pública aponta que “Capez tem fortes ligações com a Promotoria e o Judiciário. Não apenas fez carreira como promotor do estado como seu irmão, Flávio Capez, é procurador aposentado. Outro irmão, Rodrigo Capez, é juiz do Tribunal de Justiça de São Paulo e foi instrutor do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. A esposa de Fernando e uma de suas cunhadas também fazem parte do corpo do MPSP.”

É a boa e velha luta de classes reproduzida dentro do judiciário: funcionários públicos que não se reconhecem como trabalhadores (e nem como funcionários públicos, por isso pedem estado mínimo) e portanto mantém a ferro, fogo e pena a luta desigual contra os outros 90% da população.

Leia a reportagem completa da Pública sobre a “justiça” no Paraná em https://apublica.org/2018/05/integrantes-da-lava-jato-vivem-na-mesma-bolha-diz-pesquisador-da-ufpr/?utm_source=Inscritos+no+site&utm_campaign=2831560ef6-EMAIL_CAMPAIGN_2018_05_10&utm_medium=email&utm_term=0_eaf96d902a-2831560ef6-288495585 e a sobre o MP de São Paulo em https://apublica.org/2016/12/teias-de-influencia-o-ministerio-publico-e-o-governo-paulista/?utm_source=Inscritos+no+site&utm_campaign=2831560ef6-EMAIL_CAMPAIGN_2018_05_10&utm_medium=email&utm_term=0_eaf96d902a-2831560ef6-288495585

Foto: Diego Padgurschi / Folhapress – 2016

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