Entre os anos 70 e 2017, SEM MITOS E MAGIA

 

 

A I Bienal Latino Americana e seus ícones originários.

Era um período de novidades entre velhos vícios, em 1978  o general Geisel passou o comando ao general João Figueiredo, eleito indiretamente presidente do Brasil, para 6 anos de governo. Carlos Drummond de Andrade escrevia o Projeto de Declaração dos Direitos da Planta, acreditando que talvez a obrigação geraria costume, e o costume se revelaria força ativa para a conservação da natureza, com esperança na eternidade da rosa.

No país da TV, Caetano Veloso marcava posição no Vox Populi https://www.youtube.com/watch?v=OB5zw4UVjUoe a TV Tupi conduzia as emoções em produções de novelas. Entre o último capítulo da novela Cinderela https://www.youtube.com/watch?v=P3CTnyyJXAAe o primeiro capítulo da novela Aritanahttps://www.youtube.com/watch?v=Rut3jMUwqyI, grandes sucessos à época, Luis Inácio surgia como Lula, liderando a primeira greve dos metalúrgicos.

Na Amazônia novos municípios surgiam e eram emancipados na busca impiedosa do ouro e na voracidade do boi e da soja por novos solos. Nas artes ocorria  a primeira e única Bienal Latino Americana e Radha Abramo sentenciava: Bienal contestada é Bienal didática, porque discussão permanente é aprendizagem dialética. Na fotografia, Maureen Bisilliat fazia as provas de Xingu, obra determinante num Brasil que vinha com tudo. Fora do país três Papas se sucederam no período e o primeiro bebê de proveta nasceu, enquanto a Argentina faturava a Copa do Mundo.

Fotolitos do livro Xingu, de Maureen Bissiliat

Há denominadores comuns entre os fatos da época,  semelhanças com as turbulências hoje vividas. Eduardo Galeano escreveria logo em seguida sobre a descoberta da América, que não nascemos na Lua, não moramos no sétimo céu. Temos a alegria e a desgraça de pertencer a uma região atormentada do mundo, a América Latina, e de viver num tempo histórico que nos golpeia com força e dureza.

 

Em 2017 os atores são outros, mas os enredos pouco mudaram em temas, há um país de cinderelas à direita, e o índio pela esquerda ainda corre seus riscos na terra que sempre perdeu. Unidades ambientais de conservação e terras indígenas sofrem pressão para revisão de seus limites e as águas minguam entre rios que se aprisionam. Persiste novamente a supremacia do agronegócio na geração de divisas. 

Ninguém assistirá ao enterro de tua última quimera, pronunciava Glauber Rocha naqueles tempos, sobre a morte de Di Cavalcati e suas possibilidades, visão surpreendente da vida do pintor e os anseios. Entre rosas nosso rosto ainda insiste.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

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